sábado, março 13, 2010

FILOSOFIA DE PÉ DESCALÇO…



Estava eu cheio de problemas por causa da minha incultura filosófica, de que me valeu a intervenção atenta do Giovanni, na minha publicação de Janeiro deste ano. Depois da minha penitência, com a tradução, para português dum texto esclarecedor de Ken Wilber, escrevo a seguir um pouco mais sobre essa problemática, e, para ajudar os leitores em diagonal, vou pontuando o que escrevi com uns bonequinhos meus…
Na verdade, sinto a necessidade de discorrer sobre matéria filosófica, mas, ao publicá-la, e até ao permitir os curiosos espreitarem para ler e dar opinião (mesmo sendo isto um diário quase íntimo), tenho obrigação de não dizer asneiras, não?

Bom, sendo áreas para as quais tenho apetência mas pouca ciência, é quase certo que vão sair asneiras. Que faço então? Fecho o bico? Deixo de colocar aqui aquilo que é apenas um pensar alto?

Na verdade, já há patranhas e charlatanice a mais na NET. Mas também a net nos permite, se formos atentos e escrupulosos, corrigir muita asneira e ir aprendendo. Afinal, o carácter social da rede permite sempre aparecer alguém que sabe mais que nós, a dar uma ajudinha.

E esta maravilha da navegação na NET, tal como a navegação marítima dos séculos das Descobertas, está rapidamente a ajudar as mentalidades a abrirem-se e a mudarem. Quanta coisa nova se aprende aqui? Quanta coisa velha, mas sempre ocultada, que agora vem ao de cima?

Vou continuar aqui, então, a colocar as minhas interrogações e as minhas respostas, alertando quem me lê que o faça com a atitude recomendada pelo nosso grande Agostinho da Silva:

“(…) nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles forem meus, não seus. Se o criador o tivesse querido juntar a mim não teríamos tal-vez dois corpos ou duas cabeças bem distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição venha a pensar o mesmo que eu; mas nessa altura já o pensamento lhe pertence."

E, sobre a legitimidade da prática da filosofia de pé-descalço, como a minha, deixo também aqui uma citação do filósofo brasileiro Paulo Ghiraldelli Jr.:

"A filosofia não é propriedade da universidade: Sócrates a iniciou nas ruas, Marx a fez nos jornais, livros e assembléias operárias, Descartes a fez nas viagens como soldados, Sartre a fez nas ruas de Paris, Marcuse a utilizou nas Assembléias do movimento de jovens de 68, Dewey a exerceu na educação, da política, Rorty e Habermas a fizeram no contexto dos grandes embates pela paz. Meu Deus! Precisa mais? Todos os grandes filósofos fizeram filosofia em situações cotidianas, de grande público ou não.
A situação de sala de aula ou de universidade é o caso específico, o caso geral e comum é a filosofia na rua. Isso não quer dizer que se deve dar aval para quem não é filósofo, o filósofo depende de uma formação cultural que implica a discussão com os pares e a formação acadêmica, mas a filosofia é uma conversaçao pública.”

Conversemos então…!!!

6 comentários:

Felipe Alves disse...

Álvaro você comenta neste texto cometer erros ao tentar passar sua idéias para o papel, que lhe valeu uma repreenda do seu amigo Giovani, então saibas meu caro amigo, quisera ter eu a metade do seu conhecimento para juntos com minhas fotos poder postar tão lindos texto, é isso ai não prenda a nada que não seja sua conciência, valeu pelo texto.

maria filomena disse...

Álvaro, este texto deixa transparecer alguma desilusão TUA pela falta de contributo ou oposição dos leitores que tu convidas a participar!
Deixa-me que discorde já do título...
Não há filosofia de pé descalço nem filosofia catedrática, quanto a mim!
Há convicções e todas elas são legítimas, porque são a verdade de cada um,resultante da respectiva história de vida...

Pergunto-me então por que razão não hás-de continuar a pôr as tuas dúvidas e comentários sobre todos os assuntos que te tocam!?

Bj.

P.S.

Os barquinhos são verdadeiramente artísticos! Esses, tu não puseste em causa...

Verônica M.B. disse...

Álvaro querido, que bom você "desobedecer"! Maravilha de texto. Solte-se sempre!
Não conhecia o seu lado desenhista, amei.
Beijos, Verônica

Anónimo disse...

Cada um defende a filosofia que gosta ou melhor expressa o seu pensamento. Continua a libertar-te.
Quanto aos teus desenhos ADOREI.
Espero guardes alguns p. eu encaixilhar. Mereço esse mimo e agradeço desde já.
Formiguinha

Márcia Píramo disse...

Álvaro, querido amigo, que delícia de texto, que delícia de desenhos... vi-me contemplando essas imagens com real deleite e até gostaria de ter algo para discordar, para atender ao seu pedido de sempre, mas desta vez não vai ser possível...

Clazios disse...

Adendum... Muito bom ambos, o texto e desenhos.