quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Materialismo Dialéctico, Materialismo Histórico


Esta é mais uma de política.

O link aqui ao lado para “Materialismo Dialéctico” já há muito que lá está, algumas referências nos meus textos chamam a atenção para ele, mas agora o seu estudo tornou-se obrigatória para quem quer entender o que se passa hoje, em Portugal e no mundo. E nunca aqui a sua compreensão esteve tão fácil, dado que os acontecimentos fornecem exemplos vivos do que aí se descreve, uma vez caídas as ilusões que velavam certas ideias feitas sobre a economia liberal.
Na verdade, tirando alguns aspectos datados relativos à época da revolução russa e aos anos que a antecederam e que se lhe seguiram, facilmente identificáveis, esta obra continua actual e essencial para se perceber a sociedade de hoje e a nossa economia.
Então, vejam o que, a propósito do regabofe do TGV, estádios de futebol megalómanos e outras obras sumptuárias dos nossos governos, me escreveu uma amiga, revoltada e “envergonhada” e vejam depois a minha resposta. Quem passa o tempo a mandar-me coisas superficiais contra o Sócrates (*), que, confesso, já me começam a enjoar, arranje tempo para entrar no site e abrir cada página para ser impressa, bem lida e estudada…
Vejam então o que escreveu a “Formiguinha”:

“Assunto p. reflectir.
Neste país sem vergonha, sinto-me envergonhada e devo pertencer a uma minoria...mínima.
A um país de guerreiros, gente valente e aventureiros, a população actual deve descender apenas do ultimo grupo.
Coro de vergonha, sempre que ligo à comunicação social. Comunicação, que representa o vulcão de lama em que se transformou este país.
O Santana caiu por menos.
Os outros dois anteriores fugiram... antes que a lama rebentasse, porém ela tão gordurosa, peganhenta, mal cheirosa, teimosa, desbordou e já não é possível esconder. A geração actual está a crescer nestes valores...
Trafulhices, falta de vergonha, enriquecer a qualquer preço, ser conhecido pelas capas de revista indecorosas e ser "importante" pelas baboseiras publicadas nos jornais. Estou farta desta pouca vergonha.
Já não tenho 30 anos, nem voz, para gritar que o rei vai nu.
Mas tenho netos, para quem olho envergonhada, quando falo de ética, honestidade, princípios, futuro, e me perguntam: - para quê avó?
Ah! D. João I, nunca deverias ter existido!
E o povo continua narcotizado!
Conhecem por acaso um homem honesto que possa tomar conta do leme deste barco roto? E principalmente de mais meia dúzia que o ajudassem a governar e remar até porto seguro?
Eu não conheço, mas será bom que comecem a procurar.
O tempo urge se ainda formos a tempo! Hoje, 31 de Janeiro é data para avançar!
Formiguinha cansada e envergonhada”

…E a minha resposta:

Formiguinha,

Não te envergonhes, não é nada contigo. Pelo menos em termos morais!
Socialmente, pertencemos à classe da pequena (eu) ou eventualmente média (tu) burguesia. Esta classe, em tempos de vacas gordas, alarga-se, expande-se e deixa-se embalar por estes governos que sempre deixam escorrer algo para nos sentirmos confortáveis.
Quando as coisas começam a apertar, no entanto, os mais sérios e conscientes de nós começam a ter um certo desconforto, uma vergonha.
Mas não encaram ainda a política duma maneira suficientemente séria e profunda para entrarem em revolta.
Numa fase posterior, terão medo. Mais tarde, carências.
Aí, procurarão uma saída. Para isso, têm que encarar a política duma forma séria. Se não o fizeram já, terão que o fazer antes que seja tarde.
Porque por enquanto, ainda estão à espera que a alta finança, nacional e, sobretudo, internacional, que controla todos os media, desde a TV aos jornais e rádio lhes apresente um salvador. Mas, que salvador? O que há-de acabar com esse sistema de saque? Espera sentada, formiguinha, esse salvador nunca será um indivíduo só, será, antes uma política. E que nunca te será apresentada numa bandeja, terá que ser investigada e procurada por ti!
Pela minha parte, como sempre me interessei, acho que tenho todos os dados necessários para saber onde estou e para onde vou.
Por isso, mais uma vez insisto na oportunidade de se estudarem as 25 folhas da obra essencial "Materialismo Dialéctico, Materialismo Histórico", de José Estaline (**).
Têm medo de a ler? De ler Estaline? Então leiam em diagonal, para continuarem a nada entender, ou então...
…Leiam os discursos do Sócrates (*)!
Abraços
Álvaro

(*) refiro-me ao primeiro-ministro do Governo de Portugal, não, ao filósofo grego...!
(**) A quem estiver interessado, poderei enviar este texto em formato Word. Basta que mo peçam para o meu endereço alvacosta@gmail.com

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Anatomia da Energia

Na Austrália conheci as conferências da Carolin Myss (Lê-se "Maice" em português). Que coisa estrambólica, uma "curadora à distância"! Mas, mais estrambólico ainda é ouvir-se a conferência e aquilo tudo fazer sentido. E agora??!!

Pesquisando sobre o tema da "Velhice ao Poder" descobri esta introdução a um curso dela que mais tarde vou usar num novo desenvolvimento daquele meu texto. Vejam a tradução que fiz, do original, em inglês...:


A Anatomia da Energia
Por Caroline Myss, Ph.D


O Que É A Anatomia Da Energia?

Cada ser humano nasceu com um corpo físico; mas nascemos também com um outro corpo – este, formado por pura energia. A Anatomia da Energia é o estudo do sistema energético inato do corpo humano, do seu papel como agente de cura e da sua relação com todas as outras formas de vida e de energia.
Se virmos o corpo humano como parte dum vasto universo onde o espírito, a matéria e a energia se intersectam, começamos a compreender não só como essas forças agem sobre nós mas também como de facto as podemos dominar e dirigir. A força vital do próprio universo – conhecida como Prana na Índia e Qui na China – é a componente-chave duma existência vibrante e auto-sustentada. Nas tradições do Oriente e do Ocidente, é vista como fonte inesgotável de energia curativa. Para distribuir essa energia nascemos com “circuitos” bioelectricos chamados chacras (uma palavra do sânscrito antigo que significa “rodas”). A partir destes centros energéticos, o Qui ou Prana fluem pelo corpo físico, purificando-o e recuperando-o.

A Anatomia Da Energia E A Doença

Quando a livre circulação da força vital está bloqueada no sistema energético do corpo, pode desenvolver-se uma doença. Imaginemos o corpo como uma base de dados complexa. Cada pensamento, cada sentimento, cada memória que temos, é codificado e transformado em matéria – uma forma de memória celular. Traumas negativos podem bloquear o fluxo de energia no corpo ou fazer com que a força vital “verta” para fora do sistema energético. Vejo muitos pacientes que desperdiçam o seu poder cedendo-o a instituições, figuras de autoridade ou até a medos e problemas imaginários. Em vez de aplicarem este poder maravilhoso – literalmente, um presente de Deus para nos manter saudáveis e criativos – desperdiçam-no.
A Anatomia da Energia fornece as orientações básicas para se aprender como funciona o sistema de energia humana, a sua relação com a energia divina e o papel desempenhado pela intuição na auto-cura. Através deste curso aprende-se a controlar a saúde, retomar o poder vital e a usá-lo para cada um se tornar uma pessoa mais saudável, mais amorosa e mais espiritual.

Por Caroline Myss, Ph.D


Os Sete Chacras

Os Chacras são centros de energia que funcionam como bases de dados no nosso corpo. Cada Chacra grava um tipo específico de dados. Os ensinamentos sagrados das tradições, quer do Ocidente, quer do Oriente, relacionam os centros energéticos do corpo com certos padrões de pensamento específicos. Cada percepção que temos na vida fica arquivada no chacra que tem a vibração correspondente. Por exemplo, as experiências que têm ver com a auto-estima ficam registadas no terceiro chacra.

Para promover o livre fluxo de energia através do nosso corpo, tem que se focar a atenção no presente. Não podemos arrastar sempre connosco os pensamentos e percepções que nos esgotam a energia.

7
A Unidade – Localizada no alto da cabeça


6
O Pensamento
– Localizado na testa


5
A Vontade – Localizada na garganta


4
O Amor
– Situado na região do coração


3
A Personalidade – Localizada no Plexo Solar


2
O Poder físico
– situado na região genital


1
A Tribo
– Localizada na base da espinha



Os Sete Sacramentos


O sistema dos sete chacras é um antigo ensinamento do Oriente. No Ocidente, o Catolicismo Romano fornece-nos esse mesmo ensinamento, através dos sete sacramentos. São sete rituais de passagem que pontuam o decurso das nossas vidas: O baptismo, a comunhão, a confirmação, o casamento, a confissão, a ordenação e a extrema unção. A seguir apresenta-se o diagrama dos sacramentos juntamente com os seus significados simbólicos.

Ao investigarmos profundamente os sete sacramentos, compreendemos a sua relação com os chacras. Os dois sistemas podem sobrepor-se com precisão, ampliando e enriquecendo a nossa compreensão de como usar a energia. É muito importante não esquecer que todos os sistemas de descrição desta energia são de natureza arquetípica e simbólica. Não devem ver-se como representações literais. Compreendidos como ensinamentos simbólicos, os sete sacramentos dão-nos um modo subtil e poderoso de controlar a energia do nosso corpo. Mostram-nos como nos mantermos centrados e conservando o controle do nosso poder.


7
Extrema Unção
– Libertar-se do passado; viver no presente


6
Ordenação
– Deixar o espírito divino dirigir a nossa vida


5
Confissão
– recuperar o nosso espírito


4
Casamento
– Prometer amar-se a si próprio


3
Confirmação
– Confirmação do código de honra para nós próprios


2
Comunhão
– Aceitar cada pessoa como parte do nosso Cristo interior

1
Baptismo
– aceitar totalmente a nossa família e a nossa tribo




A Árvore Da Vida E Os Dez “Sefirot”

Tal como a cristandade nos oferece um mapa simbólico da anatomia da energia humana na forma dos sacramentos, também o judaísmo tem a Árvore da Vida como representação do mesmo sistema.
A Árvore da Vida é um diagrama simbólico que foi usado pelos Cabalistas (a seita judaica mais antiga) por vários milhares de anos. Explica como flúi a energia de Deus para o mundo. Este diagrama apresenta os dez sefirot (números), cada um representando um estágio ou qualidade diferente desta descida. Por exemplo, começa na Keter (coroa) e termina na Shekhinah (criação).
Os dez sefirot estão organizados de forma a distribuírem-se por sete níveis. Cada um desses níveis corresponde perfeitamente ao níveis respectivos dos sistemas dos chacras e dos sacramentos e representa a qualidade do poder que temos que desenvolver de modo a manter um corpo saudável – física e espiritualmente.
Mais uma vez, é importante recordar que a Árvore da Vida é uma exposição simbólica de como a energia espiritual flúi; não representa uma estrutura concreta.


A Árvore da Vida



SISTEMA DE ENERGIA HUMANO:
CORRESPONDÊNCIAS

Sétimo Chacra: Sentido da unidade de toda a criação; Transcendência; Amor superior
Sacramento: Extrema Unção;
Sefirot: Keter (Coroa)

Sexto Chacra: Pensamento;
clarividência
Sacramento: Ordenação;
Sefirot: Binah e Hokhmah
(Compreensão e sabedoria)

Quinto Chacra: Vontade
Sacramento: Confissão;
Sefirot: Gevurah e Hesed
(Julgamento e perdão)

Quarto Chacra: Amor
Sacramento; Casamento;
Sefira: Tif’eret (Beleza)

Terceiro Chacra; Personalidade
Sacramento; Confirmação;
Sefirot: Hod e Nezah
(Majestade e resistência)

Segundo Chacra; Poder pessoal
Sacramento; Comunhão;
Sefirot: Yesod (Fundação)

Primeiro Chacra: Tribo 1
Sacramento: Baptismo;
Sefira: Shekhinah (Gaia, criação)



Caroline Myss

É uma pioneira no campo da medicina da energia e consciência humana e é formada em jornalismo, teologia e medicina energética e intuitiva. O seu trabalho com o Dr. Norman Shealy, um neurocirurgião formado em Havard, ajudou a definir o modo como a tensão e a emoção contribuem para a formação da doença. É co-autora, com o Dr. Shealy, do livro A Criação da Saúde e autora de dois livros, recordes de vendas do New York Times: Anatomia do Espírito e Porque As Pessoas Não Se Curam E Como O Poderão Fazer.

sábado, dezembro 06, 2008

Leitura Em Diagonal


Pois é, os textos do meu blog são lidos em diagonal… Isto, depreendo eu de certos comentários, aqui no blog ou de amigos que comentam em directo!... Vários confessam mesmo: “li assim em diagonal” - fazendo um trejeito como se a desculparem-se…


Mas não faz mal, afinal é mesmo assim que na NET, se lê a maior parte do que pesquisamos, a informação é tanta que não poderia ser de outra maneira. É assim também que muitas vezes leio os blogs que visito…

E recebi críticas de que o meu blog é massudo, os textos são muito compridos, têm poucas ilustrações, vídeos, animações…

Mas para mim, isto começou por ser um arquivo dos meus escritos e agora é um diário de reflexões. Não escrevo para deliciar os leitores, para ganhar audiências. Eu escrevo para mim! Lendo-me depois, consigo reflectir melhor sobre o que pensei, e analisar melhor o que escrevi.

Mais tarde, descobri que aparece gente a ler e a criticar. E que essas críticas são, dum modo geral, muito úteis e fazem avançar as minhas reflexões. Refiro-me, claro, às críticas contestantes, questionando. Essas críticas às minhas opiniões têm-me ajudado a esclarecê-las, ajustá-las, aperfeiçoa-las, corrigi-las e, até, a abandona-las. Em qualquer dos casos, ajudaram-me a maturar e evoluir. Portanto, descobri que quero ter esses leitores interventivos e contestatários. E, concerteza os outros, também.

As críticas elogiosas e corroborativas são simpáticas, sabem bem, mas pouco me ajudam nos raciocínios, são agradáveis porque me enchem o ego, mas mais nada, apenas sublinham o efeito “Feira das Vaidades”, conforme senti desde o momento da fundação do blog, dando-lhe esse título (vejam o primeiro texto que aqui coloquei, já lá vão dois anos!)...

Portanto, o meu blog vai continuar assim, e os leitores, talvez a maioria, a continuar a lê-lo em diagonal. O que não deixa de ser bom…!

E para animar o blog, lá pus um desenho de minha autoria à cabeça…

segunda-feira, novembro 17, 2008

A VELHICE AO PODER

A VELHICE AO PODER!
Toda a criatura é necessária ao concerto do Universo. A minha mãe, 87 anos, lamenta-se, por vezes pergunta “que ando cá eu a fazer?” e eu quero dizer-lhe que ela me faz falta, talvez mais a mim que eu, a ela…

Também comenta que as pessoas deveriam ter sempre saúde, até à hora da morte!

Não! Aparentemente certo, há algo de mal contado nesta opinião. Quer dizer, eu, com 98 anos, estava muito bem a dançar numa discoteca e BUM, chegou a hora, morria!... Ná!

…Mas a ideia não era má de todo… Será?

O terror da morte faz os mais jovens virar a cara e acharem os velhos, horríveis, vendo neles o prenúncio da sua própria morte. Mas esta questão triste e feia terá talvez uma resposta alegre e linda…Será?

A minha geração é responsável pela libertação dos jovens. No final da II Guerra Mundial, um adolescente não passava dum bebé em crise de tamanho e borbulhas. A minha geração marchou ao som do rock e do pop, hinos musicais ao amor, à liberdade, à revolta. E os jovens jamais foram esses homúnculos de chapéu e gravata para que os adultos da época nos remetiam.

Hoje, poderemos dizer que essa batalha está ganha, embora, francamente, se esteja a passar para o extremo oposto, agora, parece que quem não for jovem é para abater, está cá a mais!

Pois estão muito enganados, e, mais uma vez, temos que pegar na bandeira e voltar à luta. A VELHICE É UM POSTO!

A VELHICE AO PODER!!!!

Mas vai ser preciso encarar a vida, toda ela, duma maneira totalmente diferente. Como uma jornada contínua de evolução, para a completa realização do Homem, como ser material e espiritual.

Neste mundo dual em que nos encontramos – onde cada fenómeno se desenvolve de acordo com uma luta interna entre dois aspectos contraditórios – podemos encontrar o número dois a reger tudo, os tempos também. Vou usar isso para calcular o tempo ideal de vida. Não o actual, mas aquele que é de facto necessário para a realização total do homem.

Aqui, entro num campo em que não sou especialista, vou fazer uma abordagem expedita e grosseira, médicos, biólogos, pediatras, educadores e demais especialistas nestas áreas, por favor, corrijam-me onde estiver errado!
Um segundo após o encontro do espermatozóide com o óvulo, este cria uma protecção que impede a entrada de outros espermatozóides; dois segundos depois, começa a sua subdivisão.
E de duplicação em duplicação, vamos vendo passar as fases da vida humana; ao ano de idade, começar a andar; aos dois, começar a falar; aos quatro anos, a definição da personalidade; aos oito, da vida social, a sexualidade potencial; aos dezasseis, a adolescência, a sexualidade efectiva; aos trinta e dois, um casamento maduro, filhos; aos sessenta e quatro, a visão sábia das coisas, aos cento e vinte e oito… Só partir desta idade, estará praticamente concluída a nossa vida, começam os festejos… De quê?

Reparem na alegria da criança e os adultos que a rodeiam, dando os primeiros passos! E quem não sorriu perante o orgulho dum(a) adolescente nas suas novas evidências corporais desta fase? E perante a felicidade dos bem-casados e pais babosos?
Então, porque se hão-de as pessoas entristecer com a 3ª idade? E porque não ansiar por ela, como a criança anseia ser igual ao irmão adolescente? E porque não o próprio preparar-se para a sua morte como uma noiva se prepara para o casamento? E porque não ver essa passagem como o coroamento glorioso de toda uma vida, completando-se? Não é isto de festejar?

Eu sei que agora, ninguém concorda comigo, ser velho é chato! Mas não vai ser sempre assim, virá um altura em que aquela questão colocada pela minha mãe pode ser cumprida. A evolução do conhecimento do homem vai permitir viver-se bem toda a vida, cada idade com as suas peculiaridades próprias, as suas vantagens e desvantagens, certamente o homem saberá encontrar uma resposta de adequação feliz e fisicamente saudável á sua idade. E, creio que isso terá que passar por uma mudança de mentalidade e por uma visão mais espiritual da vida!

Então, na tal discoteca das Docas, com mais de 128 anos, morrerei a dançar num transe xamânico!

VIVAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!

terça-feira, outubro 21, 2008

Platão era mesmo visionário! - 2


Os pressupostos do anterior "Platão era mesmo visionário!", sobre o que se deve manter e o que deve mudar para acabar com esta nossa democracia de opereta, servem agora para eu explicar a minha proposta alternativa.
Claro que o sistema que aqui apresento, aplicando os "sim" do tema anterior e eliminando os "não", nunca será aplicado em Portugal, pois, a sê-lo, acabaria à partida com a manutenção desta nossa classe dominante rasca, e nunca ninguém organiza eleições para as perder. Poderá deixar mudar as moscas, sim, mas o resto, tem que se manter...
Claro que o bombardeamento contínuo a que os portugueses têm sido submetidos sobre a excelência desta “democracia” e das “conquistas de Abril”, cria reflexos e preconceitos que dificultarão a compreensão imediata da minha proposta. Muito gostaria que essas dúvidas, críticas e oposições viessem ao de cima, seriam preciosas para melhorar a minha proposta, seja na sua estrutura, seja na sua exposição.
Cá vai então uma parte dela:
1. Para fundar um partido político apenas seria necessário definir: Nome do partido; seus corpos dirigentes; programa; local da sede; lista de candidatos às Assembleias, da República, Municipais e das Freguesias onde tal partido pretenda concorrer;
2. A filiação em partidos passaria a ser pública, ou seja, cada cidadão aderiria ao seu partido subscrevendo declaração de adesão, aceite pelos respectivos dirigentes; tal documento seria triplicado, ficando o original no Partido, uma cópia na posse do militante e outra, seria depositada na comissão eleitoral, onde poderia ser consultada por qualquer cidadão.
3. Deixariam de se realizar eleições para as Assembleias da República, Municipais e de Freguesia. Anualmente, os deputados seriam eleitos em função directamente proporcional ao número de militantes cujas declarações de adesão (a renovar regularmente) dessem entrada na comissão eleitoral.

Creio que este sistema teria vantagens:
· Surgiriam partidos de todas as maneiras e feitios de modo que ninguém poderia dizer que “nenhum partido lhe serve”;
· Cada pessoa passaria a ser responsável pela sua posição política e essa responsabilidade levaria a uma atitude mais séria perante a política;
· Acabaria o desperdício e a demagogia, o triste espectáculo das eleições; mas, sobretudo, deixaria de existir o poder das panelinhas e cúpulas dentro dos partidos, os dirigentes teriam que descer às bases, captar e educar os seus militantes, debatendo a política com eles e, em última análise, respeitando-os…

Que acham? Críticas bem-vindas, sobretudos as de oposição!

quinta-feira, maio 15, 2008

FURACÃO ML

Acabei de receber um comentário ao meu texto anterior sobre a minha guerra colonial.

Naturalmente o que escrevi inspirou o seu autor, ou autora, "FURACÃO ML" a escrever o seu próprio relato sobre outra guerra quiçá mais sangrenta, que encabeça com "Hipocrisia!".

Afinal, não se trata dum comentário ao meu texto mas um texto que melhor fica aqui, autónomo.
É o primeiro texto que aqui publico que não é da minha autoria ou de que sou tradutor.
Vou então colá-lo a seguir, depois de um mínimo de edição do original com o que, espero, o seu anónimo autor concordará.

E venham os comentários!


Hipocrisia! Que se passará nos últimos tempos ?

Lorosae - o País do Sol Nascente

Desde Abril (1999) que a situação no pais era caótica. Após o massacre de santa cruz - DILI 1991 - para além de esporádicos episódios de confrontos entre as milícias e as tropas governamentais a situação parecia minimamente estável mesmo depois de em Janeiro (1999) ter sido anunciado o projecto de independência.

Não se entendia bem quais eram as facções armadas e assistia-se esporadicamente a tiroteios dispersos atribuídos a guerrilheiros fortuitos.

O dia 4 de Setembro amanhece debaixo de um tiroteio cerrado, com morteirada a cair por todos os lados, não se percebendo quem eram os atiradores.

Mas que estavam lá, estavam... e em força.

O calor húmido abafadiço era irrespirável. Misturava-se o pó com o cheiro intenso da pólvora, do que parecia metal derretido, carne queimada, não tem descrição que traduza.

O pequeno grupo : Esta voluntária anónima, o Enf. Coimbra; a Enf. Adelaide; o Dr. Carlos e os espanhóis Jualsalben e Eulogio, refugiados atrás da parede de uma casa meio destruída em ERMERA aguardava uma pausa no tiroteio para atingir a viatura da UNAMET estacionada duas ruas a frente.

Não era fácil. O fogo das armas parecia partir de um ângulo de 150 graus, varrendo todo o espaço à nossa frente.

Era evidente o nervosismo dos nossos camaradas espanhóis - pressionavam para que estivéssemos atentos ao mais leve recrudescer do fogo para partirmos. estava um avião no AEROPORTO DE BAUCAU a espera para sermos evacuados mas partia a meio da tarde e tínhamos não sabíamos bem quantos quilómetros (400?) até ao aeroporto sem sabermos em que condições.


Não é fácil entrar na narrativa final.... ainda dói e doera para sempre...
No meio de toda a confusão, homens, mulheres e crianças fugindo para junto da nossa parede, murmurando em tétum não se sabe bem o que, talvez Rai-lacan (terra em chama) chorando, gemendo, alguns cheios de sangue, tornaram a situação ainda mais desesperante, caótica.

Narração na primeira pessoa

O CHEIRO A SANGUE EXISTE E INSUPORTAVEL JUNTO COM TODOS OS OUTROS CHEIROS JA DESCRITOS. MAIS RAPIDO QUE SE CONSEGUE CONTAR MAIS AFLITIVO QUE SENTIR UMA BOMBA PARA EXPLODIR JUNTO A NOS MAIS PARALIZANTE QUE UM GAS ALGUEM... NAO SEI...

MAS ALGUEM FALANDO TETUM EM TOM SUPLICANTE E CHOROSO PASSA-ME PARA OS BRACOS UM PEQUENO EMBRULHO
QUENTE HUMIDO MOLE ... ESTUPIDAMENTE AGARRO, SEGURO, PERTO CONTRA O MEU PEITO ESTARRECIDA, ESQUEÇO O TIROTEIO, ESQUEÇO O BENDITO ESPANHOL A GRITAR PARA CORRERMOS PORQUE DC 10 NAO ESPERA PARA ALÉM DO PREVISTO. ---- E OLHO O PEQUENO EMBRULHO

NÃO QUERO... NÃO POSSO... NÃO AGUENTO RELEMBRAR O QUE VI... ERA UM PEQUENO SER, UMA CRIANÇA PEQUENINA - 1 ANO,TALVEZ 2.
UNS OLHINHOS NEGROS MEIO MORTIÇOS, SUPLICANTES, OLHANDO-ME ESPANTADOS, MAS SERENOS, SEM MEDO, TALVEZ SÓ COM UMA PERGUNTA PORQUÊ??

Afastei o pano que o envolvia aconcheguei aquela pasta de sangue a mim, toquei a carinha com a minha face, a mãozinha pequenina e escura agarrou uma madeixa do meu cabelo no pescoço. Apertei bem a mim. Queria dar o meu calor, o meu sangue, não deixar fugir aquela vida Gritei... gritei... gritei com o frio e impessoal espanhol para que me levasse ao hospital de campanha. Estava obcecado pelo avião e gritava também para mim «deja-lo, deja-lo--- a una mujer... »A mãozinha descaiu do meu caracol de cabelo, o sangue estava pastoso mas não escorria e Aqueles olhinhos negros, parecendo molhados de lágrimas, tinham perdido para sempre a luz da existência. Estão gravados em mim para sempre, pela sua paz, pelo perdão que pareciam transmitir e pelo amor que parecia querer ainda dar-me juntamente com uma mensagem JA NAO VALE A PENA Adeus para sempre pequeno ser--- nem tenho a consolação de pensar na vida para além da morte para ter a expectativa de te voltar a ter nos meus braços. Então, sim, inteiro, feliz como tinhas o direito de ser; com o meu cabelo na tua mãozinha escura . Descobrir-te e saber se eras um menino ou uma menina. De ti só me ficou o teu olhar sereno. O bendito DC 10 lá estava ainda a nossa espera depois de uma viagem por estradas e picadas impossíveis, barricadas, postos de controle e ultrapassados todos os desafios. Uma viagem de regresso de quatro dias para esquecer, escalas técnicas, olhares curiosos e incómodos e finalmente o chegar a casa com a decepção da MISSAO NAO CUMPRIDA A TI PEQUENINO SER PROMETO QUE TAMBEM POR TI IREI SEM RESERVAS A QUALQUER LUGAR NO MUNDO ONDE POSSA ALIVIAR O MEU ESPIRITO DO DESGOSTO DE TE TER DEIXADO PARTIR NÃO VALEI A PENA!!!

terça-feira, abril 29, 2008

Outra história sobre Angola, 1969…


Na época das chuvas, em Zala, a Norte de Luanda, as estradas ficavam praticamente intransitáveis. O quartel onde estávamos ficava inacessível às colunas de abastecimento que, mensalmente, traziam, desde Luanda, o que fazia falta aos cerca de 400 soldados. Passávamos algumas semanas em que o abastecimento era feito por aviões, que lançavam os caixotes com comida e outros bens necessários. Por vezes, o vento estava a favor do “inimigo”, presenteando-o com a carga dos pára-quedas desviados do alvo…Passávamos então dias e dias a comer salchichas com arroz!

Lembro-me duma altura em que, para nos deslocarmos 40 kms, até ao quartel mais próximo, situado na fazenda Madureira, demorámos uma semana, encontrando algumas vezes no lugar da picada, um caudaloso rio que fazia desaparecer grandes troços do caminho, transformado num pântano...


Nesses pântanos era frequente os veículos mais pesados ficarem atascados até aos eixos, o que significava um ou dois dias de atraso, gastos a salvar o viatura do atoleiro. Apenas esses veículos milagrosos chamados “Unimog” conseguiam passar aí, recorrendo ao guincho montado na frente. O cabo era preso a uma árvore na direcção do nosso destino e o guincho arrastava esses “burros do mato” para terreno seco.
Aliás, eu inventei um sistema de reboque utilizando dois ou três unimogues com guincho e algumas roldanas, conseguindo, ao colocar os cabos a puxar de várias direcções e alturas, retirar pesados camiões desses atoleiros. Lembro-me dum camião, marca “Magirus", creio, que fora dado como perdido, depois de as tropas de Engenharia munidas de bulldozers e gruas, terem desistido de o retirar.

Recorrendo aos guinchos dos “burros do mato”, conseguiu-se endireitar o camião e, depois, arrastá-lo para terreno firme. Claro que a carga, constando de, entre outras preciosidades, muitas garrafas de whisky, desapareceu misteriosamente. Consta dos relatórios que caiu nas mãos do “inimigo”, mas cá por mim, penso que o destino da carga foi outro, pois, também misteriosamente, muitos soldados, no resto do caminho, cantavam alegremente, tais eram as bebedeiras…
Quem também ficou muito contente foi o condutor e dono do camião, só faltou beijar-me os pés, agradecido…









sábado, abril 19, 2008

Platão era mesmo visionário!


"A penalização por não participares na política, é acabares a ser governado pelos teus inferiores"

A recente manifestação de professores veio levantar directamente a questão da democracia que temos: Muitos dos participantes na maior manifestação dos últimos anos se questionavam sobre o que tal movimento poderia fazer mudar na política do governo, considerando que nem com a oposição podem contar, pois esta é incapaz de perspectivar qualquer mudança.
As maiorias que nos governam já mostraram que não defendem os interesses da maioria da população portuguesa. O que impõe a questionação do tipo de democracia que temos.

Sim: As minorias podem ter razão! Representação proporcional e direito à palavra com tempo de antena mínimo.
Não: Método de Ondt (1), a chantagem do “Voto Útil”…

Sim; Na Grécia antiga, as decisões de governação eram discutidas pelos cidadãos no fórum.Cada um dava a cara pelas suas ideias, votando de braço no ar.
Não: Voto secreto (com excepção daqueles em que estão em causa indivíduos);
Qualquer um podia participar, responsavelmente: Pedia a palavra e apresentava as suas ideias livremente

Sim: Fundar um partido deve ser um acto simples, com a burocracia e garantias minimamente para identificar linha geral, representantes e responsáveis.
Não: exigência de grande número de assinaturas para fundar um partido.

Desse modo, ninguém pode argumentar que não participa na vida política por não existir nenhum partido que defenda os seus interesses – nessas condições, pode facilmente formar um. Requisitos mínimos: ter um programa e estatutos; corpos dirigentes e candidatos; Tesoureiro e conselho fiscal

Não: As campanhas eleitorais resumem-se a uma exibição de força, medida pelo custo dos meios utilizados e implicando gastos de muitos milhares de euros desperdiçados. E apenas se processam de 4 em quatro anos…
Sim: a campanha deve ser económica e permanente, assim como a possibilidade de eleição, substituição ou destituição dos deputados deveria ocorrer com frequência, pelo menos, anual.

(1) Método pelo qual a representatividade dos mais votados é ampliada à custa dos menos votados, desequilibrando a proporção a favor das maiorias, retirando expressão às minorias.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Sobre a Minha Guerra Colonial


No “Yahoo Answers” perguntaram sobre a Guerra Colonial. Ofereci-me para dar a minha versão, mandaram-me um questionário, deu isto. Como achei que o assunto era polémico, resolvi publicar, para ver se o pessoal alinha. Aqui vai:

Entrevista:

P: - Como se vivia em Portugal em período de guerra?
 
Os anos 50 conduziram a uma gradual melhoria de vida nas cidades, determinando um fluxo do mundo rural para a costa. Também marcam o início da emigração para a Europa, principalmente para Alemanha e França. Nos anos 60 já existia uma pequena burguesia urbana que, embora com sacrifício, conseguia por os filhos a estudar, alguns chegando à Universidade. Esses jovens tinham a ameaça da guerra colonial a pairar sobre as suas vidas. Eram contra a ditadura e contra a guerra!
 
P. – Entrou na guerra certo? Então como reagiu a sua família?


 Entrei na guerra, tal como todos os jovens da minha idade. O serviço militar era obrigatório e aqueles que não fugiam para o estrangeiro eram mobilizados para servir nos três teatros de guerra: Guiné, Angola e Moçambique. A perspectiva de ir para a guerra era dramática: Ninguém empregava um jovem que não tinha cumprido o serviço militar: Nenhuma menina queria namorar um jovem em vias de embarcar…rs!
As ideias pacifistas e democráticas entravam em conflito imediato com a perspectiva de servir numa guerra da iniciativa do regime ditatorial de então.

 
P: -Em que colónia portuguesa prestou serviço militar?

Em Angola, como alferes sapador.

P: -Em que ano «foi mobilizado» (isto é, partiu para essa colónia)?

Entrei para a recruta em Outubro de 1967, embarquei em Outubro de 1968 e regressei em Novembro de 1970

P: -Que idade tinha?

Em Novembro de 1970 fiz 24 anos.

P: -Quanto tempo lá permaneceu?

Cumpri 2 anos e 1 mês

P: -Em que lugares esteve «colocado»?

Estive inicialmente em Zala (zona de floresta equatorial a Norte de Luanda) e no segundo ano, em Catete (savana, perto de Luanda).

P: -Esses lugares eram zona de guerra?

Zala era zona 100% operacional. Catete era zona pacificada, embora sujeita a ataques esporádicos.


 P: -Havia muita diferença entre o armamento e o equipamento dos portugueses e o dos guerrilheiros?

 Em Angola e em Moçambique, os guerrilheiros estavam mal armados. Na Guiné, os guerrilheiros tinham armamento sofisticado, incluindo mísseis terra-ar, ameaçando praticamente derrotar o exército português.

 P: -Participou nalguns combates?

Como sapador, as minhas funções eram de lançamento de campos de minas defensivos e levantamento de minas e armadilhas, construção de estradas, pontes e instalações diversas. Sofri no entanto alguns ataques, sendo um particularmente grave pois fiquei sobre o fogo directo dos “terroristas” – nome dado então aos guerrilheiros, chamados de “Turras” pelos tropas.


P: -
Se sim: Pode descrever algum dos combates em que participou?

O ataque mais grave que sofri deu-se nas imediações do quartel, numa colina a cerca de 500 metros da vedação de arame farpado.
Fui surpreendido quando descia, desarmado, ao encontro dos meus soldados que foram apanhar lenha para fazer a comida. Ouvi um primeiro Ziim-PAC Pum – tiro que bateu bem perto! Corri desesperadamente colina acima procurando abrigo, perseguido por mais três Ziiim-PAC Pum, correspondentes a mais três tiros que acertaram no chão, a cerca de 1 metro de mim. Sorte os guerrilheiros terem má pontaria, pois estavam emboscados a cerca de 250 metros! Como resposta, os soldados de sentinela começaram a disparar freneticamente e eu, no meio daquilo, receando ser apanhado pelos dois fogos, atirei-me para um buraco e lá fiquei até que
os nossos soldados me foram buscar! Ninguém sai desta experiência igual ao que era dantes…!
 
P: -O que o impressionou mais na guerra colonial?


 A contradição entre a beleza da floresta e os perigos que ela escondia; O facto de a maior parte das mortes ser devida a acidentes – das 11 mortes no nosso batalhão (uns 700 homens) apenas 5 foram devidas à acção directa do inimigo. 

P: -Acha que a participação na guerra colonial influenciou a sua vida? 

Sim; a tensão, medo e isolamento a que estive sujeito durante aqueles anos me deprimiram a ponto de andar os 20 anos seguintes a tomar calmantes e anti-depressivos.

P: -Tem fotos da sua permanência no ultramar?

Ver foto a seguir, mostrando os componentes duma armadilha explosiva que eu levantei.



P: - Como se sente depois disto?

Agora, a minha idade me fez perceber muita coisa da vida, da guerra e da paz. Estou tranquilo e sem comprimidos, esperando que um dia o Ser Humano evolua o suficiente para viver sem guerra e sem exploração, tentando fazer o que estiver ao meu alcance nesse sentido.
 
P: -Pode-me dizer uma visão Global desta guerra?


 Hipocrisia! Na verdade, os povos das colónias estão agora pior do que estavam no tempo do colonialismo. A treta do anti-colonialismo foi apenas um estratagema, sob a capa dos mais nobres ideais da autonomia e libertação dos povos, para transferir para as grandes potências o saque e rapina feitos pelos países mais fracos, como, neste caso, Portugal. Agora, o grande capital internacional explora África através de dirigentes africanos corruptos, sem outros países intermediários…

segunda-feira, dezembro 10, 2007

A Bilha Rachada

As línguas (ai!...) têm destas coisas: Então, o chinês... Enfim, quero dizer, tradutore traditor, entre pôr uns quantos dos meus amigos a dar todo o tipo de conotações ao título, e a fidelidade ao texto (inglês) de onde tirei esta história, eu opto pela fidelidade. Aos meus amigos taradinhos e ao texto original. Bom, original inglês, porque o chinês... Procurei saber de onde vem o texto, concluí que será de contos tradicionais chineses, não terá um autor conhecido. No entanto, para não ferir direitos de autor e dar o seu a seu dono, pesquisei parte do texto inglês e encontrei esta história em... mais de 9.000 entradas! O texto é mesmo bom! Ora vejam a tradução que fiz e estejam à vontade para criticarem, se acharem que o devem fazer.


A BILHA RACHADA

Uma velha chinesa tinha duas grandes bilhas que transportava penduradas em cada ponta duma vara que levava aos ombros.
Uma das bilhas tinha uma racha e, enquanto a outra estava intacta e levava toda a sua porção de água até ao fim do longo caminho da ribeira até casa, a rachada chegava só meio cheia.

Durante dois anos inteiros foi assim todos os dias, a mulher a levar para casa apenas uma bilha e meia de água. A bilha inteira, claro, estava orgulhosa do seu desempenho. Mas a pobre da bilha rachada estava envergonhada pelo seu defeito e triste por só poder cumprir metade daquilo para que fora feita.

Depois de 2 anos daquilo que entendia amargamente ser uma falha, um dia, junto ao ribeiro, a bilha falou à mulher: “Tenho vergonha de mim própria porque a racha do meu lado faz a água sair ao longo de todo caminho para casa”.

A velha sorriu: “Reparaste nas flores que estão do teu lado do caminho e não do lado da outra bilha?” “É porque eu sempre soube dessa tua deficiência, por isso semeei, do teu lado do caminho, as flores que tu regas, todos os dias, quando regressamos. Assim, há dois anos que apanho essas lindas flores para enfeitar a mesa. Se tu não fosses assim como és, não haveria na casa a graça da sua beleza”.

Cada um de nós tem o seu defeito. Mas são as falhas e fragilidades de cada um que tornam as nossas vidas no seu conjunto tão interessantes e gratificantes. Temos que tomar cada um do modo que ele é e ver o seu lado bom.

PORTANTO, meus amigos bilhas rachadas, tenham um dia maravilhoso e não se esqueçam de apreciar as flores que crescem do vosso lado do caminho!

segunda-feira, novembro 19, 2007

GRANDE LIÇÃO...

Olá! Depois duma crise prolongada de preguiça e enquanto vou ganhando fôlego para mais elucubrações, traduzi isto do inglês, não sei quem é o autor...que acham?

Um rapaz de 10 anos decidiu estudar Judo apesar de ter perdido o braço esquerdo num terrível acidente de viação. Começou a ter lições com um velho mestre de Judo.
Estava a aprender tudo muito bem de maneira que não conseguia perceber porque, passados três meses de treino, o mestre apenas lhe tinha ensinado um golpe. E o rapaz acabou por lhe perguntar: “Sensei, eu não devia estar a apren-der outros golpes?”
“Este é o único golpe que sabes, mas é também o único que precisas de saber” respondeu-lhe o mestre.
Sem perceber muito bem mas acreditando no mestre, o rapaz continuou a treinar. Vários meses mais tarde, o mestre levou-o ao seu primeiro torneio.
Para sua grande surpresa, o rapaz ganhou facilmente os primeiros dois combates. O terceiro revelou-se mais difícil, mas depois de algum tempo, o seu adversário ficou impaciente e atacou; o rapaz aplicou o seu golpe com destreza e ganhou o desafio.
Ainda espantado com o seu êxito, o rapaz chegou às finais. Desta vez, o seu opositor era maior, mais forte e experiente. Por um bocado, o rapaz pareceu derrotado. Com medo que o rapaz se pudesse aleijar, o árbitro declarou um empate técnico. O desafio ia acabar quando o mestre inter-veio.”Não”, insistiu, “deixem-no continuar.”
Pouco depois do recomeço do desafio o seu adversário cometeu um erro crítico: baixou a guarda. Logo o rapaz aplicou o seu golpe para o apanhar, ganhando o torneio. Era o campeão!
De volta a casa, o rapaz e o Sensei estiveram a rever cada jogada de cada desafio. Aí, o rapaz ganhou coragem para perguntar ao mestre o que lhe ia na cabeça:
“Sensei, como é que eu ganho um torneio apenas sabendo um golpe?” “Ganhaste por duas razões,” respondeu o mestre. “Primeiro, porque dominaste na perfeição um dos golpes mais difíceis do Judo. E segundo, porque a única defesa conhecida desse golpe é o adversário agarrar o teu braço esquerdo.”

A maior fraqueza do rapaz tornou-se na sua maior força!

“Por vezes sentimos que temos uma certa fraqueza e culpamos deus, as circunstâncias ou nós próprios por isso, mas esquecemos que as nossas fraquezas se podem, um dia, tornar forças. Cada um de nós é especial e importante, portanto nunca devemos pensar que temos algum ponto fra-co, devemos ignorar orgulho ou dor do mesmo modo, devemos viver a vida ao máximo e tirar dela o melhor partido possível!”

segunda-feira, julho 16, 2007

Intervalo Para Arrefecer

Ainda para arrefecer os neurónios de alguns comentadores(as), junto agora a tradução, de minha autoria, dum texto sobre corrida e ioga.

Entretanto, dou com um interessante comentário da Alexandra, mas acho melhor retomarmos a "Reflexão" quando os ânimos arrefecerem. É que ainda alguém rebenta um fusível por culpa das "elucubrações"...

Esta tradução trata da aplicação de posturas de Ioga à corrida de fundo - Podem crer que funciona!
Mas há aqui algumas questões polémicas... o que faz o corpo avançar? É o movimento de torção da bacia…? O movimento das pernas serve apenas para suster o corpo no seu avanço? Que acham?


IOGA PARA CORREDORES DE FUNDO
Truques Para Aumentar a Capacidade do Corpo e Mente no Dia da Corrida

Por Amanda Junker

Fazer ioga durante a maratona não implica fazer a “Saudações ao Sol” no meio da mul-tidão atrás da linha de partida nem fazer a “Posição do Cão” na meta. Trata-se apenas de aplicar uns pequenos truques que se aprendem na aula de ioga, como usar os princípios de certas posições de ioga e praticar exercícios mentais a cada quilómetro. Fazer isso ajuda a prevenir lesões e a dar o máximo na corrida.
“Quando se aplica a filosofia holística do ioga à corrida, na realidade transforma-se a corrida, de desporto, a uma prática espiritual” diz Danny Dreyer, autor de Chi Running. “Muitos correm com uma mentalidade de a-mente-manda-o-corpo-obedece – chegam à meta seja lá como for – mas o trabalho do corpo-mente em condições é com o corpo e mente a trabalhar em equipa.” Levar a prática do ioga do tapete de 1 metro por 2 para um percurso de 42 quilómetros ajuda a descobrir essa sinergia corpo-mente e garante uma boa recuperação.
Estas 7 dicas ajudarão a pôr o seu sangue a fluir para todos os músculos e a garantir que mantém a postura correcta e que protege as articulações (aliviando a compressão) apesar das horas seguidas de pés a bater no asfalto. Isto melhora a forma física, multiplica a resistência e, o mais importante, eleva o jogo mental a um novo nível que ajuda a chegar ao fim com força e pronto para a próxima corrida.

Posição na linha de partida

Centrar-se e evitar que o corpo fique rígido enquanto se espera pelo tiro de partida, apertado no meio da multidão, com a posição de “Pé Equilibrada” (Tadasana). “A Posição de Pé Equilibrada ajuda a realinhar o corpo” diz Christine Felstead, fundadora do “Yoga for Runners” em Toronto. Diz ela que gastar uns segundos a respirar fundo com os pés fincados no chão ajudará a acalmar a mente e a assentar o corpo antes de começar a corrida. Devemos recordar esta postura ao correr. Manter os ombros descontraídos e o peito elevado ajuda a esticar a coluna, reduzindo a tensão excessiva.

Fazer o seguinte: De pé, com os pés afastados à distância dos ombros, abrir os dedos dos pés dentro das sapatilhas o mais que se puder. Manter as pernas direitas e contrair os quadricipes. As ancas ficam na posição neutra com o cóccix a apontar para o chão. Concentrar-se em fincar os pés e pernas no chão, ao mesmo tempo que se endireita a coluna e os flancos. Imaginar que se está a colocar todas as articulações que suportam o peso do corpo umas, por cima das outras – Os ombros sobre as ancas, as ancas sobre os joelhos, os joelhos sobre os tornozelos. Depois, puxar os ombros para baixo, com os braços ao lado do corpo. Sentir o alto da cabeça a subir e o pescoço a esticar. Aguentar assim por três profundas respirações completas. Soltar a tensão dos ombros esticando os braços por cima da cabeça.

Corrigir o Corpo

Correr com consciência significa estar sintonizado com o corpo ao longo da corrida. “Usem as marcações dos quilómetros como despertadores para verificar a postura, respiração e qualquer tensão no corpo”, diz Dreyer. “É como carregar no botão de “actualizar” no computador, voltar a estar fresco como no princípio da corrida, a cada quilómetro”. Verificar como se está e adequar-se logo desde o primeiro quilómetro evitará que se rebente ao quilómetro 27 ou 32. Quando se verifica como está o corpo, se se acha que se está sem fôlego ou tenso deve experimentar-se fazer a respiração ou adoptar as técnicas de postura a seguir descritas.

Correr Como Um Guerreiro

“Quando se corre curvado, perde-se até 30% da capacidade pulmonar”, afirma Dryer. Mantenha-se um bom fluxo de ar, erguendo bem a coluna ao correr. Levantar a cabeça como se puxada por um fio, como na “Postura do Guerreiro”.

Torcer

Na verdade, é a contra-rotação entre as ancas e os ombros que faz mover as pernas na corrida. Deixar o pélvis rodar torna a passada mais fluida e melhora a resistência pois reduz a energia gasta no movimento. “Lembrar-se da “Torção Sentada” do ioga, em que as ancas estão fixas e se roda a parte superior do corpo”, diz Dreyer. Então, na corrida, é fazer o inverso: A parte superior do corpo fica estacionária e é a parte inferior que se deixa rodar”, diz. Esta rotação cria um efeito elástico com os ligamentos e tendões a fazer a torção da espinha voltar à posição neutra, fazendo assim mover os braços e pernas. O resultado desta acção não-muscular é uma muito sensível redução no nível de esforço, porque ela é extremamente eficiente sob o ponto de vista energético. Os ligamentos e tendões não requerem oxigénio nem glicogénio, portanto, ao correr, produz-se menos ácido láctico poupando o tecido muscular que assim não é destruído, reduzindo-se o tempo necessário para a sua recuperação.

Não perder tempo: Expirar!

A respiração é a reacção do corpo ao esforço. Pode dar indicações de ineficiência, esgotamento ou até mesmo indicar que está na altura de acelerar a passada. Estar em forma e treino são a base da nossa capacidade de correr, mas adequar a respiração pode aumentar os resultados. Segundo Dryer, “Se se está com falta de fôlego, não é porque não se inspira ar suficiente, é porque não se expira suficientemente rápido”. Respirar com o diafragma pode ajudar, se se fizerem fortes expirações, libertando os pulmões para a entrada de ar fresco.
Fazer assim: Pôr a mão no umbigo. A seguir a uma inspiração, soprar, empurrando a barrica para dentro. Depois, inspirar pelo nariz. Se, durante a corrida, custar a respirar só pelo nariz, tudo bem, respirar pela boca, mas é de experimentar das duas maneiras para perceber a diferença.

Descontrair

Ao correr, como no ioga, os músculos estão fortes, mas soltos. Procurar ficar tão descontraído na corrida como quando se está a fazer ioga. Os músculos descontraídos absorvem o oxigénio do sangue como uma esponja – e o oxigénio é o que mantém os músculos a trabalhar e o corpo a correr.

A “Posição do Cão”

Para reduzir a rigidez pós maratona, as posições do Ioga proporcionam alívio mais completo e rápido do que os alongamentos tradicionais. “Não há nada melhor que a “Posição do Cão Virada Para Baixo”, diz Felstead. Estica os músculos das pernas, os tendões e as costas”. Estirar, logo a seguir à corrida, os três grupos musculares que trabalharam tantas horas, vai minimizar o dorido do dia seguinte.

Fazer o seguinte: Pôr as mãos no chão, afastadas à distância dos ombros. Abrir bem os dedos, esticar descontraidamente os braços. Dobrar as pernas de modo que as canelas fiquem quase paralelas ao chão. Depois, tratar de afastar as ancas o mais possível das mãos ao mesmo tempo que se ergue o rabo e se forçam as pernas atra-vés dos quadricipes para as esticar. Fica-se nesta posição durante 5 ou 6 longas e pro-fundas respirações completas. Terminar na “Posição da Criança” para aliviar o fundo das costas. Se necessário, repetir isto três ou quatro vezes.

E agora que arrefeceram, preparem-se para voltar a elucubrar comigo...Os sobrevientes!

domingo, julho 15, 2007

...Para Desanuviar...

Bom, bom, bom, bom, bom...

…Lógica da batata, complicações...

Pelos vistos, há camaradas a queimar os neurónios com estas elucubrações...

Do Dicionário de Língua Portuguesa:
"ELUCUBRAÇÃO - O mesmo que lucubração: Vigília; trabalho intelectual feito pela noite adiante; (por extensão) meditação profunda, cogitação profunda"

Então, para desanuviar, vamos fazer um intervalo. Perda de tempo por perda de tempo, façam lá este teste, tirado dum e-mail que recebi:


O gato

Teste de leitura veloz

Realizado na Universidade de Coimbra para quem vai ingressar no curso de Linguística.

Tente ler sem errar.

O gato assim fez
O gato é fez
O gato como fez
O gato se fez
O gato mantém fez
O gato um fez
O gato anormal fez
O gato ocupado fez
O gato por fez
O gato quarenta fez
O gato segundos fez

Agora leiam somente a terceira palavra de cada uma das frases e ... não
Resistirão à vontade de reenviá-lo.

quinta-feira, julho 12, 2007

REFLEXÃO IV

Agora é a vez da Marcinha:
Quando digitamos o código do nosso cartão Multibanco, confiamos nas possíveis 10.000 combinações. No entanto, as hipóteses de perdermos ou de nos roubarem o cartão, conjugadas com as de quem, tendo-o na mão, o usa digitando um número aleatório e acerta, como se podem quantificar? Serão de uma em dez milhões ou mais, mas, seguramente, muitíssimo maiores do que a de esbarrarmos na rua com o nosso clone exacto…! Quer dizer q a Marcinha vai a correr tirar o dinheiro do banco e escondê-lo debaixo do colchão?

E quem diz que a impressão digital é única? Acaso já testaram todas as impressões digitais de todos os seres humanos que existem, existiram e existirão?

No fundo, estamos a falar no plano prático. Os parâmetros definidores dum ser humanos poderão, de facto, ser infinitos, pois dentro de cada célula, de cada nossa molécula, de cada átomo, poderão existir universos completos de outra dimensão, com estrelas, planetas, enfim, como as caixas de bonecas russas, umas, dentro de outras, dentro de outras, ad infinitum….
Portanto, aí, na fórmula estatística, teríamos infinito sobre infinito, o que não dá zero, dá um indeterminação.

Mas no mundo real, usando apenas os parâmetros do observador normal, ainda que munido de microscópios poderosos, teríamos sempre um número finito de parâmetros, o que dá zero, na fórmula estatística. Ou seja, os clones de que falo, seriam, em rigor, diferentes ou indeterminados, num plano espiritual, infinito, mas iguais, no plano físico, prático, humano…
Espero que tenha deixado claro em que planos acho que podemos dizer que cada ser humano é único e irrepetível ou que é apenas apenas mais um no meio de uma infinidade de outros iguais.

Curioso, meus amigos, vocês são seres cuja função aqui é despertar em mim mais elucubrações que podem não ser minimamente aquelas que vocês vêm levantar…
O Manel, por exemplo, com o seu comentário meio brincalhão, fez-me formular a hipótese do espírito ir buscar algures no espaço e no tempo infinito os nossos fac-similes e alinhá-los numa história de vida, definida pelas sucessivas decisões que vamos tomando…

Agora a Marcinha, com a mais simples questão que levantou, no comentário à “Reflexão II”, ajuda-me a resolver uma fragilidade insuspeitada na minha tese que me persegue desde que a postei, como um fantasma monstruoso: Será que, de certeza, existe algures, no tempo ou no espaço, um Álvaro de três cabeças?

Pergunta ela no seu comentário:
aproximar-se de 1 não é igual a 1, não é mesmo?”
O que significa um valor de inteiro (por maior que seja) sobre infinito tender para zero? Qualquer valor de parâmetros que se determine será dividido por infinito, dando zero. Mas TEM QUE SE DETERMINAR esses parâmetros antes de afirmar que dá zero. E isso é importante, pois se o valor fosse zero, sem mais, poderíamos afirmar que, de certeza, existirá algures, no tempo e no espaço infinitos, um Álvaro igual a mim mas… com três cabeças! Para fazer esse teste, tínhamos primeiro que determinar os parâmetros desse homem e, como a natureza, pela sua própria lógica de funcionamento, não pode criar homens com três cabeças, não saberíamos determinar o valor a colocar no numerador daquela fórmula, daí, não a podermos aplicar, não podendo afirmar de certeza que existe um Álvaro com três cabeças…

…Ufa! Que susto! Agradeço então à Marcinha por ter posto aquela questão, pois ajudou-me a libertar-me deste pesadelo horrível!

...E a Alexandra também despertou em mim outro verme elucubrador… Veremos isso talvez na próxima postagem.

domingo, julho 01, 2007

REFLEXÃO III



Esta é mais para responder às questões postas.

Claro que tudo o que aqui escrevo vem com um grande ponto de interrogação. E tenho pena de não haver mais gente a comentar, pois de cada comentário surgem novas questões levando ao aprofundamento do tema. Mas, Mea Culpa, como podem as pessoas vir cá espreitar o blog se só aparece algo novo de 30 em 30 dias?

Quanto à questão da repetição de pessoas, direi mesmo que o número de repetições não será um nem dois, mas mais que triliões!
Na verdade, por muito grande que seja o número de itens necessários para definir alguém, desde que sejam em número finito, a probabilidade de ocorrência repetida é sempre calculada um número infinito de vezes, o que dá sempre resultado igual a 1, ou seja, CERTEZA!

No caso do nosso comentador Manuel, na verdade direi que não há apenas uma repetição dele, mas uma infinidade delas e com uma infinidade de variantes!
Ou seja, há um Manuel que quer beber um copo com um outro fac-símile, mas há um que não quer; um, que quer beber um copo de tinto; um, que quer beber um copo de branco; um, que quer beber um sumo de laranja, outro, que é abstémio, etc., etc., etc...
Façam as contas usando as fórmulas do cálculo de probabilidades e comprovem…

Agora, posso suscitar outra questão a partir daqui:
Se o espírito é omnipotente (será uma fracção de Deus, mas uma parte de poder infinito também é poder infinito), então, pode viajar livremente no tempo e no espaço (e também fora do tempo e do espaço). E pode ocupar e manipular as concretizações humanas… Então, quem me diz que cada um de nós, enquanto mero mortal, não passa duma sucessão contínua de “Maneis”, que o espírito, consoante as decisões que toma, vai recolhendo de algures no tempo e no espaço e alinhando numa história de vida?
Aqui, meus amigos, ponham um ponto de interrogação MUITO GRANDE, até porque isto não posso provar estatisticamente…ou posso?

Resumindo: pois se o Manuel quer tomar um copo com o seu outro eu, será fácil: basta tomar a decisão de encher um copo de bom tinto alentejano, e bebê-lo...!

A resposta à Marcinha virá mais tarde, espero que em breve. Para já só adianto esta pergunta: Mas não somos, nós todos, o mesmo em Deus?

domingo, junho 03, 2007

REFLEXÃO II

Até que enfim!
Muitos dos meus amigos me mandaram mensagens regulares perguntando quando acabaria de reflectir…!
Na verdade, nunca, mas há duas razões para só agora aqui vir: Uma, a falta de tempo (há compromissos mais prementes na vida, afinal isto não passa de um blog…); Outra, é que eu estava à espera de críticas, outras opiniões, nomeadamente do meu amigo Zen…Que, pelos vistos, ainda está mais ocupado que eu!
À falta de mais críticas, aqui vai a Reflexão II propriamente dita:

Lembram-se dos “exercícios preparatórios” propostos na Reflexão I?

“Como preparativo, sugiro-te o seguinte:
- Veres o filme 2001 – Odisseia no Espaço (se já o viste, recorda-lo);
- Ires ao "Trance Dance" na tarde de Domingo (para entrares em transe...LOL);
- Recordares o texto no meu blog sobre "Corrida Mística".”

Bom, como o pessoal anda todo muito ocupado e provavelmente não foi rever o filme, terei que ser eu a recordar a parte relevante. Aqui nesta parte de reflexão, apenas vou falar sobre o primeiro exercício, o resto virá outro dia, espero que em breve.

Logo no início do filme, há um bando de macacos que vai beber água a um charco. Depois de comer e beber, aninham-se aí para passar a noite. De manhã, ao acordarem, os macacos assustam-se com a presença no local de um monólito que sem se saber como, aparece espetado no local…
Uma placa negra, enorme, dum metal estranho, de superfície lisa, rigorosa e dura… Os macacos rodeiam-na à distância, temerosos, surpreendidos. Um estranho poder parece emanar daquele objecto. Um macaco mais afoito, ousa aproximar-se, mas logo recua, receoso. Os outros macacos vão-se aproximando, novas inspecções do objecto e um dos macacos acaba mesmo por tocar no monólito, ainda que fugazmente…
Mais tarde, após várias abordagens ao monólito, chegam ao ponto de toda a família de macacos tocar aquele objecto poderoso, a sua vibração envolvendo todos os símios, como que os abraçando.

Pouco depois, um dos macacos aprende a usar um osso como ferramenta e arma… estava dado o salto para o ser humano, aquela família de macacos seria então o elo perdido (pesquisem na net), enfim, os bichos tinham ganho inteligência!

Pois é assim que sinto deus, perdão, Deus…
Algo perfeitamente tangível, que nos dá força … que, em cada vez que o tocamos, nos retribui com mais paz, mais coragem, mais iluminação. Explicarei melhor nas próximas partes desta Reflexão II…

…E agora, vejam lá mais esta, mais uma que encuquei:

Tudo o que caracteriza fisicamente uma pessoa, incluindo elementos que lhe são externos, como as circunstâncias que determinam o seu ser material, pode ser, teoricamente, claro, determinado e caracterizado por um conjunto finito de elementos, obviamente, muito grande, diria mesmo, enorme…

Qual a probabilidade de cada um desses elementos ocorrer de per si? Poderá teoricamente, avaliar-se, dependendo dos instrumentos estatísticos de que dispomos e do nosso conhecimento sobre o assunto. A probabilidade poderá ser muito pequena, mas constitui um valor finito. Por exemplo: A probabilidade de usares hoje um chapéu é de 10/365 (se usas apenas o chapéu dez dias por ano) ou seja, 2,7% ou 0,027 aproximadamente. E se chover no sítio onde estás, 60 dias por ano, a probabilidade chover num dia será de 17% aproximadamente, ou seja, de 0,17…

…E qual a probabilidade de ocorrerem simultaneamente, dois desses acontecimentos? Será uma probabilidade menor, expressa pelo produto da probabilidade de cada um. Por exemplo, a probabilidade de usares chapéu e de chover, segundo as regras da estatística, calcula-se multiplicando uma probabilidade pela outra o que neste caso, dá 0,0045, ou seja, 0,45%
E quanto mais conjugarmos acontecimentos, calculando as probabilidades acumuladas de ocorrências simultâneas, mais pequena é a probabilidade resultante. Por exemplo, qual a probabilidade de num determinado dia usares chapéu, chover, comprares um livro, encontrares um amigo e esse amigo usar uma gravata verde? Certamente, que aqui a probabilidade é mesmo muito pequenina…

Imaginemos então quão ínfima será a conjugação de todas as circunstâncias que determinaram o que cada um de nós é hoje! A probabilidade conjugada da nossa existência neste mundo real será expressa por zero, vírgula, muitos zeros, mas algures aparecerá um número… Ou seja, há um número finito que representa a probabilidade de sermos o ser humano que somos...

Agora, a pergunta fatal:
Acreditam que o cosmos é infinito no tempo e no espaço? Então, qual é a probabilidade de ocorrer uma repetição algures, no tempo e, ou, no espaço, de um ser igual a nós? Pensem bem…

Vamos ver o que nos diz a estatística: a probabilidade de, lançada uma moeda uma vez, cair cara, é de 50%, verdade? E em dois lances? Será 50% mais 50%, ou seja 100%? Ora, 100% ou 1, em estatística, significa certeza e todos nós sabemos que não é certo que saia uma vez, cara, em dois lançamentos…
Na verdade, a probabilidade calcula-se somando as duas probabilidades e subtraindo o seu produto, o que dá, naqueles dois lances, uma probabilidade de 0,75 ou seja, de 75%... Em três lances, a probabilidade de sair cara uma vez é de 87,5 %, em 4 lances, de 94% aproximadamente e por aí fora, sempre crescendo e aproximando-se de 1, que significa certeza…

…Então, aquelas circunstâncias que nos caracterizam como pessoa individualizada neste mundo real, num número infinito de tentativas, terá que ocorrer… DE CERTEZA!

Teremos então que admitir que algures, no tempo e no espaço infinitos, existe outro indivíduo igual a cada um de nós, com o mesmo nome, a mesma roupa, a mesma família, tendo as mesmas habilitações literárias, passaporte (incluindo os mesmos carimbos de países visitados)!!!!...

…E esta, heim?

domingo, abril 01, 2007

REFLEXÃO I

Do blog da Ana Pereira, tirei isto (vejam no blog dela, o link está aqui à esquerda):

(…) Queria acreditar num Deus para lhe pedir protecção, e para dar alento, esperança e salvamento a quem já se vê a braços com este drama. Mas não tenho em que acreditar (…).

E comentei:

"Comovente, o teu relato, pelos sentimentos que revela...Mas pensa bem, Ana, se "Deus" é aquilo que tudo determina e influencia, e se acreditas que tudo influencia tudo e está relacionado com tudo, então "Deus" é...TUDO! Procura então o Deus que tu também és!"

O Zen (blog ao lado), leu e mandou-me um mail:

(…) Diz-me, qual é a tua visão do divino? Sentes Deus? De que forma? Professas alguma fé? (…)


Como resposta, pedi-lhe para fazer alguma preparação prévia:

“Como preparativo, sugiro-te o seguinte:

- Veres o filme 2001 – Odisseia no Espaço (se já o viste, recorda-lo);
- Ires ao "Trance Dance" na tarde de Domingo (para entrares em transe...LOL);
- Recordares o texto no meu blog sobre "Corrida Mística".”


E agora, respondo-lhe directamente aqui no meu blog, mas esperando trazer ao tema, à conversa e à polémica, mais passeantes que aqui, na minha praia, venham a desembarcar:

Antes de passar a responder àquelas perguntas iniciais que colocaste, e sempre pressupondo que vais praticando aqueles “exercícios preparatórios” que te recomendei acima, passo a responder à outra questão que colocaste na tua última mensagem:

“ (…) Dei por mim a navegar “ noutras latitudes” da consciência e isso trouxe-me alguma paz (…) Como interpretar tudo isto sem tropeçar numa condição alienada de interpretação da realidade? (…)”

Zen, percebo perfeitamente o que sentes. É que eu nem baptizado sou, fui ateu fundamentalista até aos meus 45 anos, e depois comecei a fazer essa mesma interrogação…
Curioso, alguns católicos praticantes começaram a fazer a pergunta inversa e deixaram a Igreja!

Comecemos por aí: A Igreja tem sido usada pelos homens para manipular a fé dos crentes a favor dos poderosos – Dan Brown, um escritor que admiro pela sua imaginação e, muito mais, pela sua coragem, denuncia esse mecanismo diabólico no seu Código de Da Vinci, livro muito falado, mas pouco compreendido na sua mensagem de regeneração e emancipação religiosa, aspectos sistematicamente ignorados pelos Media, dos jornais ao cinema, passando pela crítica literária. Como convém ao sistema…!

Pois a Igreja, ao longo de séculos apoderando-se de palavras e conceitos, afastou o homem comum de qualquer possibilidade de elevação religiosa. A religião tem uma vertente Transaccional e outra, Transformacional. A primeira, acompanha e suaviza a vida, a segunda, eleva o homem para além da vida, fazendo a re-ligação com as esferas superiores, re-ligação donde vem o nome religião. A primeira, é o baptismo, primeira comunhão, missa aos Domingos, leitura estática da Bíblia (de preferência em Latim, como quer o novo Papa), prece, confissão, penitência, casamento, extrema-unção. A segunda, é o exemplo dos grandes Místicos, de Cristo, de S. Tomás de Aquino, da Madre Teresa de Calcutá…

Ou seja: O que afasta as pessoas de pensar em transcendências dessas, é a Igreja que conhecemos, pois monopolizou os conceitos, até as palavras, e como te posso eu agora falar em Deus sem que vejas um velhinho de túnica e barbas brancas? Sem que te lembres das orações que te obrigavam a papaguear na catequese? Das leituras estáticas e obscurantistas da Bíblia? Das beatas falsas? No cardeal Cerejeira? Da inquisição? Das populações embrutecidas ou fanáticas?

Pois é, primeiro, temos que perceber este lamaçal e denunciá-lo, limpar as palavras e conceitos, para então podermos pensar livremente e sem medos de fantasmas…

Até à próxima reflexão.

segunda-feira, março 19, 2007

Postagem Politicamente Incorrecta...

Já vou ficando farto das críticas que fazem aos nossos políticos… Parece que descobriram a pólvora! Há quantos anos andam a “descobrir” que eles não passam de títeres e oportunistas sem escrúpulos, ao serviço do poder económico e, cada vez mais, do financeiro, global?
E muitas vezes tais críticas vêm “fulanizadas”, como se um indivíduo pudesse determinar os mecanismos do sistema. Salazares? Hitleres? Pinochetes? Passeiam-se por aí centenas deles e são inofensivos… O problema é quando são arvorados em Líderes quando tal convém ao grande capital financeiro internacional e quando afinal, as suas “maldades” são, consciente ou inconscientemente, toleradas e, até, suportadas por todos nós!
Eu penso sempre se quem faz essas críticas, não será parvo, ingénuo ou oportunista, quando as faz sem denunciar

O Monstro Difuso

Nascido algures na bruma de outras eras
Diferente eu sou de todas as quimeras
De todos os dragões alados do levante
De olhos sanguíneos e boca flamejante
De todas as serpentes astutas e infernais
De lendas bolorentas e ancestrais
Da Hidra de Lerna de cabeças várias
De todos os mostrengos e todas as alimárias
Não sou delírio vão, nem grito de profetas
Nem génio de pintor, nem sonho de poetas
Mas sou realidade…e impossível
Será que exista outra mais terrível
Meus braços, invisíveis e diferentes
De todos os monstros, de todos os viventes
São os vossos braços…e vos digo mais
Ando com as pernas com que vós andais
Depois que percorri os séculos um a um
Cheguei enfim aqui… a lado nenhum
Tive pais, padrinhos e parentes
Sou filho de sábios, génios e valentes
Usei chapéu alto e usei gravata
Fui socialista e fui fascista, fui padre e fui pirata
Esclavagista e liberal, anarquista e democrata
Meu nome, não importa, minha missão é esta
Sou do mundo a derradeira besta
A Lei morreu, a Ordem se esfumou
E a Nova Ordem é a desordem que eu sou
O Absurdo total, o Crime do mundo
O pântano e a voragem onde me afundo
A miragem doirada de toda a podridão
O Tartufo supremo da Civilização
A tragédia que avança…o lamaçal
A flor sublime da estrumeira global
Em mim, a paz e a guerra são iguais
Dar-vos-hei a que achar que vale mais
E caso valha mais a gente morta
Que morra quem morrer que eu não me importa
Arrancarei olhos, rins e corações
A gente sadia em troca de milhões
E em troca de milhões farei também
A Justiça e a Lei que me convém
Lançarei no lixo o pão que não se come
Enquanto for matando o mundo à fome
A corrupção será sempre o meu estandarte
A minha vida, a minha força, a minha arte
Depois que reduzi o mundo à escravatura
Vos grito a liberdade, o progresso e a fartura
Porque também a própria linguagem
Serve os meus interesses e traz a minha imagem
Mas tudo o que eu prometo é canto de sereias
Porque só a guerra me percorre as veias
Esse monstro que devora inocentes
São as minhas garras, a força dos meus dentes
É o desespero do monstro condenado
A morrer matando quem não é culpado
Farei prostitutas e drogados aos milhões
Porque eu próprio sou a droga das nações
Nações que, no fundo, não passam de utopia
Porque não há fronteiras na minha hegemonia
Sou o desespero que cada um transporta
A vida desiludida que já nasce morta
Sou eu o Terrorismo, a última invenção
Dos génios do Mercado p’ra minha salvação
Sem terrorismo, anti-terrorismo, fome e guerra
Não poderei eu, um minuto mais, habitar a Terra
Não sou americano, nem árabe nem judeu
Não sou homem-bomba, nem crente, nem ateu
Sou apenas eu, e ninguém mais forte
Poderá deter-me a não ser a morte
Até na paz breve que a vida vos consente
Farei eu morrer milhões de gente
Porque eu sou a morte e não sou a vida
Sou o aborto, o anti-aborto, a pedofilia e a sida
O desemprego e a falência, a insegurança e as prisões
Os Tribunais, o Direito a Justiça e os Ladrões
E sou ainda na gíria universal
O Iluminismo, a Civilização e a Moral
Sou mil polícias a cada esquina da cidade
Obedecendo cegos à minha vontade
Sou a democracia e a modernidade
Sou o dinheiro e o Mercado. Sou o Valor
Não tenho pátria, nem raça, nem cor
Todos os deuses antigos e modernos
Todos os paraísos e todos os infernos
Pobres e ricos, palhaços, presidentes e reis
Têm um valor… e esse Valor são as minhas leis
Nada tenho de humano, sou cego, surdo e mudo
Indiferente à dor, à guerra à morte, a tudo
Sou o Valor global, real e soberano
Que transforma em besta cada ser humano

Leonel Santos
Lisboa, Março de 2004
Este poema, foi feito por um Poeta Revolucionário (quase desconhecido, portanto). Excepcionalmente, copiei e publiquei isto aqui, porque ilustra magistralmente o que é preciso denunciar e como homenagem ao seu autor. Tirei o poema e biografia daqui, onde poderão encontrar mais poemas de L.S.:

Leonel Santos: Nascido no lugar de Pinheirinhos do concelho de Sesimbra a 22 de Novembro de 1935 L.S. é operário, exerce a profissão de canteiro e trabalhou em várias pedreiras e oficinas de Sesimbra, Cascais e Lisboa, entre outras.
Interessado pela cultura proletária leu, estudou e acompanhou esse movimento principalmente após Abril de 1974, tendo escrito vários poemas e publicado o livro "Nós Povo" em 1975, (Editora Vento Leste), baseado essencialmente nas suas experiências pessoais e colectivas.

quarta-feira, março 14, 2007

Trabalhando Para a Elegância...


Em primeiro lugar, devo pedir desculpas aos meus amigos leitores por uma distracção que cometi na tradução do termo "Plum" que aparece no texto sobre a minha primeira maratona (ver em Outubro de 2006). Claro que "Plum" é "ameixa" e, não, "Pêssego"...

Agora, aqui vai um interessante texto duma corredora inglesa, que repesquei e traduzi. Talvez alicie alguma portuguesa...RS!:

"Sei que é uma futilidade, mas tornei-me corredora para agradar a uma pessoa. Pura e simplesmente. Podia dizer-lhes que comecei a correr para ficar mais enérgica, para combater a depressão, para melhorar a minha aptidão cardiovascular, para me ajudar a levantar de manhã, e tudo isso seria verdade, a corrida deu-me tudo isso… mas a verdadeira razão foi o Joãozão.

Sempre gostei dele, mas ele já tinha namorada de maneira que nunca pensei que me concedesse mais que um olhar. Depois, eles separaram-se. E, de repente, graças às maquinações emparelhadoras de amigos comuns, combinámos passar um fim-de-semana juntos em Bordéus, dali a 6 semanas.

Para lhes ser franca, não achava que tivesse grandes hipóteses de seduzir o Joãozão. Quando tinha 20 anos era magrinha, mas uma combinação de comer tudo o que me apetecia, não fazer exercício nenhum e de chegar à casa dos 30, deu-me uma barriga que saltava por cima do cós dos meus jeans da moda e uns braços que começavam a tremer como um pudim dos que a minha avó fazia.
De modo que decidi que precisava de perder algum peso e tonificar-me. Ir para um ginásio era caro e, trabalhando eu a tempo inteiro, só poderia ir nas horas em que vai toda a gente, quando há filas para usar cada aparelho. Então, comprei um exemplar do "Guia Para Corredores Principiantes", entrei para um fórum dum " site" de corrida e comprei um par de sapatos de corrida em condições… Levantei-me uma manhã e fui correr.

Bem, digo correr, mas foi mais uma mistura de corrida com intervalos a caminhar. Passaram 4 meses e já sou capaz de correr – lenta, mas confiadamente – por 30 minutos. Ainda fico muito afogueada e sou ultrapassada por senhoras de equipamentos sofisticados, mas sinto-me maravilhosamente!

Perdi mais de três quilos sem ter que me restringir de nada para além da minha preguiça e acho que tenho um rabiosque mais firme, umas pernas mais torneadas bem como braços mais magros e uma barriga que não preciso de encolher para fechar os meus jeans.

Adoro sair logo de manhã antes de ir para o emprego e de ficar sentada todo o dia frente ao computador. Tive o prazer de correr na companhia, primeiro, dos flocos de neve, depois, das flores silvestres e, agora, dos narcisos. Fiz novos amigos na Internet que me têm encorajado e apoiado maravilhosamente. E o Joãozão vem passar comigo este fim-de-semana…"

Comentários

"Nunca se sabe, Truce, o Joãozão até pode estar a ler o teu artigo. Recordo os meus primeiros treinos a caminhar e correr, e de me sentir tão bem na natureza bravia. Sim senhora, dizem que o que custa é começar, mas uma vez que começaste, vais ficar espantada com as tuas capacidades!"
Julie Harland Wednesday, Maio 03, 2006 11:55:39 PM

"Olá, Truce, sei como te sentes, eu senti o mesmo. Não correu exactamente como tinha planeado, tivemos um "caso", não ficámos juntos – Mas eu continuo a correr! Boa sorte com tudo, espero que tudo corra pelo melhor para ti, mas seja como for, não deixes de correr!"
Lala V Friday, Maio 05, 2006 10:01:16 AM

"Olá! Sei como te sentes. Desde jovem que corro e nunca parei, nos últimos 5 anos fiz 11 meias maratonas. Espero fazer a minha primeira maratona dentro de 5 semanas mas ainda conta a motivação de ficar bem com o meu vestido de noite e de me ajudar a saltar da cama de manhã, calçar as sapatilhas de corrida e correr até ao alto do monte. Continua, e tenho a certeza de que terás Joõezões às dúzias a bater à tua porta!"
Jeanette White Friday, Maio 05, 2006 11:00:40 AM

"Estou nos meus trinta e muitos e tenho consciência do facto de que se não corro, a natureza seguirá o seu curso no meu corpo. De momento, corro diariamente por cerca de uma hora e um quarto de manhã e, embora isso me roube um bom bocado do meu dia, vale a pena. Ando bem disposta e sinto que isso me faz uma pessoa melhor. Acho mesmo que os benefícios para a saúde são pouco considerados: Todos deviam correr, para bem da sua saúde."
Shani Ram Friday, Maio 05, 2006 11:11:52 AM

"Truce, acho o teu artigo muito interessante. Gostaria de traduzi-lo para português e publicá-lo no meu blog, referindo o teu nome de autora, claro, e talvez no fórum de omundodacorrida.com. Se concordares com isso, por favor, diz-me, para eu avançar. Obrigado e…Sê feliz com o Joãozão…RS!"
Álvaro Costa, Quarta, Janeiro 31, 2007 04:05:18 PM