segunda-feira, dezembro 10, 2007

A Bilha Rachada

As línguas (ai!...) têm destas coisas: Então, o chinês... Enfim, quero dizer, tradutore traditor, entre pôr uns quantos dos meus amigos a dar todo o tipo de conotações ao título, e a fidelidade ao texto (inglês) de onde tirei esta história, eu opto pela fidelidade. Aos meus amigos taradinhos e ao texto original. Bom, original inglês, porque o chinês... Procurei saber de onde vem o texto, concluí que será de contos tradicionais chineses, não terá um autor conhecido. No entanto, para não ferir direitos de autor e dar o seu a seu dono, pesquisei parte do texto inglês e encontrei esta história em... mais de 9.000 entradas! O texto é mesmo bom! Ora vejam a tradução que fiz e estejam à vontade para criticarem, se acharem que o devem fazer.


A BILHA RACHADA

Uma velha chinesa tinha duas grandes bilhas que transportava penduradas em cada ponta duma vara que levava aos ombros.
Uma das bilhas tinha uma racha e, enquanto a outra estava intacta e levava toda a sua porção de água até ao fim do longo caminho da ribeira até casa, a rachada chegava só meio cheia.

Durante dois anos inteiros foi assim todos os dias, a mulher a levar para casa apenas uma bilha e meia de água. A bilha inteira, claro, estava orgulhosa do seu desempenho. Mas a pobre da bilha rachada estava envergonhada pelo seu defeito e triste por só poder cumprir metade daquilo para que fora feita.

Depois de 2 anos daquilo que entendia amargamente ser uma falha, um dia, junto ao ribeiro, a bilha falou à mulher: “Tenho vergonha de mim própria porque a racha do meu lado faz a água sair ao longo de todo caminho para casa”.

A velha sorriu: “Reparaste nas flores que estão do teu lado do caminho e não do lado da outra bilha?” “É porque eu sempre soube dessa tua deficiência, por isso semeei, do teu lado do caminho, as flores que tu regas, todos os dias, quando regressamos. Assim, há dois anos que apanho essas lindas flores para enfeitar a mesa. Se tu não fosses assim como és, não haveria na casa a graça da sua beleza”.

Cada um de nós tem o seu defeito. Mas são as falhas e fragilidades de cada um que tornam as nossas vidas no seu conjunto tão interessantes e gratificantes. Temos que tomar cada um do modo que ele é e ver o seu lado bom.

PORTANTO, meus amigos bilhas rachadas, tenham um dia maravilhoso e não se esqueçam de apreciar as flores que crescem do vosso lado do caminho!

segunda-feira, novembro 19, 2007

GRANDE LIÇÃO...

Olá! Depois duma crise prolongada de preguiça e enquanto vou ganhando fôlego para mais elucubrações, traduzi isto do inglês, não sei quem é o autor...que acham?

Um rapaz de 10 anos decidiu estudar Judo apesar de ter perdido o braço esquerdo num terrível acidente de viação. Começou a ter lições com um velho mestre de Judo.
Estava a aprender tudo muito bem de maneira que não conseguia perceber porque, passados três meses de treino, o mestre apenas lhe tinha ensinado um golpe. E o rapaz acabou por lhe perguntar: “Sensei, eu não devia estar a apren-der outros golpes?”
“Este é o único golpe que sabes, mas é também o único que precisas de saber” respondeu-lhe o mestre.
Sem perceber muito bem mas acreditando no mestre, o rapaz continuou a treinar. Vários meses mais tarde, o mestre levou-o ao seu primeiro torneio.
Para sua grande surpresa, o rapaz ganhou facilmente os primeiros dois combates. O terceiro revelou-se mais difícil, mas depois de algum tempo, o seu adversário ficou impaciente e atacou; o rapaz aplicou o seu golpe com destreza e ganhou o desafio.
Ainda espantado com o seu êxito, o rapaz chegou às finais. Desta vez, o seu opositor era maior, mais forte e experiente. Por um bocado, o rapaz pareceu derrotado. Com medo que o rapaz se pudesse aleijar, o árbitro declarou um empate técnico. O desafio ia acabar quando o mestre inter-veio.”Não”, insistiu, “deixem-no continuar.”
Pouco depois do recomeço do desafio o seu adversário cometeu um erro crítico: baixou a guarda. Logo o rapaz aplicou o seu golpe para o apanhar, ganhando o torneio. Era o campeão!
De volta a casa, o rapaz e o Sensei estiveram a rever cada jogada de cada desafio. Aí, o rapaz ganhou coragem para perguntar ao mestre o que lhe ia na cabeça:
“Sensei, como é que eu ganho um torneio apenas sabendo um golpe?” “Ganhaste por duas razões,” respondeu o mestre. “Primeiro, porque dominaste na perfeição um dos golpes mais difíceis do Judo. E segundo, porque a única defesa conhecida desse golpe é o adversário agarrar o teu braço esquerdo.”

A maior fraqueza do rapaz tornou-se na sua maior força!

“Por vezes sentimos que temos uma certa fraqueza e culpamos deus, as circunstâncias ou nós próprios por isso, mas esquecemos que as nossas fraquezas se podem, um dia, tornar forças. Cada um de nós é especial e importante, portanto nunca devemos pensar que temos algum ponto fra-co, devemos ignorar orgulho ou dor do mesmo modo, devemos viver a vida ao máximo e tirar dela o melhor partido possível!”

segunda-feira, julho 16, 2007

Intervalo Para Arrefecer

Ainda para arrefecer os neurónios de alguns comentadores(as), junto agora a tradução, de minha autoria, dum texto sobre corrida e ioga.

Entretanto, dou com um interessante comentário da Alexandra, mas acho melhor retomarmos a "Reflexão" quando os ânimos arrefecerem. É que ainda alguém rebenta um fusível por culpa das "elucubrações"...

Esta tradução trata da aplicação de posturas de Ioga à corrida de fundo - Podem crer que funciona!
Mas há aqui algumas questões polémicas... o que faz o corpo avançar? É o movimento de torção da bacia…? O movimento das pernas serve apenas para suster o corpo no seu avanço? Que acham?


IOGA PARA CORREDORES DE FUNDO
Truques Para Aumentar a Capacidade do Corpo e Mente no Dia da Corrida

Por Amanda Junker

Fazer ioga durante a maratona não implica fazer a “Saudações ao Sol” no meio da mul-tidão atrás da linha de partida nem fazer a “Posição do Cão” na meta. Trata-se apenas de aplicar uns pequenos truques que se aprendem na aula de ioga, como usar os princípios de certas posições de ioga e praticar exercícios mentais a cada quilómetro. Fazer isso ajuda a prevenir lesões e a dar o máximo na corrida.
“Quando se aplica a filosofia holística do ioga à corrida, na realidade transforma-se a corrida, de desporto, a uma prática espiritual” diz Danny Dreyer, autor de Chi Running. “Muitos correm com uma mentalidade de a-mente-manda-o-corpo-obedece – chegam à meta seja lá como for – mas o trabalho do corpo-mente em condições é com o corpo e mente a trabalhar em equipa.” Levar a prática do ioga do tapete de 1 metro por 2 para um percurso de 42 quilómetros ajuda a descobrir essa sinergia corpo-mente e garante uma boa recuperação.
Estas 7 dicas ajudarão a pôr o seu sangue a fluir para todos os músculos e a garantir que mantém a postura correcta e que protege as articulações (aliviando a compressão) apesar das horas seguidas de pés a bater no asfalto. Isto melhora a forma física, multiplica a resistência e, o mais importante, eleva o jogo mental a um novo nível que ajuda a chegar ao fim com força e pronto para a próxima corrida.

Posição na linha de partida

Centrar-se e evitar que o corpo fique rígido enquanto se espera pelo tiro de partida, apertado no meio da multidão, com a posição de “Pé Equilibrada” (Tadasana). “A Posição de Pé Equilibrada ajuda a realinhar o corpo” diz Christine Felstead, fundadora do “Yoga for Runners” em Toronto. Diz ela que gastar uns segundos a respirar fundo com os pés fincados no chão ajudará a acalmar a mente e a assentar o corpo antes de começar a corrida. Devemos recordar esta postura ao correr. Manter os ombros descontraídos e o peito elevado ajuda a esticar a coluna, reduzindo a tensão excessiva.

Fazer o seguinte: De pé, com os pés afastados à distância dos ombros, abrir os dedos dos pés dentro das sapatilhas o mais que se puder. Manter as pernas direitas e contrair os quadricipes. As ancas ficam na posição neutra com o cóccix a apontar para o chão. Concentrar-se em fincar os pés e pernas no chão, ao mesmo tempo que se endireita a coluna e os flancos. Imaginar que se está a colocar todas as articulações que suportam o peso do corpo umas, por cima das outras – Os ombros sobre as ancas, as ancas sobre os joelhos, os joelhos sobre os tornozelos. Depois, puxar os ombros para baixo, com os braços ao lado do corpo. Sentir o alto da cabeça a subir e o pescoço a esticar. Aguentar assim por três profundas respirações completas. Soltar a tensão dos ombros esticando os braços por cima da cabeça.

Corrigir o Corpo

Correr com consciência significa estar sintonizado com o corpo ao longo da corrida. “Usem as marcações dos quilómetros como despertadores para verificar a postura, respiração e qualquer tensão no corpo”, diz Dreyer. “É como carregar no botão de “actualizar” no computador, voltar a estar fresco como no princípio da corrida, a cada quilómetro”. Verificar como se está e adequar-se logo desde o primeiro quilómetro evitará que se rebente ao quilómetro 27 ou 32. Quando se verifica como está o corpo, se se acha que se está sem fôlego ou tenso deve experimentar-se fazer a respiração ou adoptar as técnicas de postura a seguir descritas.

Correr Como Um Guerreiro

“Quando se corre curvado, perde-se até 30% da capacidade pulmonar”, afirma Dryer. Mantenha-se um bom fluxo de ar, erguendo bem a coluna ao correr. Levantar a cabeça como se puxada por um fio, como na “Postura do Guerreiro”.

Torcer

Na verdade, é a contra-rotação entre as ancas e os ombros que faz mover as pernas na corrida. Deixar o pélvis rodar torna a passada mais fluida e melhora a resistência pois reduz a energia gasta no movimento. “Lembrar-se da “Torção Sentada” do ioga, em que as ancas estão fixas e se roda a parte superior do corpo”, diz Dreyer. Então, na corrida, é fazer o inverso: A parte superior do corpo fica estacionária e é a parte inferior que se deixa rodar”, diz. Esta rotação cria um efeito elástico com os ligamentos e tendões a fazer a torção da espinha voltar à posição neutra, fazendo assim mover os braços e pernas. O resultado desta acção não-muscular é uma muito sensível redução no nível de esforço, porque ela é extremamente eficiente sob o ponto de vista energético. Os ligamentos e tendões não requerem oxigénio nem glicogénio, portanto, ao correr, produz-se menos ácido láctico poupando o tecido muscular que assim não é destruído, reduzindo-se o tempo necessário para a sua recuperação.

Não perder tempo: Expirar!

A respiração é a reacção do corpo ao esforço. Pode dar indicações de ineficiência, esgotamento ou até mesmo indicar que está na altura de acelerar a passada. Estar em forma e treino são a base da nossa capacidade de correr, mas adequar a respiração pode aumentar os resultados. Segundo Dryer, “Se se está com falta de fôlego, não é porque não se inspira ar suficiente, é porque não se expira suficientemente rápido”. Respirar com o diafragma pode ajudar, se se fizerem fortes expirações, libertando os pulmões para a entrada de ar fresco.
Fazer assim: Pôr a mão no umbigo. A seguir a uma inspiração, soprar, empurrando a barrica para dentro. Depois, inspirar pelo nariz. Se, durante a corrida, custar a respirar só pelo nariz, tudo bem, respirar pela boca, mas é de experimentar das duas maneiras para perceber a diferença.

Descontrair

Ao correr, como no ioga, os músculos estão fortes, mas soltos. Procurar ficar tão descontraído na corrida como quando se está a fazer ioga. Os músculos descontraídos absorvem o oxigénio do sangue como uma esponja – e o oxigénio é o que mantém os músculos a trabalhar e o corpo a correr.

A “Posição do Cão”

Para reduzir a rigidez pós maratona, as posições do Ioga proporcionam alívio mais completo e rápido do que os alongamentos tradicionais. “Não há nada melhor que a “Posição do Cão Virada Para Baixo”, diz Felstead. Estica os músculos das pernas, os tendões e as costas”. Estirar, logo a seguir à corrida, os três grupos musculares que trabalharam tantas horas, vai minimizar o dorido do dia seguinte.

Fazer o seguinte: Pôr as mãos no chão, afastadas à distância dos ombros. Abrir bem os dedos, esticar descontraidamente os braços. Dobrar as pernas de modo que as canelas fiquem quase paralelas ao chão. Depois, tratar de afastar as ancas o mais possível das mãos ao mesmo tempo que se ergue o rabo e se forçam as pernas atra-vés dos quadricipes para as esticar. Fica-se nesta posição durante 5 ou 6 longas e pro-fundas respirações completas. Terminar na “Posição da Criança” para aliviar o fundo das costas. Se necessário, repetir isto três ou quatro vezes.

E agora que arrefeceram, preparem-se para voltar a elucubrar comigo...Os sobrevientes!

domingo, julho 15, 2007

...Para Desanuviar...

Bom, bom, bom, bom, bom...

…Lógica da batata, complicações...

Pelos vistos, há camaradas a queimar os neurónios com estas elucubrações...

Do Dicionário de Língua Portuguesa:
"ELUCUBRAÇÃO - O mesmo que lucubração: Vigília; trabalho intelectual feito pela noite adiante; (por extensão) meditação profunda, cogitação profunda"

Então, para desanuviar, vamos fazer um intervalo. Perda de tempo por perda de tempo, façam lá este teste, tirado dum e-mail que recebi:


O gato

Teste de leitura veloz

Realizado na Universidade de Coimbra para quem vai ingressar no curso de Linguística.

Tente ler sem errar.

O gato assim fez
O gato é fez
O gato como fez
O gato se fez
O gato mantém fez
O gato um fez
O gato anormal fez
O gato ocupado fez
O gato por fez
O gato quarenta fez
O gato segundos fez

Agora leiam somente a terceira palavra de cada uma das frases e ... não
Resistirão à vontade de reenviá-lo.

quinta-feira, julho 12, 2007

REFLEXÃO IV

Agora é a vez da Marcinha:
Quando digitamos o código do nosso cartão Multibanco, confiamos nas possíveis 10.000 combinações. No entanto, as hipóteses de perdermos ou de nos roubarem o cartão, conjugadas com as de quem, tendo-o na mão, o usa digitando um número aleatório e acerta, como se podem quantificar? Serão de uma em dez milhões ou mais, mas, seguramente, muitíssimo maiores do que a de esbarrarmos na rua com o nosso clone exacto…! Quer dizer q a Marcinha vai a correr tirar o dinheiro do banco e escondê-lo debaixo do colchão?

E quem diz que a impressão digital é única? Acaso já testaram todas as impressões digitais de todos os seres humanos que existem, existiram e existirão?

No fundo, estamos a falar no plano prático. Os parâmetros definidores dum ser humanos poderão, de facto, ser infinitos, pois dentro de cada célula, de cada nossa molécula, de cada átomo, poderão existir universos completos de outra dimensão, com estrelas, planetas, enfim, como as caixas de bonecas russas, umas, dentro de outras, dentro de outras, ad infinitum….
Portanto, aí, na fórmula estatística, teríamos infinito sobre infinito, o que não dá zero, dá um indeterminação.

Mas no mundo real, usando apenas os parâmetros do observador normal, ainda que munido de microscópios poderosos, teríamos sempre um número finito de parâmetros, o que dá zero, na fórmula estatística. Ou seja, os clones de que falo, seriam, em rigor, diferentes ou indeterminados, num plano espiritual, infinito, mas iguais, no plano físico, prático, humano…
Espero que tenha deixado claro em que planos acho que podemos dizer que cada ser humano é único e irrepetível ou que é apenas apenas mais um no meio de uma infinidade de outros iguais.

Curioso, meus amigos, vocês são seres cuja função aqui é despertar em mim mais elucubrações que podem não ser minimamente aquelas que vocês vêm levantar…
O Manel, por exemplo, com o seu comentário meio brincalhão, fez-me formular a hipótese do espírito ir buscar algures no espaço e no tempo infinito os nossos fac-similes e alinhá-los numa história de vida, definida pelas sucessivas decisões que vamos tomando…

Agora a Marcinha, com a mais simples questão que levantou, no comentário à “Reflexão II”, ajuda-me a resolver uma fragilidade insuspeitada na minha tese que me persegue desde que a postei, como um fantasma monstruoso: Será que, de certeza, existe algures, no tempo ou no espaço, um Álvaro de três cabeças?

Pergunta ela no seu comentário:
aproximar-se de 1 não é igual a 1, não é mesmo?”
O que significa um valor de inteiro (por maior que seja) sobre infinito tender para zero? Qualquer valor de parâmetros que se determine será dividido por infinito, dando zero. Mas TEM QUE SE DETERMINAR esses parâmetros antes de afirmar que dá zero. E isso é importante, pois se o valor fosse zero, sem mais, poderíamos afirmar que, de certeza, existirá algures, no tempo e no espaço infinitos, um Álvaro igual a mim mas… com três cabeças! Para fazer esse teste, tínhamos primeiro que determinar os parâmetros desse homem e, como a natureza, pela sua própria lógica de funcionamento, não pode criar homens com três cabeças, não saberíamos determinar o valor a colocar no numerador daquela fórmula, daí, não a podermos aplicar, não podendo afirmar de certeza que existe um Álvaro com três cabeças…

…Ufa! Que susto! Agradeço então à Marcinha por ter posto aquela questão, pois ajudou-me a libertar-me deste pesadelo horrível!

...E a Alexandra também despertou em mim outro verme elucubrador… Veremos isso talvez na próxima postagem.

domingo, julho 01, 2007

REFLEXÃO III



Esta é mais para responder às questões postas.

Claro que tudo o que aqui escrevo vem com um grande ponto de interrogação. E tenho pena de não haver mais gente a comentar, pois de cada comentário surgem novas questões levando ao aprofundamento do tema. Mas, Mea Culpa, como podem as pessoas vir cá espreitar o blog se só aparece algo novo de 30 em 30 dias?

Quanto à questão da repetição de pessoas, direi mesmo que o número de repetições não será um nem dois, mas mais que triliões!
Na verdade, por muito grande que seja o número de itens necessários para definir alguém, desde que sejam em número finito, a probabilidade de ocorrência repetida é sempre calculada um número infinito de vezes, o que dá sempre resultado igual a 1, ou seja, CERTEZA!

No caso do nosso comentador Manuel, na verdade direi que não há apenas uma repetição dele, mas uma infinidade delas e com uma infinidade de variantes!
Ou seja, há um Manuel que quer beber um copo com um outro fac-símile, mas há um que não quer; um, que quer beber um copo de tinto; um, que quer beber um copo de branco; um, que quer beber um sumo de laranja, outro, que é abstémio, etc., etc., etc...
Façam as contas usando as fórmulas do cálculo de probabilidades e comprovem…

Agora, posso suscitar outra questão a partir daqui:
Se o espírito é omnipotente (será uma fracção de Deus, mas uma parte de poder infinito também é poder infinito), então, pode viajar livremente no tempo e no espaço (e também fora do tempo e do espaço). E pode ocupar e manipular as concretizações humanas… Então, quem me diz que cada um de nós, enquanto mero mortal, não passa duma sucessão contínua de “Maneis”, que o espírito, consoante as decisões que toma, vai recolhendo de algures no tempo e no espaço e alinhando numa história de vida?
Aqui, meus amigos, ponham um ponto de interrogação MUITO GRANDE, até porque isto não posso provar estatisticamente…ou posso?

Resumindo: pois se o Manuel quer tomar um copo com o seu outro eu, será fácil: basta tomar a decisão de encher um copo de bom tinto alentejano, e bebê-lo...!

A resposta à Marcinha virá mais tarde, espero que em breve. Para já só adianto esta pergunta: Mas não somos, nós todos, o mesmo em Deus?

domingo, junho 03, 2007

REFLEXÃO II

Até que enfim!
Muitos dos meus amigos me mandaram mensagens regulares perguntando quando acabaria de reflectir…!
Na verdade, nunca, mas há duas razões para só agora aqui vir: Uma, a falta de tempo (há compromissos mais prementes na vida, afinal isto não passa de um blog…); Outra, é que eu estava à espera de críticas, outras opiniões, nomeadamente do meu amigo Zen…Que, pelos vistos, ainda está mais ocupado que eu!
À falta de mais críticas, aqui vai a Reflexão II propriamente dita:

Lembram-se dos “exercícios preparatórios” propostos na Reflexão I?

“Como preparativo, sugiro-te o seguinte:
- Veres o filme 2001 – Odisseia no Espaço (se já o viste, recorda-lo);
- Ires ao "Trance Dance" na tarde de Domingo (para entrares em transe...LOL);
- Recordares o texto no meu blog sobre "Corrida Mística".”

Bom, como o pessoal anda todo muito ocupado e provavelmente não foi rever o filme, terei que ser eu a recordar a parte relevante. Aqui nesta parte de reflexão, apenas vou falar sobre o primeiro exercício, o resto virá outro dia, espero que em breve.

Logo no início do filme, há um bando de macacos que vai beber água a um charco. Depois de comer e beber, aninham-se aí para passar a noite. De manhã, ao acordarem, os macacos assustam-se com a presença no local de um monólito que sem se saber como, aparece espetado no local…
Uma placa negra, enorme, dum metal estranho, de superfície lisa, rigorosa e dura… Os macacos rodeiam-na à distância, temerosos, surpreendidos. Um estranho poder parece emanar daquele objecto. Um macaco mais afoito, ousa aproximar-se, mas logo recua, receoso. Os outros macacos vão-se aproximando, novas inspecções do objecto e um dos macacos acaba mesmo por tocar no monólito, ainda que fugazmente…
Mais tarde, após várias abordagens ao monólito, chegam ao ponto de toda a família de macacos tocar aquele objecto poderoso, a sua vibração envolvendo todos os símios, como que os abraçando.

Pouco depois, um dos macacos aprende a usar um osso como ferramenta e arma… estava dado o salto para o ser humano, aquela família de macacos seria então o elo perdido (pesquisem na net), enfim, os bichos tinham ganho inteligência!

Pois é assim que sinto deus, perdão, Deus…
Algo perfeitamente tangível, que nos dá força … que, em cada vez que o tocamos, nos retribui com mais paz, mais coragem, mais iluminação. Explicarei melhor nas próximas partes desta Reflexão II…

…E agora, vejam lá mais esta, mais uma que encuquei:

Tudo o que caracteriza fisicamente uma pessoa, incluindo elementos que lhe são externos, como as circunstâncias que determinam o seu ser material, pode ser, teoricamente, claro, determinado e caracterizado por um conjunto finito de elementos, obviamente, muito grande, diria mesmo, enorme…

Qual a probabilidade de cada um desses elementos ocorrer de per si? Poderá teoricamente, avaliar-se, dependendo dos instrumentos estatísticos de que dispomos e do nosso conhecimento sobre o assunto. A probabilidade poderá ser muito pequena, mas constitui um valor finito. Por exemplo: A probabilidade de usares hoje um chapéu é de 10/365 (se usas apenas o chapéu dez dias por ano) ou seja, 2,7% ou 0,027 aproximadamente. E se chover no sítio onde estás, 60 dias por ano, a probabilidade chover num dia será de 17% aproximadamente, ou seja, de 0,17…

…E qual a probabilidade de ocorrerem simultaneamente, dois desses acontecimentos? Será uma probabilidade menor, expressa pelo produto da probabilidade de cada um. Por exemplo, a probabilidade de usares chapéu e de chover, segundo as regras da estatística, calcula-se multiplicando uma probabilidade pela outra o que neste caso, dá 0,0045, ou seja, 0,45%
E quanto mais conjugarmos acontecimentos, calculando as probabilidades acumuladas de ocorrências simultâneas, mais pequena é a probabilidade resultante. Por exemplo, qual a probabilidade de num determinado dia usares chapéu, chover, comprares um livro, encontrares um amigo e esse amigo usar uma gravata verde? Certamente, que aqui a probabilidade é mesmo muito pequenina…

Imaginemos então quão ínfima será a conjugação de todas as circunstâncias que determinaram o que cada um de nós é hoje! A probabilidade conjugada da nossa existência neste mundo real será expressa por zero, vírgula, muitos zeros, mas algures aparecerá um número… Ou seja, há um número finito que representa a probabilidade de sermos o ser humano que somos...

Agora, a pergunta fatal:
Acreditam que o cosmos é infinito no tempo e no espaço? Então, qual é a probabilidade de ocorrer uma repetição algures, no tempo e, ou, no espaço, de um ser igual a nós? Pensem bem…

Vamos ver o que nos diz a estatística: a probabilidade de, lançada uma moeda uma vez, cair cara, é de 50%, verdade? E em dois lances? Será 50% mais 50%, ou seja 100%? Ora, 100% ou 1, em estatística, significa certeza e todos nós sabemos que não é certo que saia uma vez, cara, em dois lançamentos…
Na verdade, a probabilidade calcula-se somando as duas probabilidades e subtraindo o seu produto, o que dá, naqueles dois lances, uma probabilidade de 0,75 ou seja, de 75%... Em três lances, a probabilidade de sair cara uma vez é de 87,5 %, em 4 lances, de 94% aproximadamente e por aí fora, sempre crescendo e aproximando-se de 1, que significa certeza…

…Então, aquelas circunstâncias que nos caracterizam como pessoa individualizada neste mundo real, num número infinito de tentativas, terá que ocorrer… DE CERTEZA!

Teremos então que admitir que algures, no tempo e no espaço infinitos, existe outro indivíduo igual a cada um de nós, com o mesmo nome, a mesma roupa, a mesma família, tendo as mesmas habilitações literárias, passaporte (incluindo os mesmos carimbos de países visitados)!!!!...

…E esta, heim?

domingo, abril 01, 2007

REFLEXÃO I

Do blog da Ana Pereira, tirei isto (vejam no blog dela, o link está aqui à esquerda):

(…) Queria acreditar num Deus para lhe pedir protecção, e para dar alento, esperança e salvamento a quem já se vê a braços com este drama. Mas não tenho em que acreditar (…).

E comentei:

"Comovente, o teu relato, pelos sentimentos que revela...Mas pensa bem, Ana, se "Deus" é aquilo que tudo determina e influencia, e se acreditas que tudo influencia tudo e está relacionado com tudo, então "Deus" é...TUDO! Procura então o Deus que tu também és!"

O Zen (blog ao lado), leu e mandou-me um mail:

(…) Diz-me, qual é a tua visão do divino? Sentes Deus? De que forma? Professas alguma fé? (…)


Como resposta, pedi-lhe para fazer alguma preparação prévia:

“Como preparativo, sugiro-te o seguinte:

- Veres o filme 2001 – Odisseia no Espaço (se já o viste, recorda-lo);
- Ires ao "Trance Dance" na tarde de Domingo (para entrares em transe...LOL);
- Recordares o texto no meu blog sobre "Corrida Mística".”


E agora, respondo-lhe directamente aqui no meu blog, mas esperando trazer ao tema, à conversa e à polémica, mais passeantes que aqui, na minha praia, venham a desembarcar:

Antes de passar a responder àquelas perguntas iniciais que colocaste, e sempre pressupondo que vais praticando aqueles “exercícios preparatórios” que te recomendei acima, passo a responder à outra questão que colocaste na tua última mensagem:

“ (…) Dei por mim a navegar “ noutras latitudes” da consciência e isso trouxe-me alguma paz (…) Como interpretar tudo isto sem tropeçar numa condição alienada de interpretação da realidade? (…)”

Zen, percebo perfeitamente o que sentes. É que eu nem baptizado sou, fui ateu fundamentalista até aos meus 45 anos, e depois comecei a fazer essa mesma interrogação…
Curioso, alguns católicos praticantes começaram a fazer a pergunta inversa e deixaram a Igreja!

Comecemos por aí: A Igreja tem sido usada pelos homens para manipular a fé dos crentes a favor dos poderosos – Dan Brown, um escritor que admiro pela sua imaginação e, muito mais, pela sua coragem, denuncia esse mecanismo diabólico no seu Código de Da Vinci, livro muito falado, mas pouco compreendido na sua mensagem de regeneração e emancipação religiosa, aspectos sistematicamente ignorados pelos Media, dos jornais ao cinema, passando pela crítica literária. Como convém ao sistema…!

Pois a Igreja, ao longo de séculos apoderando-se de palavras e conceitos, afastou o homem comum de qualquer possibilidade de elevação religiosa. A religião tem uma vertente Transaccional e outra, Transformacional. A primeira, acompanha e suaviza a vida, a segunda, eleva o homem para além da vida, fazendo a re-ligação com as esferas superiores, re-ligação donde vem o nome religião. A primeira, é o baptismo, primeira comunhão, missa aos Domingos, leitura estática da Bíblia (de preferência em Latim, como quer o novo Papa), prece, confissão, penitência, casamento, extrema-unção. A segunda, é o exemplo dos grandes Místicos, de Cristo, de S. Tomás de Aquino, da Madre Teresa de Calcutá…

Ou seja: O que afasta as pessoas de pensar em transcendências dessas, é a Igreja que conhecemos, pois monopolizou os conceitos, até as palavras, e como te posso eu agora falar em Deus sem que vejas um velhinho de túnica e barbas brancas? Sem que te lembres das orações que te obrigavam a papaguear na catequese? Das leituras estáticas e obscurantistas da Bíblia? Das beatas falsas? No cardeal Cerejeira? Da inquisição? Das populações embrutecidas ou fanáticas?

Pois é, primeiro, temos que perceber este lamaçal e denunciá-lo, limpar as palavras e conceitos, para então podermos pensar livremente e sem medos de fantasmas…

Até à próxima reflexão.

segunda-feira, março 19, 2007

Postagem Politicamente Incorrecta...

Já vou ficando farto das críticas que fazem aos nossos políticos… Parece que descobriram a pólvora! Há quantos anos andam a “descobrir” que eles não passam de títeres e oportunistas sem escrúpulos, ao serviço do poder económico e, cada vez mais, do financeiro, global?
E muitas vezes tais críticas vêm “fulanizadas”, como se um indivíduo pudesse determinar os mecanismos do sistema. Salazares? Hitleres? Pinochetes? Passeiam-se por aí centenas deles e são inofensivos… O problema é quando são arvorados em Líderes quando tal convém ao grande capital financeiro internacional e quando afinal, as suas “maldades” são, consciente ou inconscientemente, toleradas e, até, suportadas por todos nós!
Eu penso sempre se quem faz essas críticas, não será parvo, ingénuo ou oportunista, quando as faz sem denunciar

O Monstro Difuso

Nascido algures na bruma de outras eras
Diferente eu sou de todas as quimeras
De todos os dragões alados do levante
De olhos sanguíneos e boca flamejante
De todas as serpentes astutas e infernais
De lendas bolorentas e ancestrais
Da Hidra de Lerna de cabeças várias
De todos os mostrengos e todas as alimárias
Não sou delírio vão, nem grito de profetas
Nem génio de pintor, nem sonho de poetas
Mas sou realidade…e impossível
Será que exista outra mais terrível
Meus braços, invisíveis e diferentes
De todos os monstros, de todos os viventes
São os vossos braços…e vos digo mais
Ando com as pernas com que vós andais
Depois que percorri os séculos um a um
Cheguei enfim aqui… a lado nenhum
Tive pais, padrinhos e parentes
Sou filho de sábios, génios e valentes
Usei chapéu alto e usei gravata
Fui socialista e fui fascista, fui padre e fui pirata
Esclavagista e liberal, anarquista e democrata
Meu nome, não importa, minha missão é esta
Sou do mundo a derradeira besta
A Lei morreu, a Ordem se esfumou
E a Nova Ordem é a desordem que eu sou
O Absurdo total, o Crime do mundo
O pântano e a voragem onde me afundo
A miragem doirada de toda a podridão
O Tartufo supremo da Civilização
A tragédia que avança…o lamaçal
A flor sublime da estrumeira global
Em mim, a paz e a guerra são iguais
Dar-vos-hei a que achar que vale mais
E caso valha mais a gente morta
Que morra quem morrer que eu não me importa
Arrancarei olhos, rins e corações
A gente sadia em troca de milhões
E em troca de milhões farei também
A Justiça e a Lei que me convém
Lançarei no lixo o pão que não se come
Enquanto for matando o mundo à fome
A corrupção será sempre o meu estandarte
A minha vida, a minha força, a minha arte
Depois que reduzi o mundo à escravatura
Vos grito a liberdade, o progresso e a fartura
Porque também a própria linguagem
Serve os meus interesses e traz a minha imagem
Mas tudo o que eu prometo é canto de sereias
Porque só a guerra me percorre as veias
Esse monstro que devora inocentes
São as minhas garras, a força dos meus dentes
É o desespero do monstro condenado
A morrer matando quem não é culpado
Farei prostitutas e drogados aos milhões
Porque eu próprio sou a droga das nações
Nações que, no fundo, não passam de utopia
Porque não há fronteiras na minha hegemonia
Sou o desespero que cada um transporta
A vida desiludida que já nasce morta
Sou eu o Terrorismo, a última invenção
Dos génios do Mercado p’ra minha salvação
Sem terrorismo, anti-terrorismo, fome e guerra
Não poderei eu, um minuto mais, habitar a Terra
Não sou americano, nem árabe nem judeu
Não sou homem-bomba, nem crente, nem ateu
Sou apenas eu, e ninguém mais forte
Poderá deter-me a não ser a morte
Até na paz breve que a vida vos consente
Farei eu morrer milhões de gente
Porque eu sou a morte e não sou a vida
Sou o aborto, o anti-aborto, a pedofilia e a sida
O desemprego e a falência, a insegurança e as prisões
Os Tribunais, o Direito a Justiça e os Ladrões
E sou ainda na gíria universal
O Iluminismo, a Civilização e a Moral
Sou mil polícias a cada esquina da cidade
Obedecendo cegos à minha vontade
Sou a democracia e a modernidade
Sou o dinheiro e o Mercado. Sou o Valor
Não tenho pátria, nem raça, nem cor
Todos os deuses antigos e modernos
Todos os paraísos e todos os infernos
Pobres e ricos, palhaços, presidentes e reis
Têm um valor… e esse Valor são as minhas leis
Nada tenho de humano, sou cego, surdo e mudo
Indiferente à dor, à guerra à morte, a tudo
Sou o Valor global, real e soberano
Que transforma em besta cada ser humano

Leonel Santos
Lisboa, Março de 2004
Este poema, foi feito por um Poeta Revolucionário (quase desconhecido, portanto). Excepcionalmente, copiei e publiquei isto aqui, porque ilustra magistralmente o que é preciso denunciar e como homenagem ao seu autor. Tirei o poema e biografia daqui, onde poderão encontrar mais poemas de L.S.:

Leonel Santos: Nascido no lugar de Pinheirinhos do concelho de Sesimbra a 22 de Novembro de 1935 L.S. é operário, exerce a profissão de canteiro e trabalhou em várias pedreiras e oficinas de Sesimbra, Cascais e Lisboa, entre outras.
Interessado pela cultura proletária leu, estudou e acompanhou esse movimento principalmente após Abril de 1974, tendo escrito vários poemas e publicado o livro "Nós Povo" em 1975, (Editora Vento Leste), baseado essencialmente nas suas experiências pessoais e colectivas.

quarta-feira, março 14, 2007

Trabalhando Para a Elegância...


Em primeiro lugar, devo pedir desculpas aos meus amigos leitores por uma distracção que cometi na tradução do termo "Plum" que aparece no texto sobre a minha primeira maratona (ver em Outubro de 2006). Claro que "Plum" é "ameixa" e, não, "Pêssego"...

Agora, aqui vai um interessante texto duma corredora inglesa, que repesquei e traduzi. Talvez alicie alguma portuguesa...RS!:

"Sei que é uma futilidade, mas tornei-me corredora para agradar a uma pessoa. Pura e simplesmente. Podia dizer-lhes que comecei a correr para ficar mais enérgica, para combater a depressão, para melhorar a minha aptidão cardiovascular, para me ajudar a levantar de manhã, e tudo isso seria verdade, a corrida deu-me tudo isso… mas a verdadeira razão foi o Joãozão.

Sempre gostei dele, mas ele já tinha namorada de maneira que nunca pensei que me concedesse mais que um olhar. Depois, eles separaram-se. E, de repente, graças às maquinações emparelhadoras de amigos comuns, combinámos passar um fim-de-semana juntos em Bordéus, dali a 6 semanas.

Para lhes ser franca, não achava que tivesse grandes hipóteses de seduzir o Joãozão. Quando tinha 20 anos era magrinha, mas uma combinação de comer tudo o que me apetecia, não fazer exercício nenhum e de chegar à casa dos 30, deu-me uma barriga que saltava por cima do cós dos meus jeans da moda e uns braços que começavam a tremer como um pudim dos que a minha avó fazia.
De modo que decidi que precisava de perder algum peso e tonificar-me. Ir para um ginásio era caro e, trabalhando eu a tempo inteiro, só poderia ir nas horas em que vai toda a gente, quando há filas para usar cada aparelho. Então, comprei um exemplar do "Guia Para Corredores Principiantes", entrei para um fórum dum " site" de corrida e comprei um par de sapatos de corrida em condições… Levantei-me uma manhã e fui correr.

Bem, digo correr, mas foi mais uma mistura de corrida com intervalos a caminhar. Passaram 4 meses e já sou capaz de correr – lenta, mas confiadamente – por 30 minutos. Ainda fico muito afogueada e sou ultrapassada por senhoras de equipamentos sofisticados, mas sinto-me maravilhosamente!

Perdi mais de três quilos sem ter que me restringir de nada para além da minha preguiça e acho que tenho um rabiosque mais firme, umas pernas mais torneadas bem como braços mais magros e uma barriga que não preciso de encolher para fechar os meus jeans.

Adoro sair logo de manhã antes de ir para o emprego e de ficar sentada todo o dia frente ao computador. Tive o prazer de correr na companhia, primeiro, dos flocos de neve, depois, das flores silvestres e, agora, dos narcisos. Fiz novos amigos na Internet que me têm encorajado e apoiado maravilhosamente. E o Joãozão vem passar comigo este fim-de-semana…"

Comentários

"Nunca se sabe, Truce, o Joãozão até pode estar a ler o teu artigo. Recordo os meus primeiros treinos a caminhar e correr, e de me sentir tão bem na natureza bravia. Sim senhora, dizem que o que custa é começar, mas uma vez que começaste, vais ficar espantada com as tuas capacidades!"
Julie Harland Wednesday, Maio 03, 2006 11:55:39 PM

"Olá, Truce, sei como te sentes, eu senti o mesmo. Não correu exactamente como tinha planeado, tivemos um "caso", não ficámos juntos – Mas eu continuo a correr! Boa sorte com tudo, espero que tudo corra pelo melhor para ti, mas seja como for, não deixes de correr!"
Lala V Friday, Maio 05, 2006 10:01:16 AM

"Olá! Sei como te sentes. Desde jovem que corro e nunca parei, nos últimos 5 anos fiz 11 meias maratonas. Espero fazer a minha primeira maratona dentro de 5 semanas mas ainda conta a motivação de ficar bem com o meu vestido de noite e de me ajudar a saltar da cama de manhã, calçar as sapatilhas de corrida e correr até ao alto do monte. Continua, e tenho a certeza de que terás Joõezões às dúzias a bater à tua porta!"
Jeanette White Friday, Maio 05, 2006 11:00:40 AM

"Estou nos meus trinta e muitos e tenho consciência do facto de que se não corro, a natureza seguirá o seu curso no meu corpo. De momento, corro diariamente por cerca de uma hora e um quarto de manhã e, embora isso me roube um bom bocado do meu dia, vale a pena. Ando bem disposta e sinto que isso me faz uma pessoa melhor. Acho mesmo que os benefícios para a saúde são pouco considerados: Todos deviam correr, para bem da sua saúde."
Shani Ram Friday, Maio 05, 2006 11:11:52 AM

"Truce, acho o teu artigo muito interessante. Gostaria de traduzi-lo para português e publicá-lo no meu blog, referindo o teu nome de autora, claro, e talvez no fórum de omundodacorrida.com. Se concordares com isso, por favor, diz-me, para eu avançar. Obrigado e…Sê feliz com o Joãozão…RS!"
Álvaro Costa, Quarta, Janeiro 31, 2007 04:05:18 PM

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Carla Hayes: Contacto!

Há cerca de 8 meses, escrevi o primeiro texto nesta “Feira das Vaidades", explicando a razão da sua criação e do seu nome (vejam lá em baixo, em Junho). Pretendia usar este blog como um simples armário onde arquivaria as minhas produções…
Mas, claro, as pessoas vão entrando, manifestam-se, o Ego vai inchando, inchando e depois queremos continuar sempre apelativos a quem nos visita. Em resumo: isto transforma-se, de facto, numa feiras das vaidades. ‘Tão a ver?
Só que a minha produção não é assim tanta, ou talvez a minha preguiça seja maior que a vaidade, e o “armário” permanece mudo e quedo, as pessoas entram, encontram o blog parado e não voltam. E o MEU EGOOOO?????!!!!

Portanto, meus amigos, quero que voltem à minha Feira das Vaidades. E como a minha produção não é assim tanta, preparem-se para uma visitinha quinzenal, por enquanto, não mais. Tentarei recebê-los com, no mínimo, um cházinho e umas bolachitas…
Até agora, pus cá traduções, o que continuarei a fazer, e alguns textos tirados de intervenções minhas no fórum do site omundodacorrida.com. Agora, irei começar a introduzir alguns comentários sobre alguns temas que me interessam, talvez polémicos, algumas fotos e também textos de amigos a quem terei o prazer de ceder espaço aqui.
Mas atenção: isto não são promessas eleitorais, se me faltar tempo e inspiração, e regressar ao blog-armário, tenham paciência…


Para aqueles que têm lido os últimos textos, devo dizer-lhes que a minha saga à procura de Carla Hayes terminou com sucesso: Saltando de amigo em amigo na Net e na corrida, passando pelos EUA e Inglaterra, recebi uns tempos atrás a resposta da Carla: “I understand you are looking for me. Well, here I am. What can I do for you?” - “Vejo que me procuras. Bem, aqui estou. Em que posso ser-te útil?”

BINGO!

…Mas as sagas já não são o que eram… Foi tão fácil! A demora foi mais porque não quis referir-me à nossa amiga sem lhe explicar porque a contactava e que pretendia dá-la a conhecer aos meus amigos do blog e, em particular, aos do fórum das corridas. E a Carla, sendo uma pessoa muito ocupada, demorou a responder.
Finalmente, chegou uma sucinta resenha das suas actividades desportistas, o que a revela uma activíssima corredora que tal como os meus amigos do fórum, vêm a corrida como um meio de contactar a natureza e conhecer outros amigos, sendo que, no caso dela, esse contacto é feito, ao vivo e pelo mundo inteiro! Ora vejam bem:

(…) A do Porto foi a minha 21.ª maratona.
Fiz a minha primeira Maratona em 1992 (Londres). Entrei para um clube de corridas (os Plumstead Runners) em 2006. Faço Maratonas de estrada e a corta-mato. Corro para manter a forma, conhecer pessoas e viajar.
O ano Fiz Maratonas em Berlim, Nova Iorque, No Somme (França), nas Ilhas Feroe (Escócia), Montana, Utah (EUA), Benidorm (Espanha) e várias outras no Reino Unido.
Este ano corri uma Meia Maratona e uma Maratona em Disney (Florida) e uma Maratona em Marraquexe (Marrocos). Vou agora para Valência na próxima semana (11 de Fevereiro) fazer a Maratona de lá.
Tenho umas quantas na calha para este ano incluindo a de Londres (era para a fazer o ano passado mas caí ao fazer ski e aleijei-me do joelho), do Lago Windermere, no Tyrol, em Berlin (esta fazemo-la todos os anos porque Greenwhich, onde vivo, está geminada com uma cidade da área de Berlin), Memphis e Honolulu. E muitas outras no Reino Unido e mais umas quantas que ainda não decidimos quais.
(…)

QUE VIDÃO…!

...Agora, vou procurar o camarada com o dorsal 198, o António Ribeiro, que ficou atrás de mim na foto que o Moutinho tirou, no Castelo do Queijo...Quem me ajuda?

segunda-feira, janeiro 15, 2007

A Maratona do Urso Grizzly

Na busca de Carla Hayes, encontrei uma pista que me foi dada por Bob Dolphin.

Este espantoso maratonista já lhes foi apresentado no meu último "Post". No seu último texto refere Carla Hayes: Ela vinha num grupo de britânicos, com Gina Little (que também correu na Maratona do Porto, ficando à minha frente) e Roger Biggs. Ora Roger Biggs é director do Clube Britânico 100 Marathons, pelo que o poderei contactar por aí e pedir-lhe que comunique à sua amiga Carla o meu desejo de a conhecer!

Agora vejam lá o interessante relato dessa maratona realizada no estado de Montana, EUA, onde participou a Carla Hayes. A tradução integral do texto, devidamente autorizada pelo seu autor, vai a seguir:

A Maratona do Urso Grizzly, 19 de Agosto de 2006

Reportagem da Corrida, por Bob Dolphin

A Maratona do Grizzly tem sem dúvida, um nome curioso. A designação é apropriada, porque a Maratona decorre numa área de recuperação do urso grizzly, nas Montanhas Rochosas, no estado de Montana do Norte. Parte do percurso, no sopé destas montanhas, é o habitat desse urso e um corredor avistou um grizzly, durante a corrida. A Maratona do Grizzly em 19 de Agosto de 2006 foi no belo cenário da Terra do Grande Céu, onde se desdobram planuras relvadas que alimentam gado e vida selvagem estendendo-se por muitas milhas em todas as direcções. Para Oeste, erguem-se abruptamente montanhas com penhascos.

A recepção dos corredores teve lugar no dia anterior à corrida, Na pousada Stage Stop em Choteau, Montana. Lá, tivemos oportunidade de conviver com os corredores, incluindo alguns amigos de Reino Unido. Os quatro que viajaram até aos Estados Unidos para duas maratonas em duas semanas foram o Roger Bigs, Jack Brooks, Gina Little e Carla Hayes. O Roger é presidente do Clube 100 Maratonas original que se baseia em Londres, Inglaterra. O Jack, a Gina e eu somos também membros deste clube. Desfrutámos a companhia deles na Pasta-Party ao jantar de véspera, na igreja local e no restaurante em Fairfield depois da maratona, com Jim Scheer.

Os antigos vizinhos de Lenore, de Renton, que ela já não via há muitos anos, Mary e Moe Embleton, encontraram-nos na recepção aos corredores e, juntos, demos uma volta pelo trajecto da maratona. A meta e partida da maratona eram a 40 km de Choteau, de modo que essa foi uma boa ideia, pois seria um perfeito desafio encontrar o caminho no escuro da manhã seguinte.
A primeira tarefa do dia da Lenore, como voluntária, foi dar apoio aos participantes no estacionamento, às 5 horas desta manhã escura de Sábado. Depois de se tocarem os hinos nacionais Americano e Canadense, o pelotão dos 101 maratonistas e 150 meio-maratonistas largou a linha de partida de madrugada (6:30 da manhã). Correram juntos 40 metros e depois seguiram em direcções opostas num entroncamento.

Os maratonistas correram num trajecto rectangular no sentido dos ponteiros do relógio. Os primeiros 11 km foram pela estrada pavimentada de Teton Canyon e eu passei 10 corredores na recta guarda do pelotão. Depois, virámos para uma estrada de gravilha (gravilha de tamanho especial de Montana!), e foi este o piso de todo o resto da corrida. Por vezes apareciam rastos de pneus onde se juntavam detritos, o que era uma melhoria no piso, comparado com a pedra solta. A altitude flutuava entre os 1.230 e os 1.480 metros em terreno ondulante com duas elevações principais. A mais alta era na viragem ao quilómetro 30, num troço de ida e volta.

A primeira metade foi bem, e corri na maior parte do tempo. Na segunda metade, como a temperatura do ar subiu aos 30 graus sob um céu limpo, caminhei bastante. Foi bom encontrar os amigos David Nemoto, March Frommer, Jim Scheer, Boonsom Hartman, Larry Macon, Jim Simpson, Roger Hauge e os britânicos, no troço de ida-e-volta de 6,4 km.

Nos últimos 8 km caminhei num passo de 10 minutos/km e acabei em 6 horas, em 93º lugar dos 100 que finalizaram e em 3º dos três corredores com mais de 70 anos. A Lenore recebeu-me à chegada e deu-me a minha medalha de conclusão de prova.

Foram distribuídos geles, água, bebidas isotónicas e fruta ao longo da corrida a espaços de três quilómetros, dados por voluntários simpáticos. Na meta, os corredores saborearam carne de churrasco, salsichas, refrigerantes e outras comidas, a coroar a sua “aventura e triunfo sobre a adversidade”.

No mês passado, na maratona Paul Bunyan no Maine, vi Raef Guiges, de 50 anos, um CPA de Torrance, CA, que levava uma grande bandeira dos Estados Unidos com uma cruz no cimo do pau. Ele é um membro do Clube de Maratona dos 50 Estados que participou, do mesmo modo, na Maratona de Grizzly . O “site” da sua organização (
WWW.godisloveonline.com) está escrito na sua T-shirt. Consultando esse “site”, fiquei a saber que o objectivo é de “espalhar a palavra de Deus através da boa forma física, recolher dinheiro para a caridade e apoiar Cristo no Médio Oriente”.

Parabéns ao Tyson Liskow, de 27 anos, de Laramie, Wyoming, por correr a sua primeira maratona a acabar em 4 horas, 22 minutos e 2 segundos. A Chris Valentino de Novato, Califórnia, por correr com o filho, Taylor: O Chris acabou em 4 horas, 54 minutos e 58 segundos, o Taylor, em 3 horas, 55 minutos, 15 segundos.

Agradeço ao director da corrida, David Hirschfeld, aos seus assistentes e voluntários por organizarem a Maratona do Grizzly nos campos de Montana.

Agradeço também à Lori e ao John Finch de Fairfield por terem recuperado um edifício antigo criando a Pousada do Parque de Fairfield, a 27 kms de Choteau. Desfrutámos lá três noites no quarto “Loucuras” (A Sala Audubon) e os deliciosos queques dos pequenos-almoços continentais. Os corredores interessados num quarto desta pousada singular devem fazer as suas reservas com antecedência ou perderão a oportunidade de ficar onde nós ficámos, ou num dos quartos nas Salas, Cowboy, Pescador, Antiguidade ou Americana. O endereço electrónico é:
fairfieldparkinn@gmail.com … telefone (800)844-0892 e (406)467-3373.

A altitude, as estradas de gravilha e a ausência de sombras fazem da Maratona do Grizzly um grande desafio. Estou feliz por ter participado neste 4.ª edição anual e poder adicionar Montana aos Estados completados nesta minha procura de correr uma maratona em todos os 50 Estados!

Escrito por Bob Dolphin;

Editado, Dactilografado e Distribuído por Lenore Dolphin;

Traduzido do Inglês, por Álvaro Costa. O original, em inglês, está aqui:

http://www.marathonguide.com/features/RaceReports/Dolphin/1892060819_GrizzlyMarathon2006.cfm

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Honni Soit Qui Mal Y Pense!

Esta malta do Fórum é lixada…!!

Publiquei o meu Post anterior no Forum de omundodacorrida.com , na esperança de que me ajudassem, mas levaram o caso para a malandrice!

Agora, em vez de me ajudarem a encontrar a bifa, criam charadas, evocam o ZéZé Camarinha… Tou bem arranjado!

Pois será que só a mim acontece eu fundir-me com o mundo quando corro? Lembram-se do texto sobre a “Corrida Mística”? Tudo o que me envolve, torna-se-me próximo, familiar, amigo, faz parte de mim e eu fico um autêntico hippie…!

Nada de malandrice, pois quem encontrei na corrida é meu amigo, ainda que o não saiba, e só achei que tinha piada fazer o contacto sem qualquer das ínvias e impuras intenções que esses malandros do Zen e da Ana me querem, sub-repticiamente, atribuir!

PCGC? Sim, conforme foi sendo estruturado o conceito, desde os pré-históricos tempos do fórum do atletas.net (acho que ainda lá está tudo, no tópico “Procuro Companheira que Goste de Correr). Mas nessa altura eu estava a chegar ao Fórum e à corrida, ainda não conhecia ninguém. Felizmente, agora, tenho amigos e amigas suficientes na corrida para poder treinar acompanhado em Monsanto, na Apostiça, na Machada, enfim, não preciso Procurar CGC, preciso é de PNSP (Procurar Não Ser Preguiçoso)…!

E quanto ao atrofiamento das portuguesas, já foi maior, acho, e ele deve-se aos maridos e namorados atrofiados, que têm medo que lhes roubem a mulher! Não? Então, onde estão as companheiras desses galifões, que nunca as trazem nem para uma caminhadazinha (enfie a carapuça quem quiser)?

Nisso, os ingleses são menos complexados, daí a maior participação da mulher inglesa nas corridas. Portuguesas? Sim, também me cruzei com elas, algumas são minhas amigas e já tenho o prazer do seu convívio nas corridas cá da casa, não preciso de as procurar – Mas ainda são raras excepções e não têm namorado do tipo…atrofiado!

Tem algum mal querer conhecer a inglesa? Acho que não, a corrida também é convívio, sem malandrice, além da amizade, da comunhão com a Natureza e com o ambiente urbano. E vejam só as compensações que esta minha investigação já me deu: Descobri, pesquisando no Google, um relato duma corrida no Estado de Montana, EUA, onde a Carla participou e de onde retirei uma pista que me vai dar a ela.

O texto é interessantíssimo, feito por um corredor espantoso, de 70 anos, Bob Dolphin, que vai fazer este ano … A sua 400ª maratona! Logo que esteja pronta a tradução desse relato, publicarei no meu Blog e talvez aqui também, se o pessoal estiver interessado. Entretanto, conheçam o Bob aqui:

http://www.marathonguide.com/feature...ns_Dolphin.cfm

Abraço a todos

terça-feira, janeiro 09, 2007

FINDING CARLA HAYES!

Ora vejam lá esta ideia que tive: Lembram-se daquele texto que pus no meu blog e que postei no fórum de omundodacorrida.com relatando a minha primeira maratona, feita a 15 de Outubro, no Porto? Estão aqui os “links” para o tópico respectivo e para o meu “blog”:

http://www.omundodacorrida.com/phpBB2/showthread.php?p=32411#post32411

aleddd.blogspot.com

Se forem relê-la, reparem numa referência que faço a “uma bifa jeitosa” com a T-shirt dos “Plumstead Runners”…Pois bem: E se eu a encontrasse? Afinal, ela acabou por fazer parte da história dessa minha corrida e ficou, com ela, a fazer parte do fórum!

Primeiro: Ela era uma veterana, e passei-a, acho eu, ao quilómetro trinta e picos (após a passagem frente à ponte, após o circuito de ida-e-volta); segundo, teria que ter mais que os meus 4h13’ 58’’ e pertencer aos Plumstead Runners.

Abro o http://www.maratonadoporto.com/ e vou ver os resultados das veteranas, femininas:

12 148 GINA LITTLE 100 MARATHON CLUB 04:13:25
13 106 DANIELLE CASSAGNE A C L TARNOS 04:16:34
14 91 CELIA AZENHA A A LEBRES DO SADO 04:16:35
15 126 ELIANA PEGORETTI INDIVIDUAL 04:18:23
16 149 CARLA HAYES 100 MARATHON CLUB 04:24:35
17 129 MIRJA HAVERINEN INDIVIDUAL 04:42:02
18 101 LINDA MAJOR 100 MARATHON CLUB 04:54:54
19 103 BASTIE MARTINE A C L TARNOS 05:07:33

Ora, a Gina Litlle está de fora, passou minha frente; A francesa Daniele, não é, as “nossas” Célia Azenha e Eliana Pegoretti também não… Bom, temos duas inglesas, a correr pelo 100 Marathon Club e nada dos Plumstead Runners… Terá que ser uma delas, que vieram penduradas no Clube 1OOM: A Linda Major, não pode ser (a “bifa” vinha bem ao km 30, não ia “fazer” mais 40 minutos que eu nos 12 kms seguintes)…Portanto, só pode ser…


CARLA HAYES!...

E agora, como contactá-la? Aceitam-se sugestões: Farejá-la? Googlá-la? Quem quer ajudar?

Abraço a todos

quarta-feira, novembro 29, 2006

CORRIDA MÍSTICA - QUEM SOU EU?

Saindo da sessão de yoga, meto-me no boguinhas de regresso a casa. Paz e serenidade, o carro leva-me suavemente, vou entrando em Monsanto, meu local de treinos. Ocorre-me então que vinha mesmo a calhar uns 11 km de corrida… Já estava ali, fato de treino e ténis adequados, porque não aproveitar? Ontem não tinha treinado as 3 horas por causa da constipação, mas hoje estou melhor, porque não?
Um pequeno desvio e entro no parque de estacionamento do Centro Ambiental. Curiosamente, o parque de estacionamento está deserto e tudo está silencioso. Reparo que, embora sendo só 21 horas, não me cruzei com nenhum automóvel no percurso de Monsanto, desde a Cidade Universitária até ali. Sinto um qualquer mistério calmo no ar, uma atmosfera especial que não sei descrever.

Fecho o carro, ligo o cronómetro e arranco. O meu corpo, preparado pela sessão de Yoga, está prontíssimo para a corrida e lá vou eu. Na estrada deserta, a mata é banhada pela luz amarela dos candeeiros. Primeiro, o troço é a descer e vou acelerando. Da mata, vem-me o pio duma coruja. Curioso, sempre corro ali à noite, sempre ouvi as corujas, mas hoje aquele pio era diferente, mais nítido e envolvente. Aproxima-se a subida… Esta subida, de curvas e contracurvas, é o calvário dos corredores. A princípio, via-me aflito mas agora, subo-a toda a correr e nos fins de semana, divirto-me a ultrapassar os ciclistas de Domingo que acabam por se apear, estoirados, sem fôlego para mais. Mas agora a estrada está deserta, aquela luz amarela, neste estranho dia de hoje, ilumina dum modo diferente, transformando a paisagem num cenário de desenho animado, de Branca de Neve, de Capuchinho vermelho, de Gata Borralheira… Passada a curva, um sobressalto: Lá adiante, a uns 200 metros, um lobo.

Um lobo em Monsanto??? Bom, não sei, estes ecologistas radicais bem capazes disso são, coelhos não faltam, já introduziram os esquilos, se calhar introduziram lobos também, para fechar a cadeia ecológica… Resolvo adoptar a minha estratégia para os cães, essa ameaça dos corredores: Não mostrar medo, prosseguir o caminho com decisão. Assim vou avançando e aproximando-me do bicho. Deveria meter-me por um desvio na mata, discretamente evitá-lo, mas curiosidade e um sentido de poder faz-me prosseguir. O lobo está agora a uns 100 metros mas, quando avanço mais, ele entra num galope curto e volta a afastar-se, mantendo a distância. Olho à volta, procuro um pau, uma pedra, quem sabe se ele me ataca?

Existem uns calhaus na berma escavada, ramos caídos mais dentro da mata, bom, se houver azar, terei que usar alguma arma. Sinto-me um homem das cavernas, quase outro animal. Aproximo-me da berma e meço com olhar os pedregulhos, são demasiado grandes. Um tronco é mais manuseável, olho os ramos caídos, para apanhar um sem parar de correr. Mas reparo que o lobo prossegue com o rabo entre as pernas, mirando-me de esguelha. Está com medo de mim!
De facto, cresce em mim a sensação de poder, de força, como sempre quando o meu organismo já está quente e a corrida entra em velocidade de cruzeiro. Resolvo acelerar, o lobo entra novamente a galope e ganha distância. Desaparece na curva e eu sigo-lhe no encalço. Volto a vê-lo, está de novo a uns 150 metros mas parou, atravessado na estrada, agora o rabo arqueado para cima, e…ladra!

Não é um lobo, é um cão, mas já não tem medo de mim, ladra e não sai do meu caminho! Sem mostrar medo, aproximo-me e reconheço o local e o cão: Aqueles são os cães que guardam uma das casas da guarda-florestal, geralmente dentro da vedação. Só que este, o maior, hoje está cá fora e pronto a proteger o seu território!
Tento fazer uma diagonal que evite o cão, sem me desviar ostensivamente. O cão continua a ladrar, mas eu resolvo prosseguir, embora sinta a tensão e a adrenalina a aumentarem dentro de mim. O cão persegue-me, no mesmo ritmo da minha passada, o focinho dele escolta-me a centímetros das minhas pernas…Ai, pressinto a mordidela e transporto-me para umas dezenas de anos atrás, uns milhares de quilómetros para Sul. Norte de Angola, 1969, perto do quartel de Zala: O tiroteio irrompe no vale, só me resta correr colina acima, para os abrigos, as balas a baterem no chão ao meu lado, e eu antevendo a dor quente dum tiro certeiro nas costas. Que não veio. Nem mordidela. O cão, cumprida a sua missão de proteger a casa do dono, deixa-me em paz.

A inclinação da estrada muda, atingi o ponto mais alto, agora é a descida suave. Acelero de novo, rumo ao parque de merendas. Finalmente, gente? Não, há lenha e carvão ainda incandescente num grelhador, mas os comensais já se retiraram. Mesmo no Inverno, imigrantes usam estes grelhadores para preparar as suas refeições. Até com tempo a ameaçar chuva, como hoje. Passo sobre a autoestrada, em baixo vão carros, mas, entre as rotundas, cá em cima, nada. Estranho!
Aproximo-me do Anfiteatro Keil do Amaral, uma bela esplanada virada para o Tejo, toda a outra banda, a Ponte e, ao longe, Palmela, Sesimbra, o céu iluminado de Setúbal. Que maravilha! Passo ao lado do restaurante de Montes Claros e inicio o retorno, vou agora sob o viaduto da auto-estrada, corro entre a mata de altos pinheiros. Corujas de novo! Será a mesma? Não, são outras avisando da minha presença. Depois da curva, nova paisagem deslumbrante, agora, os bairros periféricos do Norte de Lisboa, o seu luzeiro entre a neblina. Lá, chove, troveja, vejo relâmpagos e os trovões distantes, que soam também estranhos, mas familiares e amigos.

Acelero na descida, a passada enérgica e cadenciada, o bater violento do coração, a respiração forte e ritmada leva-me, o corpo todo entregue às mil e uma impressões e de dentro de mim, vem um canto:

Foooo – fá! Foooo – fá!
Foooo – fá! Foooo – fá!
Eu sou o ar e a respiração
Eu sou o lobo, eu sou o cão
Eu sou a estrada e sou o chão
Sou o relâmpago e o trovão

Foooo – fá! Foooo – fá!
Foooo – fá! Foooo – fá!
Inspiração, expiração
Eu sou a luz, a escuridão
Eu sou a pedra, a escavação
Eu sou amor e a solidão!



Álvaro Costa

sexta-feira, novembro 03, 2006

A RELAÇÃO MENTE-CORPO E A ADAPTAÇÃO AO TREINO

TEXTO DA AUTORIA DE STEPHAN SEILER


EXTRAÍDO DO SITE home.hia.no/~stephens/brnbody.htm



Porque a maior parte dos fisiologistas do esforço centram a sua atenção nos músculos e na fisiologia sistémica, temos tendência para tratar o cérebro como uma misteriosa caixa negra, mas essa atitude está a mudar. Por mim, começo a reconhecer que preciso de aprender mais sobre o impacto do exercício sobre o cérebro, e o impacto da actividade cerebral na actividade física.
Neste texto, tentarei expor algum do material proveniente de 25 anos de trabalho do Dr.Heinz Liesen. Ele foi médico da selecção nacional alemã de futebol a qual, apesar das suas modestas capacidades, alcançou a final da taça do Mundial em 86 e 90. Foi também médico da equipa de Hóquei de Campo e da equipa do Combinado Nórdico (combinação de corta-mato e saltos, em esqui). Hoje, centra-se de novo na medicina preventiva. O conhecimento que adquiriu, resultante do acompanhamento de determinados atletas (e de pessoas activas não atletas) durante vários anos, com extensa monitorização da reacção imunológica, dos esquemas de treino, do desempenho físico e até da localização da actividade das ondas cerebrais, é único nessa área. Algum do material exposto baseia-se também no crescente corpo de conhecimentos produzido nos Estados Unidos e na Alemanha.


O Cérebro É o Centro do Desempenho Desportivo


Depois de tanto se falar de coração e músculos, pode parecer uma asneira dizer isto, mas é uma realidade: O cérebro, ao mesmo tempo que desencadeia todos os nossos movimentos voluntários, reage à tensão criada pelo próprio exercício. E, até certo ponto, a tensão aparece como uma qualidade omnipresente. O cérebro reage à tensão provocada pelo trabalho, condução, treino, competição. O impacto sensível desta tensão, pode-se revelar de várias maneiras:

Níveis de Catecolamina em Repouso - O treino adequado tende a causar a predominância parasimpática (repouso e recuperação) no atleta bem preparado. Contudo, se os esforços do treino forem demasiados, os níveis da hormona simpática (a da luta ou projecção) mantêm-se altos mesmo quando em repouso, o que é sinal de recuperação incompleta. Uma manifestação exterior desta alteração é um ritmo cardíaco elevado em repouso, embora existam outros sinais mensuráveis mais sensíveis que este. Outra característica do ritmo cardíaco em repouso é um certo grau de irregularidade: Existe uma variação considerável nas batidas, podendo medir-se pequenas variações do intervalo entre batidas sucessivas. É um facto que esta variação diminui, perante a expectativa duma tarefa, pois o estímulo simpático aumenta.

Razão Testosterona/Cortisol – A Testosterona é uma hormona anabólica, que desempenha um papel na regeneração e reparação do músculo e dos tecidos. O Cortisol é uma hormona catabólica que estimula a desagregação dos tecidos. Por exemplo, o nível de cortisol é elevado em situações de fome extrema, quando o tecido muscular é catabolisado para se converter em energia. Os níveis de testosterona tendem a ser maiores em indivíduos com elevada capacidade de treino duro e rápida recuperação (e naqueles que a recebem através de injecção). Os níveis de testosterona são naturalmente mais baixos nas mulheres do que nos homens (Cerca de 10 vezes menos). Em muitos estudos, a razão testosterona/cortisol mostrou ser um indicador dum estado de estagnação e sobrecarga de treino em atletas de alta competição.

A Função do Sistema Imunológico – Sistema Imunológico é uma designação simples dum sistema celular adaptável interno, que responde à invasão de substâncias estranhas e as elimina, ou minimiza a sua capacidade de replicar. A resposta do sistema Imunológico a uma invasão estranha pode-se modificar, na sua rapidez e na sua magnitude. O exercício cria mudanças drásticas e permanentes na função do sistema Imunológico. O exercício violento mostrou causar uma depressão transitória de certos componentes do sistema Imunológico, criando uma janela de susceptibilidade à infecção de várias horas após um esforço extremo. A tensão dum exercício intenso tem um efeito bifásico na função imunológica. Isso demonstra-se de vários modos:
Primeiro, a incidência das infecções do tracto respiratório superior (ITRS) diminui com o exercício moderado, mas aumenta nos atletas em treino duro (curva em J). Em segundo lugar, a amplitude da resposta imunológica a um determinado antigénio diminui em atletas sobrecarregados. Existem equipamentos de diagnóstico que permitem a aplicação controlada de 7 alergénios na pele do antebraço. A área total das consequentes reacções da pele dão a medida quantitativa do vigor do sistema Imunológico dum determinado indivíduo. Estas medições são de rotina em muitas equipas nacionais na Alemanha e Escandinávia.
Talvez a informação mais interessante que lhes posso fornecer seja também a que me é mais difícil de compreender, com os meus diminutos conhecimentos da química do cérebro: Parece que a mente interage com o sistema Imunológico e modula a resposta imunológica. Isto foi rotundamente demonstrado pelo Dr. Liesen. Comparando o sangue extraído imediatamente antes, e 1 hora depois de um diagnóstico inesperado, mas causador de tensão, observou mudanças bem evidentes na capacidade de resposta dos leucócitos sanguíneos. Esta modelação mental da função imunológica aparenta envolver a libertação, pelo cérebro, de compostos químicos específicos imuno-modeladores, em resposta ao estímulo emocional.

Perfis Psicológicos – Foram desenvolvidos vários instrumentos de pesquisa que parecem ser sensíveis às mudanças emocionais que acompanham ou precedem as modificações psicológicas e de desempenho associadas a um estado de sobrecarga. Esses instrumentos vão detectar a corrente disposição, a ansiedade, a qualidade do sono, o desejo de treinar, etc.

O Que É O Exercício Físico

Abaixo está o modelo apresentado pelo Dr. Liesen, baseado na sua experiência e investigação, ilustrando o potencial dos efeitos positivos e negativos do exercício físico na saúde e no desempenho de topo.

No mundo actual do desporto de alta competição, a verdadeira limitação à melhoria contínua deslocou-se, da quantidade do treino, para a capacidade de recuperação da mente e corpo. Muitos atletas da elite treinam 50 semanas por ano, por vezes 3 – 4 horas por dia. Quando esta violenta pressão física se combina à tensão das cada vez mais frequentes competições para satisfazer patrocinadores e comunicação social, e com a tendência para retirar tempo ou interesse ás distracções mentalmente criativas, os resultados são desastrosos. O que de facto vemos, se observarmos atentamente, é a súbita aparição de figuras extremamente talentosas, seguida, dois ou três anos mais tarde, do declínio das suas capacidades, ou mesmo da sua retirada de cena. Por detrás desses esgotamentos precoces está geralmente um treinador ou uma secção desportiva demasiado exigente.
O sucesso das equipas e dos atletas individuais dirigidos pelo Dr. Liesen não foi devido a uma intensificação do seu treino. Pelo contrário, a aplicação cuidada de mais treino “ de recuperação” de baixa intensidade e até mesmo dias de descanso total foi a chave.
Um jornal citou recentemente o atleta Bjorn Dahlie: ”Um dia sem treino é um dia sem valor”. Três semanas depois, ele teve de se retirar do campeonato nacional, por doença. O descanso é importante.
Importa também o modo como descansamos: Por exemplo, O Dr. Liesen observou que os atletas de futebol tinham tendência para, entre as sessões de treino, se limitarem a refastelar-se e a ver televisão, ficando as suas mentes quase num estado de vegetal. Para lhes aumentar a criatividade mental, levou os membros das suas equipas a visitar museus, a estudar línguas, a fazer peças de artesanato, isto, no auge dos treinos e da Taça Mundial. Os resultados foram excepcionais: Modestas equipas alemãs chegaram à final do Mundial em 1986 e 1990 (esgotando só aí as suas capacidades, em ambos os casos). O seu sucesso deveu-se, em larga medida, ao facto de se terem mantido saudáveis e fortes ao longo de todo o campeonato.
Quando observamos o modelo acima, vemos que o nível de exercício e a actividade mental criativa são, ambos, potenciais factores de bom desempenho e boa forma física. Quando construímos um programa de treino, temos que considerar a mente assim como o corpo.
O atleta típico não treina o mesmo volume que os atletas de elite. Então, poderemos pensar, “O excesso de treino não me afecta, porque só treino 12 horas por semana”. Mas, temos uma profissão, filhos pequenos, uma hora de ponta no trânsito, todos os dias; devemos então perguntar-nos: Todas as nossas sessões de treino são intensas? Será que cada corrida que fazemos se tornou numa prova de competição? Outras das nossas actividades de tempos livres desapareceram? Quando não estamos a treinar, estamos a pensar no treino...? Se respondeste sim à maior parte destas perguntas, há que reavaliar o nosso programa de treinos e o modo como encaramos o exercício.

A estratégia a longo prazo

Na Escola e ao nível académico, no mundo inteiro, o tempo está sempre a contar. Os atletas sentem a pressão para atingir o seu máximo “já nesta temporada”. Em muitos casos, isso conduz a ciclos anuais que não têm em conta o sequente desenvolvimento do atleta "depois". Mas, um atleta maduro, deve sempre lembrar-se de que está nesta jogada para o longo prazo: o treino é um processo prolongado de aprendizagem e de aperfeiçoamento físico e técnico. As medalhas vão para os que conseguem combinar talento e paciência, intensidade com inteligência. Em última análise, independentemente do nível de desempenho de cada um, o prazer do atletismo é mais doce quando serve para apurar na nossa vida, não apenas o nosso VO2 máximo...!

TEXTO DA AUTORIA DE STEPHAN SEILER
EXTRAÍDO DO SITE home.hia.no/~stephens/brnbody.htm

Trad. do inglês, de Álvaro Costa
aleddd@gmail.com
Com colaboração da Drª Clementina Figueiredo

quarta-feira, outubro 25, 2006

Sobre o treino Moffetone

tradução de Álvaro Costa e José Carlos Jorge
Quer Velocidade? Vá Devagar!
Pelo Dr. Maffetone
O monitor de ritmo cardíaco (1) ainda é um companheiro de treino subavaliado e mal compreendido: Hoje em dia, muitos corredores têm monitor, mas não tiram dele o proveito correspondente ao seu custo.
Na verdade, os HRM são apenas unidades de bio-resposta (2). O Dicionário Médico de Dorland define bio-resposta como “o processo que fornece informação audio-visual sobre o estado duma função do corpo humano de modo a poder-se exercer controle sobre essa função”, Como estudantes nos anos 70 envolvidos num projecto de investigação, medimos as respostas do ser humano a vários estímulos psicológicos; sons, efeitos visuais e uma variedade de estímulos físicos, incluindo a actividade física. Avaliaram-se as reacções observadas, medindo-se a temperatura, a transpiração e o ritmo cardíaco. Tornou-se evidente que o uso do HRM para medir objectivamente uma função corporal era simples, preciso e muito útil. E era obvia a sua aplicação no desporto. Para mim, foi o começo dum longo processo de utilização dos HRM nos atletas.
No começo dos anos 80, eu utilizava esses monitores em três aplicações importantes:
• O treino
• A auto-avaliação
• A corrida
O Treino
O uso de HRM no treino tem dois aspectos importantes. O primeiro de todos é que os atletas de resistência têm que construir uma boa base aeróbica, uma noção promovida décadas atrás pelo o famoso treinador de corredores Arthur Lydiard. A segunda coisa a ter em conta tem a ver com o ritmo cardíaco específico seguido no treino e com a maneira como um corredor determina o seu importante valor. Vejamos cada um desses aspectos por si:
Construção duma base aeróbica quer dizer treinar apenas na zona aeróbica. Durante o período da construção da base excluem-se treinos anaeróbicos (incluindo corrida). A actividade anaeróbica falseará o desenvolvimento eficiente na base aeróbica, pelo que todos os treinos são exclusivamente aeróbicos. Isso inclui a sessão longa de Domingo, o correr no sobe e desce dos parques florestais e qualquer outro treino em que haja uma forte influência de outros corredores ou do próprio terreno. Para além disso, o período da construção da base anaeróbica não tem levantamento de pesos, uma vez que o halterofilismo é também uma actividade anaeróbica.
Existem várias razões porque os treinos anaeróbicos podem inibir a construção da base aeróbica:
• O treino anaeróbico pode diminuir o número de fibras musculares aeróbicas, por vezes de forma significativa. Bastam, para isso, umas poucas semanas de treino a ritmo elevado demais.
• O ácido láctico produzido no treino anaeróbico pode inibir as enzimas musculares aeróbicas necessárias à construção da base aeróbica.
• O treino anaeróbico eleva o quociente respiratório. Isto significa que aumenta a percentagem de energia derivada do açúcar e diminui a queima das gorduras. Com o passar do tempo, isto pode forçar a mais metabolismo anaeróbico e a menos, aeróbico.
• O stress também pode inibir o sistema aeróbico. O stress é quase sinónima de treino anaeróbico. Stress excessivo eleva os níveis de cortisol, o que acaba por aumentar os níveis de insulina, inibindo a queima das gorduras e aumentando a utilização do açúcar, promovendo o metabolismo anaeróbico e inibindo a actividade anaeróbica.
O treino da base aeróbica é, muitas vezes, um período em que o treino de disciplina, dedicação e trabalho duro são primordiais. A maior parte dos atletas acham que estes três atributos têm a ver com dureza, grande esforço e sofrimento. Mas torna-se frequentemente bem mais duro que isso: O treino correcto durante a base aeróbica é, para muitos atletas, o mais difícil do meu programa: É a capacidade de correr devagar, não obstante o que os outros atletas possam estar a fazer ou a dizer. Nas provas mais longas, 95 a 98% da energia gasta vem do sistema aeróbico. É esta outra razão para eu recomendar que a maior parte do treino dirigido à melhoria deste processo.
A construção duma boa base aeróbica leva cerca de três meses. Para corredores que perderam a sua capacidade competitiva, que têm problemas crónicos (lesões, doenças), ou que não conseguem perder o peso que têm a mais, uma base mais longa – até seis meses – pode operar maravilhas.
Mas põe-se a questão: Que ritmo cardíaco usar para o treino aeróbico? O mais importante do treino com HRM será o saber qual o ritmo cardíaco a utilizar. Todos conhecemos a fórmula 220 menos a idade, multiplicada por 65 – 85%. Mas este método não tem fundamento. O ritmo cardíaco máximo duma pessoa deve ser de 220 menos a idade. Contudo, quem já se lançou numa pista ou numa corrida para chegar ao seu ritmo cardíaco máximo, terá descoberto, tal como mais de metade das pessoas, que não é o que a fórmula prevê. E depois, a percentagem: qual adoptar – 65%, 75%, 80%? Em vez de nos deitarmos a adivinhar, podemos usar uma fórmula nova, fundamentada cientificamente. Vejam mais adiante o texto sobre a Fórmula 180, que fixa o melhor ritmo cardíaco para a construção duma base aeróbica.
No começo, o treino a este ritmo cardíaco causa tensão emocional ao atleta. “Não consigo treinar assim tão lentamente!” é um comentário muito comum. Mas dentro de pouco tempo, não só se sentirá melhor, mas também a sua passada será mais rápida ao mesmo ritmo cardíaco. Um benefício significativo da aplicação da Fórmula 180 ao treino é a resposta bioquímica do corpo: A produção de radicais livres é mínima, comparada com a corrida a ritmos mesmo um pouco superiores. Estas substâncias químicas podem contribuir para problemas degenerativos, inflamações, doença do coração e câncer, para já não falar no acelerar do processo de envelhecimento. Usando a Fórmula 180, pode-se correr mais sem se arriscar a entrar em tensão bioquímica.
A Fórmula 180 Para achar o ritmo cardíaco máximo (aeróbico):
1. Subtrair a idade de 180 (180-idade).
2. Modificar este número segundo uma das seguintes situações:
• Para quem convalesce de uma doença grave /Coração, uma operação, um internamento hospitalar) ou está com uma medicação prolongada, subtrai-se 10;
• Para quem nunca treinou ou treinou mas ficou lesionado, retoma a corrida após um interregno, ou tem alergias ou está frequentemente constipado, subtrai-se 5;
• Para quem pratica desporto há dois anos sem problemas e só se constipa uma ou duas vezes por ano, subtrai-se 0;
• Para quem tem praticado por mais de dois anos sem qualquer problema e vai progredindo na competição sem problemas, soma-se 5.
Por exemplo, quem tem 30 anos e cai na segunda situação, acima: 180-30=150 e 150-5= 145. É este o seu ritmo cardíaco aeróbico máximo. Para uma construção de base aeróbica eficiente, deve treinar dentro ou abaixo desse valor durante todo o período de treino.
Auto-Avaliação
Um benefício significativo da construção duma base aeróbica é a capacidade de se correr mais depressa com o mesmo esforço, isto é, com o mesmo ritmo cardíaco aeróbico. E uma vantagem do uso do HRM é a possibilidade de medir objectivamente estas melhorias, utilizando o teste da função aeróbica máxima (MAF) (3).
O teste MAF mede objectivamente a evolução da velocidade aeróbica durante a construção da base. Velocidade aeróbica significa que se pode correr mais depressa com o mesmo ritmo cardíaco aeróbico. Normalmente, julga-se que apenas o trabalho anaeróbico dá velocidade. Mas os desenvolvimentos aeróbicos também dão e sem o desgaste que muitas vezes acompanha o treino duro. Faz-se o teste MAF numa pista com o HRM, correndo ao ritmo cardíaco máximo (aeróbico). Três a cinco milhas fornecem dados seguros, embora o teste de apenas uma milha seja suficiente. Faz-se o teste depois de um aquecimento ligeiro.
Abaixo está um exemplo concreto dos resultados obtidos com um corredor praticando o teste MAF ao ritmo cardíaco de 150:
Milha 1 8:21
Milha 2 8:27
Milha 3 8:38
Milha 4 8:44
Milha 5 8:49
Durante qualquer teste MAF, é normal os tempos aumentarem, sendo a primeira milha sempre a mais rápida e a última, a mais lenta. Se assim não for, quer dizer que não se fez um aquecimento prévio adequado. Para além disso, o teste deve mostrar tempos mais rápidos à medida que as semanas de treino passam. Por exemplo, em quatro meses, pode-se ver o progresso da resistência neste caso concreto:
Abril Maio Junho Julho
Milha 1 8:21 8:11 7:57 7:44
Milha 2 8:27 8:18 8:05 7:52
Milha 3 8:38 8:26 8:10 7:59
Milha 4 8:44 8:33 8:17 8:09
Milha 5 8:49 8:39 8:24 8:15
Este progresso geralmente só se verifica na base aeróbica. Se se acrescentar trabalho anaeróbico ou corrida ao ritmo de treino próprio de cada atleta, o progresso não será tão bom, ou, mesmo, não haverá progresso nenhum.
Execute-se o teste MAF regularmente, ao longo de todo o ano e registem-se os resultados individuais. Recomendo que se faça o teste de três em três ou de quatro em quatro semanas. A maior vantagem do teste é a possibilidade de nos informar objectivamente de qualquer obstáculo muito antes de se sentir algo ou dele acontecer na forma de uma lesão ou de um decréscimo de desempenho. Se alguma coisa interfere com o progresso – treino inadequado, má dieta, tensão excessiva – não se quererá ficar à espera que algo desagradável aconteça, quando já for tarde.
O teste MAF avisa-nos, fornecendo tempos demasiado baixos, meses antes de os problemas acontecerem.
Corrida
Outro aspecto importante do HRM e do teste MAF é que o teste permite prever os resultados. Há uma relação directa entre o ritmo aeróbico e o esforço na corrida, por outras palavras, se os resultados do teste MAF melhoram, melhorará a capacidade na corrida. Os dados obtidos com centenas de corredores durante vários anos tornaram evidentes que o desempenho dum corredor ao ritmo do máximo aeróbico está na proporção directa do ritmo de competição.
A tabela abaixo, baseada em dados reais, ilustra a relação entre o MAF e o desempenho numa corrida de 5 quilómetros:
ritmo de
ritmo de MAF competição MAF competição 5Km
Minutos / milha // Minutos / Km // tempo
10:00 7:30 6:13 4:40 23.18
9:00 7.00 5:36 4:20 21:45
8:30 6:45 5:17 4:12 20:58
8:00 6:30 4:59 4:02 20:12
7:30 6:00 4:40 3:44 18:38
7:00 5:30 4:21 3:25 17:05
6:30 5:15 4:03 3:16 16:19
6:00 5:00 3:44 3:06 15:32
5:45 4:45 3:35 2:57 14:45
5:30 4:30 3:25 2:48 13:59
5:15 4:20 3:16 2:42 13:28
5:00 4:15 3:07 2:38 13:12
O uso do monitor de ritmo cardíaco como guia ao longo dos períodos de construção de base aeróbica não só ajudam a se ficar com saúde, mas também, a se alcançar o melhor desempenho possível, durante muitos anos.
O Dr. Philip Maffetone tem treinado muitos atletas de nível mundial e atletas de vários escalões, na maior parte dos desportos, por mais de 20 anos. O seu livro mais recente é Na Saúde e Na Boa Forma e o seu novo livro, Treino Para A Resistência, tem a saída prevista para Dezembro (Barmore Productions, 607-652-7610).
Concedida autorização de divulgação, desde que dela se dê conhecimento ao autor, à FootNotes e à Road Runners Club of América.
Traduzido do inglês, por José Carlos Carreira Jorge e Álvaro Costa. Concedida autorização de divulgação da tradução, desde que indicados os tradutores.
Notas dos tradutores:
(1): HRM, de “Heart Rate Monitor”
(2): biofeedback, em inglês
(3): MAF, de Maximum Aerobic Function
Em 2005, o seu último livro chama-se The Maffetone Method: The Low-stress, No-pain Way to Exceptional Fitness de Agosto 1999
Fix Your Feet: Build the Best Foundation for Healthy, Pain Free Knees, Hips and Spine de Janeiro de 2004 um livro sobre fisioterapia
O Dr Maffetone foi considerado o Treinador do Ano em 1994 pela Triathlete Magazine e também foi considerado pela Inside Triathlon uma das 20 pessoas + influentes nos desportos de endurance