quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Carla Hayes: Contacto!

Há cerca de 8 meses, escrevi o primeiro texto nesta “Feira das Vaidades", explicando a razão da sua criação e do seu nome (vejam lá em baixo, em Junho). Pretendia usar este blog como um simples armário onde arquivaria as minhas produções…
Mas, claro, as pessoas vão entrando, manifestam-se, o Ego vai inchando, inchando e depois queremos continuar sempre apelativos a quem nos visita. Em resumo: isto transforma-se, de facto, numa feiras das vaidades. ‘Tão a ver?
Só que a minha produção não é assim tanta, ou talvez a minha preguiça seja maior que a vaidade, e o “armário” permanece mudo e quedo, as pessoas entram, encontram o blog parado e não voltam. E o MEU EGOOOO?????!!!!

Portanto, meus amigos, quero que voltem à minha Feira das Vaidades. E como a minha produção não é assim tanta, preparem-se para uma visitinha quinzenal, por enquanto, não mais. Tentarei recebê-los com, no mínimo, um cházinho e umas bolachitas…
Até agora, pus cá traduções, o que continuarei a fazer, e alguns textos tirados de intervenções minhas no fórum do site omundodacorrida.com. Agora, irei começar a introduzir alguns comentários sobre alguns temas que me interessam, talvez polémicos, algumas fotos e também textos de amigos a quem terei o prazer de ceder espaço aqui.
Mas atenção: isto não são promessas eleitorais, se me faltar tempo e inspiração, e regressar ao blog-armário, tenham paciência…


Para aqueles que têm lido os últimos textos, devo dizer-lhes que a minha saga à procura de Carla Hayes terminou com sucesso: Saltando de amigo em amigo na Net e na corrida, passando pelos EUA e Inglaterra, recebi uns tempos atrás a resposta da Carla: “I understand you are looking for me. Well, here I am. What can I do for you?” - “Vejo que me procuras. Bem, aqui estou. Em que posso ser-te útil?”

BINGO!

…Mas as sagas já não são o que eram… Foi tão fácil! A demora foi mais porque não quis referir-me à nossa amiga sem lhe explicar porque a contactava e que pretendia dá-la a conhecer aos meus amigos do blog e, em particular, aos do fórum das corridas. E a Carla, sendo uma pessoa muito ocupada, demorou a responder.
Finalmente, chegou uma sucinta resenha das suas actividades desportistas, o que a revela uma activíssima corredora que tal como os meus amigos do fórum, vêm a corrida como um meio de contactar a natureza e conhecer outros amigos, sendo que, no caso dela, esse contacto é feito, ao vivo e pelo mundo inteiro! Ora vejam bem:

(…) A do Porto foi a minha 21.ª maratona.
Fiz a minha primeira Maratona em 1992 (Londres). Entrei para um clube de corridas (os Plumstead Runners) em 2006. Faço Maratonas de estrada e a corta-mato. Corro para manter a forma, conhecer pessoas e viajar.
O ano Fiz Maratonas em Berlim, Nova Iorque, No Somme (França), nas Ilhas Feroe (Escócia), Montana, Utah (EUA), Benidorm (Espanha) e várias outras no Reino Unido.
Este ano corri uma Meia Maratona e uma Maratona em Disney (Florida) e uma Maratona em Marraquexe (Marrocos). Vou agora para Valência na próxima semana (11 de Fevereiro) fazer a Maratona de lá.
Tenho umas quantas na calha para este ano incluindo a de Londres (era para a fazer o ano passado mas caí ao fazer ski e aleijei-me do joelho), do Lago Windermere, no Tyrol, em Berlin (esta fazemo-la todos os anos porque Greenwhich, onde vivo, está geminada com uma cidade da área de Berlin), Memphis e Honolulu. E muitas outras no Reino Unido e mais umas quantas que ainda não decidimos quais.
(…)

QUE VIDÃO…!

...Agora, vou procurar o camarada com o dorsal 198, o António Ribeiro, que ficou atrás de mim na foto que o Moutinho tirou, no Castelo do Queijo...Quem me ajuda?

segunda-feira, janeiro 15, 2007

A Maratona do Urso Grizzly

Na busca de Carla Hayes, encontrei uma pista que me foi dada por Bob Dolphin.

Este espantoso maratonista já lhes foi apresentado no meu último "Post". No seu último texto refere Carla Hayes: Ela vinha num grupo de britânicos, com Gina Little (que também correu na Maratona do Porto, ficando à minha frente) e Roger Biggs. Ora Roger Biggs é director do Clube Britânico 100 Marathons, pelo que o poderei contactar por aí e pedir-lhe que comunique à sua amiga Carla o meu desejo de a conhecer!

Agora vejam lá o interessante relato dessa maratona realizada no estado de Montana, EUA, onde participou a Carla Hayes. A tradução integral do texto, devidamente autorizada pelo seu autor, vai a seguir:

A Maratona do Urso Grizzly, 19 de Agosto de 2006

Reportagem da Corrida, por Bob Dolphin

A Maratona do Grizzly tem sem dúvida, um nome curioso. A designação é apropriada, porque a Maratona decorre numa área de recuperação do urso grizzly, nas Montanhas Rochosas, no estado de Montana do Norte. Parte do percurso, no sopé destas montanhas, é o habitat desse urso e um corredor avistou um grizzly, durante a corrida. A Maratona do Grizzly em 19 de Agosto de 2006 foi no belo cenário da Terra do Grande Céu, onde se desdobram planuras relvadas que alimentam gado e vida selvagem estendendo-se por muitas milhas em todas as direcções. Para Oeste, erguem-se abruptamente montanhas com penhascos.

A recepção dos corredores teve lugar no dia anterior à corrida, Na pousada Stage Stop em Choteau, Montana. Lá, tivemos oportunidade de conviver com os corredores, incluindo alguns amigos de Reino Unido. Os quatro que viajaram até aos Estados Unidos para duas maratonas em duas semanas foram o Roger Bigs, Jack Brooks, Gina Little e Carla Hayes. O Roger é presidente do Clube 100 Maratonas original que se baseia em Londres, Inglaterra. O Jack, a Gina e eu somos também membros deste clube. Desfrutámos a companhia deles na Pasta-Party ao jantar de véspera, na igreja local e no restaurante em Fairfield depois da maratona, com Jim Scheer.

Os antigos vizinhos de Lenore, de Renton, que ela já não via há muitos anos, Mary e Moe Embleton, encontraram-nos na recepção aos corredores e, juntos, demos uma volta pelo trajecto da maratona. A meta e partida da maratona eram a 40 km de Choteau, de modo que essa foi uma boa ideia, pois seria um perfeito desafio encontrar o caminho no escuro da manhã seguinte.
A primeira tarefa do dia da Lenore, como voluntária, foi dar apoio aos participantes no estacionamento, às 5 horas desta manhã escura de Sábado. Depois de se tocarem os hinos nacionais Americano e Canadense, o pelotão dos 101 maratonistas e 150 meio-maratonistas largou a linha de partida de madrugada (6:30 da manhã). Correram juntos 40 metros e depois seguiram em direcções opostas num entroncamento.

Os maratonistas correram num trajecto rectangular no sentido dos ponteiros do relógio. Os primeiros 11 km foram pela estrada pavimentada de Teton Canyon e eu passei 10 corredores na recta guarda do pelotão. Depois, virámos para uma estrada de gravilha (gravilha de tamanho especial de Montana!), e foi este o piso de todo o resto da corrida. Por vezes apareciam rastos de pneus onde se juntavam detritos, o que era uma melhoria no piso, comparado com a pedra solta. A altitude flutuava entre os 1.230 e os 1.480 metros em terreno ondulante com duas elevações principais. A mais alta era na viragem ao quilómetro 30, num troço de ida e volta.

A primeira metade foi bem, e corri na maior parte do tempo. Na segunda metade, como a temperatura do ar subiu aos 30 graus sob um céu limpo, caminhei bastante. Foi bom encontrar os amigos David Nemoto, March Frommer, Jim Scheer, Boonsom Hartman, Larry Macon, Jim Simpson, Roger Hauge e os britânicos, no troço de ida-e-volta de 6,4 km.

Nos últimos 8 km caminhei num passo de 10 minutos/km e acabei em 6 horas, em 93º lugar dos 100 que finalizaram e em 3º dos três corredores com mais de 70 anos. A Lenore recebeu-me à chegada e deu-me a minha medalha de conclusão de prova.

Foram distribuídos geles, água, bebidas isotónicas e fruta ao longo da corrida a espaços de três quilómetros, dados por voluntários simpáticos. Na meta, os corredores saborearam carne de churrasco, salsichas, refrigerantes e outras comidas, a coroar a sua “aventura e triunfo sobre a adversidade”.

No mês passado, na maratona Paul Bunyan no Maine, vi Raef Guiges, de 50 anos, um CPA de Torrance, CA, que levava uma grande bandeira dos Estados Unidos com uma cruz no cimo do pau. Ele é um membro do Clube de Maratona dos 50 Estados que participou, do mesmo modo, na Maratona de Grizzly . O “site” da sua organização (
WWW.godisloveonline.com) está escrito na sua T-shirt. Consultando esse “site”, fiquei a saber que o objectivo é de “espalhar a palavra de Deus através da boa forma física, recolher dinheiro para a caridade e apoiar Cristo no Médio Oriente”.

Parabéns ao Tyson Liskow, de 27 anos, de Laramie, Wyoming, por correr a sua primeira maratona a acabar em 4 horas, 22 minutos e 2 segundos. A Chris Valentino de Novato, Califórnia, por correr com o filho, Taylor: O Chris acabou em 4 horas, 54 minutos e 58 segundos, o Taylor, em 3 horas, 55 minutos, 15 segundos.

Agradeço ao director da corrida, David Hirschfeld, aos seus assistentes e voluntários por organizarem a Maratona do Grizzly nos campos de Montana.

Agradeço também à Lori e ao John Finch de Fairfield por terem recuperado um edifício antigo criando a Pousada do Parque de Fairfield, a 27 kms de Choteau. Desfrutámos lá três noites no quarto “Loucuras” (A Sala Audubon) e os deliciosos queques dos pequenos-almoços continentais. Os corredores interessados num quarto desta pousada singular devem fazer as suas reservas com antecedência ou perderão a oportunidade de ficar onde nós ficámos, ou num dos quartos nas Salas, Cowboy, Pescador, Antiguidade ou Americana. O endereço electrónico é:
fairfieldparkinn@gmail.com … telefone (800)844-0892 e (406)467-3373.

A altitude, as estradas de gravilha e a ausência de sombras fazem da Maratona do Grizzly um grande desafio. Estou feliz por ter participado neste 4.ª edição anual e poder adicionar Montana aos Estados completados nesta minha procura de correr uma maratona em todos os 50 Estados!

Escrito por Bob Dolphin;

Editado, Dactilografado e Distribuído por Lenore Dolphin;

Traduzido do Inglês, por Álvaro Costa. O original, em inglês, está aqui:

http://www.marathonguide.com/features/RaceReports/Dolphin/1892060819_GrizzlyMarathon2006.cfm

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Honni Soit Qui Mal Y Pense!

Esta malta do Fórum é lixada…!!

Publiquei o meu Post anterior no Forum de omundodacorrida.com , na esperança de que me ajudassem, mas levaram o caso para a malandrice!

Agora, em vez de me ajudarem a encontrar a bifa, criam charadas, evocam o ZéZé Camarinha… Tou bem arranjado!

Pois será que só a mim acontece eu fundir-me com o mundo quando corro? Lembram-se do texto sobre a “Corrida Mística”? Tudo o que me envolve, torna-se-me próximo, familiar, amigo, faz parte de mim e eu fico um autêntico hippie…!

Nada de malandrice, pois quem encontrei na corrida é meu amigo, ainda que o não saiba, e só achei que tinha piada fazer o contacto sem qualquer das ínvias e impuras intenções que esses malandros do Zen e da Ana me querem, sub-repticiamente, atribuir!

PCGC? Sim, conforme foi sendo estruturado o conceito, desde os pré-históricos tempos do fórum do atletas.net (acho que ainda lá está tudo, no tópico “Procuro Companheira que Goste de Correr). Mas nessa altura eu estava a chegar ao Fórum e à corrida, ainda não conhecia ninguém. Felizmente, agora, tenho amigos e amigas suficientes na corrida para poder treinar acompanhado em Monsanto, na Apostiça, na Machada, enfim, não preciso Procurar CGC, preciso é de PNSP (Procurar Não Ser Preguiçoso)…!

E quanto ao atrofiamento das portuguesas, já foi maior, acho, e ele deve-se aos maridos e namorados atrofiados, que têm medo que lhes roubem a mulher! Não? Então, onde estão as companheiras desses galifões, que nunca as trazem nem para uma caminhadazinha (enfie a carapuça quem quiser)?

Nisso, os ingleses são menos complexados, daí a maior participação da mulher inglesa nas corridas. Portuguesas? Sim, também me cruzei com elas, algumas são minhas amigas e já tenho o prazer do seu convívio nas corridas cá da casa, não preciso de as procurar – Mas ainda são raras excepções e não têm namorado do tipo…atrofiado!

Tem algum mal querer conhecer a inglesa? Acho que não, a corrida também é convívio, sem malandrice, além da amizade, da comunhão com a Natureza e com o ambiente urbano. E vejam só as compensações que esta minha investigação já me deu: Descobri, pesquisando no Google, um relato duma corrida no Estado de Montana, EUA, onde a Carla participou e de onde retirei uma pista que me vai dar a ela.

O texto é interessantíssimo, feito por um corredor espantoso, de 70 anos, Bob Dolphin, que vai fazer este ano … A sua 400ª maratona! Logo que esteja pronta a tradução desse relato, publicarei no meu Blog e talvez aqui também, se o pessoal estiver interessado. Entretanto, conheçam o Bob aqui:

http://www.marathonguide.com/feature...ns_Dolphin.cfm

Abraço a todos

terça-feira, janeiro 09, 2007

FINDING CARLA HAYES!

Ora vejam lá esta ideia que tive: Lembram-se daquele texto que pus no meu blog e que postei no fórum de omundodacorrida.com relatando a minha primeira maratona, feita a 15 de Outubro, no Porto? Estão aqui os “links” para o tópico respectivo e para o meu “blog”:

http://www.omundodacorrida.com/phpBB2/showthread.php?p=32411#post32411

aleddd.blogspot.com

Se forem relê-la, reparem numa referência que faço a “uma bifa jeitosa” com a T-shirt dos “Plumstead Runners”…Pois bem: E se eu a encontrasse? Afinal, ela acabou por fazer parte da história dessa minha corrida e ficou, com ela, a fazer parte do fórum!

Primeiro: Ela era uma veterana, e passei-a, acho eu, ao quilómetro trinta e picos (após a passagem frente à ponte, após o circuito de ida-e-volta); segundo, teria que ter mais que os meus 4h13’ 58’’ e pertencer aos Plumstead Runners.

Abro o http://www.maratonadoporto.com/ e vou ver os resultados das veteranas, femininas:

12 148 GINA LITTLE 100 MARATHON CLUB 04:13:25
13 106 DANIELLE CASSAGNE A C L TARNOS 04:16:34
14 91 CELIA AZENHA A A LEBRES DO SADO 04:16:35
15 126 ELIANA PEGORETTI INDIVIDUAL 04:18:23
16 149 CARLA HAYES 100 MARATHON CLUB 04:24:35
17 129 MIRJA HAVERINEN INDIVIDUAL 04:42:02
18 101 LINDA MAJOR 100 MARATHON CLUB 04:54:54
19 103 BASTIE MARTINE A C L TARNOS 05:07:33

Ora, a Gina Litlle está de fora, passou minha frente; A francesa Daniele, não é, as “nossas” Célia Azenha e Eliana Pegoretti também não… Bom, temos duas inglesas, a correr pelo 100 Marathon Club e nada dos Plumstead Runners… Terá que ser uma delas, que vieram penduradas no Clube 1OOM: A Linda Major, não pode ser (a “bifa” vinha bem ao km 30, não ia “fazer” mais 40 minutos que eu nos 12 kms seguintes)…Portanto, só pode ser…


CARLA HAYES!...

E agora, como contactá-la? Aceitam-se sugestões: Farejá-la? Googlá-la? Quem quer ajudar?

Abraço a todos

quarta-feira, novembro 29, 2006

CORRIDA MÍSTICA - QUEM SOU EU?

Saindo da sessão de yoga, meto-me no boguinhas de regresso a casa. Paz e serenidade, o carro leva-me suavemente, vou entrando em Monsanto, meu local de treinos. Ocorre-me então que vinha mesmo a calhar uns 11 km de corrida… Já estava ali, fato de treino e ténis adequados, porque não aproveitar? Ontem não tinha treinado as 3 horas por causa da constipação, mas hoje estou melhor, porque não?
Um pequeno desvio e entro no parque de estacionamento do Centro Ambiental. Curiosamente, o parque de estacionamento está deserto e tudo está silencioso. Reparo que, embora sendo só 21 horas, não me cruzei com nenhum automóvel no percurso de Monsanto, desde a Cidade Universitária até ali. Sinto um qualquer mistério calmo no ar, uma atmosfera especial que não sei descrever.

Fecho o carro, ligo o cronómetro e arranco. O meu corpo, preparado pela sessão de Yoga, está prontíssimo para a corrida e lá vou eu. Na estrada deserta, a mata é banhada pela luz amarela dos candeeiros. Primeiro, o troço é a descer e vou acelerando. Da mata, vem-me o pio duma coruja. Curioso, sempre corro ali à noite, sempre ouvi as corujas, mas hoje aquele pio era diferente, mais nítido e envolvente. Aproxima-se a subida… Esta subida, de curvas e contracurvas, é o calvário dos corredores. A princípio, via-me aflito mas agora, subo-a toda a correr e nos fins de semana, divirto-me a ultrapassar os ciclistas de Domingo que acabam por se apear, estoirados, sem fôlego para mais. Mas agora a estrada está deserta, aquela luz amarela, neste estranho dia de hoje, ilumina dum modo diferente, transformando a paisagem num cenário de desenho animado, de Branca de Neve, de Capuchinho vermelho, de Gata Borralheira… Passada a curva, um sobressalto: Lá adiante, a uns 200 metros, um lobo.

Um lobo em Monsanto??? Bom, não sei, estes ecologistas radicais bem capazes disso são, coelhos não faltam, já introduziram os esquilos, se calhar introduziram lobos também, para fechar a cadeia ecológica… Resolvo adoptar a minha estratégia para os cães, essa ameaça dos corredores: Não mostrar medo, prosseguir o caminho com decisão. Assim vou avançando e aproximando-me do bicho. Deveria meter-me por um desvio na mata, discretamente evitá-lo, mas curiosidade e um sentido de poder faz-me prosseguir. O lobo está agora a uns 100 metros mas, quando avanço mais, ele entra num galope curto e volta a afastar-se, mantendo a distância. Olho à volta, procuro um pau, uma pedra, quem sabe se ele me ataca?

Existem uns calhaus na berma escavada, ramos caídos mais dentro da mata, bom, se houver azar, terei que usar alguma arma. Sinto-me um homem das cavernas, quase outro animal. Aproximo-me da berma e meço com olhar os pedregulhos, são demasiado grandes. Um tronco é mais manuseável, olho os ramos caídos, para apanhar um sem parar de correr. Mas reparo que o lobo prossegue com o rabo entre as pernas, mirando-me de esguelha. Está com medo de mim!
De facto, cresce em mim a sensação de poder, de força, como sempre quando o meu organismo já está quente e a corrida entra em velocidade de cruzeiro. Resolvo acelerar, o lobo entra novamente a galope e ganha distância. Desaparece na curva e eu sigo-lhe no encalço. Volto a vê-lo, está de novo a uns 150 metros mas parou, atravessado na estrada, agora o rabo arqueado para cima, e…ladra!

Não é um lobo, é um cão, mas já não tem medo de mim, ladra e não sai do meu caminho! Sem mostrar medo, aproximo-me e reconheço o local e o cão: Aqueles são os cães que guardam uma das casas da guarda-florestal, geralmente dentro da vedação. Só que este, o maior, hoje está cá fora e pronto a proteger o seu território!
Tento fazer uma diagonal que evite o cão, sem me desviar ostensivamente. O cão continua a ladrar, mas eu resolvo prosseguir, embora sinta a tensão e a adrenalina a aumentarem dentro de mim. O cão persegue-me, no mesmo ritmo da minha passada, o focinho dele escolta-me a centímetros das minhas pernas…Ai, pressinto a mordidela e transporto-me para umas dezenas de anos atrás, uns milhares de quilómetros para Sul. Norte de Angola, 1969, perto do quartel de Zala: O tiroteio irrompe no vale, só me resta correr colina acima, para os abrigos, as balas a baterem no chão ao meu lado, e eu antevendo a dor quente dum tiro certeiro nas costas. Que não veio. Nem mordidela. O cão, cumprida a sua missão de proteger a casa do dono, deixa-me em paz.

A inclinação da estrada muda, atingi o ponto mais alto, agora é a descida suave. Acelero de novo, rumo ao parque de merendas. Finalmente, gente? Não, há lenha e carvão ainda incandescente num grelhador, mas os comensais já se retiraram. Mesmo no Inverno, imigrantes usam estes grelhadores para preparar as suas refeições. Até com tempo a ameaçar chuva, como hoje. Passo sobre a autoestrada, em baixo vão carros, mas, entre as rotundas, cá em cima, nada. Estranho!
Aproximo-me do Anfiteatro Keil do Amaral, uma bela esplanada virada para o Tejo, toda a outra banda, a Ponte e, ao longe, Palmela, Sesimbra, o céu iluminado de Setúbal. Que maravilha! Passo ao lado do restaurante de Montes Claros e inicio o retorno, vou agora sob o viaduto da auto-estrada, corro entre a mata de altos pinheiros. Corujas de novo! Será a mesma? Não, são outras avisando da minha presença. Depois da curva, nova paisagem deslumbrante, agora, os bairros periféricos do Norte de Lisboa, o seu luzeiro entre a neblina. Lá, chove, troveja, vejo relâmpagos e os trovões distantes, que soam também estranhos, mas familiares e amigos.

Acelero na descida, a passada enérgica e cadenciada, o bater violento do coração, a respiração forte e ritmada leva-me, o corpo todo entregue às mil e uma impressões e de dentro de mim, vem um canto:

Foooo – fá! Foooo – fá!
Foooo – fá! Foooo – fá!
Eu sou o ar e a respiração
Eu sou o lobo, eu sou o cão
Eu sou a estrada e sou o chão
Sou o relâmpago e o trovão

Foooo – fá! Foooo – fá!
Foooo – fá! Foooo – fá!
Inspiração, expiração
Eu sou a luz, a escuridão
Eu sou a pedra, a escavação
Eu sou amor e a solidão!



Álvaro Costa

sexta-feira, novembro 03, 2006

A RELAÇÃO MENTE-CORPO E A ADAPTAÇÃO AO TREINO

TEXTO DA AUTORIA DE STEPHAN SEILER


EXTRAÍDO DO SITE home.hia.no/~stephens/brnbody.htm



Porque a maior parte dos fisiologistas do esforço centram a sua atenção nos músculos e na fisiologia sistémica, temos tendência para tratar o cérebro como uma misteriosa caixa negra, mas essa atitude está a mudar. Por mim, começo a reconhecer que preciso de aprender mais sobre o impacto do exercício sobre o cérebro, e o impacto da actividade cerebral na actividade física.
Neste texto, tentarei expor algum do material proveniente de 25 anos de trabalho do Dr.Heinz Liesen. Ele foi médico da selecção nacional alemã de futebol a qual, apesar das suas modestas capacidades, alcançou a final da taça do Mundial em 86 e 90. Foi também médico da equipa de Hóquei de Campo e da equipa do Combinado Nórdico (combinação de corta-mato e saltos, em esqui). Hoje, centra-se de novo na medicina preventiva. O conhecimento que adquiriu, resultante do acompanhamento de determinados atletas (e de pessoas activas não atletas) durante vários anos, com extensa monitorização da reacção imunológica, dos esquemas de treino, do desempenho físico e até da localização da actividade das ondas cerebrais, é único nessa área. Algum do material exposto baseia-se também no crescente corpo de conhecimentos produzido nos Estados Unidos e na Alemanha.


O Cérebro É o Centro do Desempenho Desportivo


Depois de tanto se falar de coração e músculos, pode parecer uma asneira dizer isto, mas é uma realidade: O cérebro, ao mesmo tempo que desencadeia todos os nossos movimentos voluntários, reage à tensão criada pelo próprio exercício. E, até certo ponto, a tensão aparece como uma qualidade omnipresente. O cérebro reage à tensão provocada pelo trabalho, condução, treino, competição. O impacto sensível desta tensão, pode-se revelar de várias maneiras:

Níveis de Catecolamina em Repouso - O treino adequado tende a causar a predominância parasimpática (repouso e recuperação) no atleta bem preparado. Contudo, se os esforços do treino forem demasiados, os níveis da hormona simpática (a da luta ou projecção) mantêm-se altos mesmo quando em repouso, o que é sinal de recuperação incompleta. Uma manifestação exterior desta alteração é um ritmo cardíaco elevado em repouso, embora existam outros sinais mensuráveis mais sensíveis que este. Outra característica do ritmo cardíaco em repouso é um certo grau de irregularidade: Existe uma variação considerável nas batidas, podendo medir-se pequenas variações do intervalo entre batidas sucessivas. É um facto que esta variação diminui, perante a expectativa duma tarefa, pois o estímulo simpático aumenta.

Razão Testosterona/Cortisol – A Testosterona é uma hormona anabólica, que desempenha um papel na regeneração e reparação do músculo e dos tecidos. O Cortisol é uma hormona catabólica que estimula a desagregação dos tecidos. Por exemplo, o nível de cortisol é elevado em situações de fome extrema, quando o tecido muscular é catabolisado para se converter em energia. Os níveis de testosterona tendem a ser maiores em indivíduos com elevada capacidade de treino duro e rápida recuperação (e naqueles que a recebem através de injecção). Os níveis de testosterona são naturalmente mais baixos nas mulheres do que nos homens (Cerca de 10 vezes menos). Em muitos estudos, a razão testosterona/cortisol mostrou ser um indicador dum estado de estagnação e sobrecarga de treino em atletas de alta competição.

A Função do Sistema Imunológico – Sistema Imunológico é uma designação simples dum sistema celular adaptável interno, que responde à invasão de substâncias estranhas e as elimina, ou minimiza a sua capacidade de replicar. A resposta do sistema Imunológico a uma invasão estranha pode-se modificar, na sua rapidez e na sua magnitude. O exercício cria mudanças drásticas e permanentes na função do sistema Imunológico. O exercício violento mostrou causar uma depressão transitória de certos componentes do sistema Imunológico, criando uma janela de susceptibilidade à infecção de várias horas após um esforço extremo. A tensão dum exercício intenso tem um efeito bifásico na função imunológica. Isso demonstra-se de vários modos:
Primeiro, a incidência das infecções do tracto respiratório superior (ITRS) diminui com o exercício moderado, mas aumenta nos atletas em treino duro (curva em J). Em segundo lugar, a amplitude da resposta imunológica a um determinado antigénio diminui em atletas sobrecarregados. Existem equipamentos de diagnóstico que permitem a aplicação controlada de 7 alergénios na pele do antebraço. A área total das consequentes reacções da pele dão a medida quantitativa do vigor do sistema Imunológico dum determinado indivíduo. Estas medições são de rotina em muitas equipas nacionais na Alemanha e Escandinávia.
Talvez a informação mais interessante que lhes posso fornecer seja também a que me é mais difícil de compreender, com os meus diminutos conhecimentos da química do cérebro: Parece que a mente interage com o sistema Imunológico e modula a resposta imunológica. Isto foi rotundamente demonstrado pelo Dr. Liesen. Comparando o sangue extraído imediatamente antes, e 1 hora depois de um diagnóstico inesperado, mas causador de tensão, observou mudanças bem evidentes na capacidade de resposta dos leucócitos sanguíneos. Esta modelação mental da função imunológica aparenta envolver a libertação, pelo cérebro, de compostos químicos específicos imuno-modeladores, em resposta ao estímulo emocional.

Perfis Psicológicos – Foram desenvolvidos vários instrumentos de pesquisa que parecem ser sensíveis às mudanças emocionais que acompanham ou precedem as modificações psicológicas e de desempenho associadas a um estado de sobrecarga. Esses instrumentos vão detectar a corrente disposição, a ansiedade, a qualidade do sono, o desejo de treinar, etc.

O Que É O Exercício Físico

Abaixo está o modelo apresentado pelo Dr. Liesen, baseado na sua experiência e investigação, ilustrando o potencial dos efeitos positivos e negativos do exercício físico na saúde e no desempenho de topo.

No mundo actual do desporto de alta competição, a verdadeira limitação à melhoria contínua deslocou-se, da quantidade do treino, para a capacidade de recuperação da mente e corpo. Muitos atletas da elite treinam 50 semanas por ano, por vezes 3 – 4 horas por dia. Quando esta violenta pressão física se combina à tensão das cada vez mais frequentes competições para satisfazer patrocinadores e comunicação social, e com a tendência para retirar tempo ou interesse ás distracções mentalmente criativas, os resultados são desastrosos. O que de facto vemos, se observarmos atentamente, é a súbita aparição de figuras extremamente talentosas, seguida, dois ou três anos mais tarde, do declínio das suas capacidades, ou mesmo da sua retirada de cena. Por detrás desses esgotamentos precoces está geralmente um treinador ou uma secção desportiva demasiado exigente.
O sucesso das equipas e dos atletas individuais dirigidos pelo Dr. Liesen não foi devido a uma intensificação do seu treino. Pelo contrário, a aplicação cuidada de mais treino “ de recuperação” de baixa intensidade e até mesmo dias de descanso total foi a chave.
Um jornal citou recentemente o atleta Bjorn Dahlie: ”Um dia sem treino é um dia sem valor”. Três semanas depois, ele teve de se retirar do campeonato nacional, por doença. O descanso é importante.
Importa também o modo como descansamos: Por exemplo, O Dr. Liesen observou que os atletas de futebol tinham tendência para, entre as sessões de treino, se limitarem a refastelar-se e a ver televisão, ficando as suas mentes quase num estado de vegetal. Para lhes aumentar a criatividade mental, levou os membros das suas equipas a visitar museus, a estudar línguas, a fazer peças de artesanato, isto, no auge dos treinos e da Taça Mundial. Os resultados foram excepcionais: Modestas equipas alemãs chegaram à final do Mundial em 1986 e 1990 (esgotando só aí as suas capacidades, em ambos os casos). O seu sucesso deveu-se, em larga medida, ao facto de se terem mantido saudáveis e fortes ao longo de todo o campeonato.
Quando observamos o modelo acima, vemos que o nível de exercício e a actividade mental criativa são, ambos, potenciais factores de bom desempenho e boa forma física. Quando construímos um programa de treino, temos que considerar a mente assim como o corpo.
O atleta típico não treina o mesmo volume que os atletas de elite. Então, poderemos pensar, “O excesso de treino não me afecta, porque só treino 12 horas por semana”. Mas, temos uma profissão, filhos pequenos, uma hora de ponta no trânsito, todos os dias; devemos então perguntar-nos: Todas as nossas sessões de treino são intensas? Será que cada corrida que fazemos se tornou numa prova de competição? Outras das nossas actividades de tempos livres desapareceram? Quando não estamos a treinar, estamos a pensar no treino...? Se respondeste sim à maior parte destas perguntas, há que reavaliar o nosso programa de treinos e o modo como encaramos o exercício.

A estratégia a longo prazo

Na Escola e ao nível académico, no mundo inteiro, o tempo está sempre a contar. Os atletas sentem a pressão para atingir o seu máximo “já nesta temporada”. Em muitos casos, isso conduz a ciclos anuais que não têm em conta o sequente desenvolvimento do atleta "depois". Mas, um atleta maduro, deve sempre lembrar-se de que está nesta jogada para o longo prazo: o treino é um processo prolongado de aprendizagem e de aperfeiçoamento físico e técnico. As medalhas vão para os que conseguem combinar talento e paciência, intensidade com inteligência. Em última análise, independentemente do nível de desempenho de cada um, o prazer do atletismo é mais doce quando serve para apurar na nossa vida, não apenas o nosso VO2 máximo...!

TEXTO DA AUTORIA DE STEPHAN SEILER
EXTRAÍDO DO SITE home.hia.no/~stephens/brnbody.htm

Trad. do inglês, de Álvaro Costa
aleddd@gmail.com
Com colaboração da Drª Clementina Figueiredo

quarta-feira, outubro 25, 2006

Sobre o treino Moffetone

tradução de Álvaro Costa e José Carlos Jorge
Quer Velocidade? Vá Devagar!
Pelo Dr. Maffetone
O monitor de ritmo cardíaco (1) ainda é um companheiro de treino subavaliado e mal compreendido: Hoje em dia, muitos corredores têm monitor, mas não tiram dele o proveito correspondente ao seu custo.
Na verdade, os HRM são apenas unidades de bio-resposta (2). O Dicionário Médico de Dorland define bio-resposta como “o processo que fornece informação audio-visual sobre o estado duma função do corpo humano de modo a poder-se exercer controle sobre essa função”, Como estudantes nos anos 70 envolvidos num projecto de investigação, medimos as respostas do ser humano a vários estímulos psicológicos; sons, efeitos visuais e uma variedade de estímulos físicos, incluindo a actividade física. Avaliaram-se as reacções observadas, medindo-se a temperatura, a transpiração e o ritmo cardíaco. Tornou-se evidente que o uso do HRM para medir objectivamente uma função corporal era simples, preciso e muito útil. E era obvia a sua aplicação no desporto. Para mim, foi o começo dum longo processo de utilização dos HRM nos atletas.
No começo dos anos 80, eu utilizava esses monitores em três aplicações importantes:
• O treino
• A auto-avaliação
• A corrida
O Treino
O uso de HRM no treino tem dois aspectos importantes. O primeiro de todos é que os atletas de resistência têm que construir uma boa base aeróbica, uma noção promovida décadas atrás pelo o famoso treinador de corredores Arthur Lydiard. A segunda coisa a ter em conta tem a ver com o ritmo cardíaco específico seguido no treino e com a maneira como um corredor determina o seu importante valor. Vejamos cada um desses aspectos por si:
Construção duma base aeróbica quer dizer treinar apenas na zona aeróbica. Durante o período da construção da base excluem-se treinos anaeróbicos (incluindo corrida). A actividade anaeróbica falseará o desenvolvimento eficiente na base aeróbica, pelo que todos os treinos são exclusivamente aeróbicos. Isso inclui a sessão longa de Domingo, o correr no sobe e desce dos parques florestais e qualquer outro treino em que haja uma forte influência de outros corredores ou do próprio terreno. Para além disso, o período da construção da base anaeróbica não tem levantamento de pesos, uma vez que o halterofilismo é também uma actividade anaeróbica.
Existem várias razões porque os treinos anaeróbicos podem inibir a construção da base aeróbica:
• O treino anaeróbico pode diminuir o número de fibras musculares aeróbicas, por vezes de forma significativa. Bastam, para isso, umas poucas semanas de treino a ritmo elevado demais.
• O ácido láctico produzido no treino anaeróbico pode inibir as enzimas musculares aeróbicas necessárias à construção da base aeróbica.
• O treino anaeróbico eleva o quociente respiratório. Isto significa que aumenta a percentagem de energia derivada do açúcar e diminui a queima das gorduras. Com o passar do tempo, isto pode forçar a mais metabolismo anaeróbico e a menos, aeróbico.
• O stress também pode inibir o sistema aeróbico. O stress é quase sinónima de treino anaeróbico. Stress excessivo eleva os níveis de cortisol, o que acaba por aumentar os níveis de insulina, inibindo a queima das gorduras e aumentando a utilização do açúcar, promovendo o metabolismo anaeróbico e inibindo a actividade anaeróbica.
O treino da base aeróbica é, muitas vezes, um período em que o treino de disciplina, dedicação e trabalho duro são primordiais. A maior parte dos atletas acham que estes três atributos têm a ver com dureza, grande esforço e sofrimento. Mas torna-se frequentemente bem mais duro que isso: O treino correcto durante a base aeróbica é, para muitos atletas, o mais difícil do meu programa: É a capacidade de correr devagar, não obstante o que os outros atletas possam estar a fazer ou a dizer. Nas provas mais longas, 95 a 98% da energia gasta vem do sistema aeróbico. É esta outra razão para eu recomendar que a maior parte do treino dirigido à melhoria deste processo.
A construção duma boa base aeróbica leva cerca de três meses. Para corredores que perderam a sua capacidade competitiva, que têm problemas crónicos (lesões, doenças), ou que não conseguem perder o peso que têm a mais, uma base mais longa – até seis meses – pode operar maravilhas.
Mas põe-se a questão: Que ritmo cardíaco usar para o treino aeróbico? O mais importante do treino com HRM será o saber qual o ritmo cardíaco a utilizar. Todos conhecemos a fórmula 220 menos a idade, multiplicada por 65 – 85%. Mas este método não tem fundamento. O ritmo cardíaco máximo duma pessoa deve ser de 220 menos a idade. Contudo, quem já se lançou numa pista ou numa corrida para chegar ao seu ritmo cardíaco máximo, terá descoberto, tal como mais de metade das pessoas, que não é o que a fórmula prevê. E depois, a percentagem: qual adoptar – 65%, 75%, 80%? Em vez de nos deitarmos a adivinhar, podemos usar uma fórmula nova, fundamentada cientificamente. Vejam mais adiante o texto sobre a Fórmula 180, que fixa o melhor ritmo cardíaco para a construção duma base aeróbica.
No começo, o treino a este ritmo cardíaco causa tensão emocional ao atleta. “Não consigo treinar assim tão lentamente!” é um comentário muito comum. Mas dentro de pouco tempo, não só se sentirá melhor, mas também a sua passada será mais rápida ao mesmo ritmo cardíaco. Um benefício significativo da aplicação da Fórmula 180 ao treino é a resposta bioquímica do corpo: A produção de radicais livres é mínima, comparada com a corrida a ritmos mesmo um pouco superiores. Estas substâncias químicas podem contribuir para problemas degenerativos, inflamações, doença do coração e câncer, para já não falar no acelerar do processo de envelhecimento. Usando a Fórmula 180, pode-se correr mais sem se arriscar a entrar em tensão bioquímica.
A Fórmula 180 Para achar o ritmo cardíaco máximo (aeróbico):
1. Subtrair a idade de 180 (180-idade).
2. Modificar este número segundo uma das seguintes situações:
• Para quem convalesce de uma doença grave /Coração, uma operação, um internamento hospitalar) ou está com uma medicação prolongada, subtrai-se 10;
• Para quem nunca treinou ou treinou mas ficou lesionado, retoma a corrida após um interregno, ou tem alergias ou está frequentemente constipado, subtrai-se 5;
• Para quem pratica desporto há dois anos sem problemas e só se constipa uma ou duas vezes por ano, subtrai-se 0;
• Para quem tem praticado por mais de dois anos sem qualquer problema e vai progredindo na competição sem problemas, soma-se 5.
Por exemplo, quem tem 30 anos e cai na segunda situação, acima: 180-30=150 e 150-5= 145. É este o seu ritmo cardíaco aeróbico máximo. Para uma construção de base aeróbica eficiente, deve treinar dentro ou abaixo desse valor durante todo o período de treino.
Auto-Avaliação
Um benefício significativo da construção duma base aeróbica é a capacidade de se correr mais depressa com o mesmo esforço, isto é, com o mesmo ritmo cardíaco aeróbico. E uma vantagem do uso do HRM é a possibilidade de medir objectivamente estas melhorias, utilizando o teste da função aeróbica máxima (MAF) (3).
O teste MAF mede objectivamente a evolução da velocidade aeróbica durante a construção da base. Velocidade aeróbica significa que se pode correr mais depressa com o mesmo ritmo cardíaco aeróbico. Normalmente, julga-se que apenas o trabalho anaeróbico dá velocidade. Mas os desenvolvimentos aeróbicos também dão e sem o desgaste que muitas vezes acompanha o treino duro. Faz-se o teste MAF numa pista com o HRM, correndo ao ritmo cardíaco máximo (aeróbico). Três a cinco milhas fornecem dados seguros, embora o teste de apenas uma milha seja suficiente. Faz-se o teste depois de um aquecimento ligeiro.
Abaixo está um exemplo concreto dos resultados obtidos com um corredor praticando o teste MAF ao ritmo cardíaco de 150:
Milha 1 8:21
Milha 2 8:27
Milha 3 8:38
Milha 4 8:44
Milha 5 8:49
Durante qualquer teste MAF, é normal os tempos aumentarem, sendo a primeira milha sempre a mais rápida e a última, a mais lenta. Se assim não for, quer dizer que não se fez um aquecimento prévio adequado. Para além disso, o teste deve mostrar tempos mais rápidos à medida que as semanas de treino passam. Por exemplo, em quatro meses, pode-se ver o progresso da resistência neste caso concreto:
Abril Maio Junho Julho
Milha 1 8:21 8:11 7:57 7:44
Milha 2 8:27 8:18 8:05 7:52
Milha 3 8:38 8:26 8:10 7:59
Milha 4 8:44 8:33 8:17 8:09
Milha 5 8:49 8:39 8:24 8:15
Este progresso geralmente só se verifica na base aeróbica. Se se acrescentar trabalho anaeróbico ou corrida ao ritmo de treino próprio de cada atleta, o progresso não será tão bom, ou, mesmo, não haverá progresso nenhum.
Execute-se o teste MAF regularmente, ao longo de todo o ano e registem-se os resultados individuais. Recomendo que se faça o teste de três em três ou de quatro em quatro semanas. A maior vantagem do teste é a possibilidade de nos informar objectivamente de qualquer obstáculo muito antes de se sentir algo ou dele acontecer na forma de uma lesão ou de um decréscimo de desempenho. Se alguma coisa interfere com o progresso – treino inadequado, má dieta, tensão excessiva – não se quererá ficar à espera que algo desagradável aconteça, quando já for tarde.
O teste MAF avisa-nos, fornecendo tempos demasiado baixos, meses antes de os problemas acontecerem.
Corrida
Outro aspecto importante do HRM e do teste MAF é que o teste permite prever os resultados. Há uma relação directa entre o ritmo aeróbico e o esforço na corrida, por outras palavras, se os resultados do teste MAF melhoram, melhorará a capacidade na corrida. Os dados obtidos com centenas de corredores durante vários anos tornaram evidentes que o desempenho dum corredor ao ritmo do máximo aeróbico está na proporção directa do ritmo de competição.
A tabela abaixo, baseada em dados reais, ilustra a relação entre o MAF e o desempenho numa corrida de 5 quilómetros:
ritmo de
ritmo de MAF competição MAF competição 5Km
Minutos / milha // Minutos / Km // tempo
10:00 7:30 6:13 4:40 23.18
9:00 7.00 5:36 4:20 21:45
8:30 6:45 5:17 4:12 20:58
8:00 6:30 4:59 4:02 20:12
7:30 6:00 4:40 3:44 18:38
7:00 5:30 4:21 3:25 17:05
6:30 5:15 4:03 3:16 16:19
6:00 5:00 3:44 3:06 15:32
5:45 4:45 3:35 2:57 14:45
5:30 4:30 3:25 2:48 13:59
5:15 4:20 3:16 2:42 13:28
5:00 4:15 3:07 2:38 13:12
O uso do monitor de ritmo cardíaco como guia ao longo dos períodos de construção de base aeróbica não só ajudam a se ficar com saúde, mas também, a se alcançar o melhor desempenho possível, durante muitos anos.
O Dr. Philip Maffetone tem treinado muitos atletas de nível mundial e atletas de vários escalões, na maior parte dos desportos, por mais de 20 anos. O seu livro mais recente é Na Saúde e Na Boa Forma e o seu novo livro, Treino Para A Resistência, tem a saída prevista para Dezembro (Barmore Productions, 607-652-7610).
Concedida autorização de divulgação, desde que dela se dê conhecimento ao autor, à FootNotes e à Road Runners Club of América.
Traduzido do inglês, por José Carlos Carreira Jorge e Álvaro Costa. Concedida autorização de divulgação da tradução, desde que indicados os tradutores.
Notas dos tradutores:
(1): HRM, de “Heart Rate Monitor”
(2): biofeedback, em inglês
(3): MAF, de Maximum Aerobic Function
Em 2005, o seu último livro chama-se The Maffetone Method: The Low-stress, No-pain Way to Exceptional Fitness de Agosto 1999
Fix Your Feet: Build the Best Foundation for Healthy, Pain Free Knees, Hips and Spine de Janeiro de 2004 um livro sobre fisioterapia
O Dr Maffetone foi considerado o Treinador do Ano em 1994 pela Triathlete Magazine e também foi considerado pela Inside Triathlon uma das 20 pessoas + influentes nos desportos de endurance

sexta-feira, outubro 20, 2006

Texto sobre Ken Wilber - Filósofo americano a ter em conta, sem preconceitos!




Ken Wilber – Conceitos Básicos

Victor MacGill (
macgill@es.co.nz)
(Trad. de Álvaro Costa - alvaro_ccosta@iol.pt)


Holon

Um Holon é qualquer porção do universo que seja um todo consistente por si próprio, mas que é, necessariamente, parte inteira de um sistema mais vasto que o inclui.

Por exemplo, cada átomo é um holon. O átomo, em si, é inteiro; tem uma forma concreta que sabemos ser a mesma onde quer que se encontre. Mas os átomos podem agrupar-se, formando moléculas. As moléculas são constituídas por átomos; as moléculas incluem-nos. As moléculas são mais complexas que os átomos. As moléculas também são holons, porque são intrinsecamente um todo e podem organizar-se formando uma célula viva; as células também são holons que podem formar um órgão do corpo; os órgãos dum corpo podem formar um ser vivo, etc., etc....

Graus de Consciência

A vida desenvolve-se por uma sucessão de estádios, sendo cada um, um holon que inclui o estádio anterior e que se vai incluir no estádio seguinte (1). Caminha-se de um estádio, para o seguinte, não se podendo saltar nenhum: Por exemplo, em termos de desenvolvimento interior, existem quatro níveis básicos:

Consciência Única: Tudo é visto como um todo. Sem qualquer limite;
Organismo Total (Centauro): Existe uma linha de separação entro nós próprios e o universo exterior (o próprio + o exterior = consciência única);
Nível do Ego: Desenha-se em nós próprios uma fronteira entre o ego e o corpo (ego + corpo = o próprio)
Nível do Persona(2): Traça-se uma separação entre a persona e a sua sombra (persona + sombra = ego)

Estes quatro níveis podem desdobrar-se em sete, que correspondem ao nosso sistema de chacras. Desenvolvendo mais o espectro de Wilber, é possível englobar vários sistemas de descrição de níveis num conjunto coerente.

Os Quatro Quadrantes

Há quatro aspectos a considerar em cada nível de consciência: Primeiro, temos que considerar os aspectos do Individual e do Colectivo, bem como os do Interior e do Exterior. Juntos, constituem os quatro aspectos:

Individual Individual
Interior Exterior

Colectivo Colectivo
Interior Exterior

Para que todo o sistema funcione bem, todos os quatro quadrantes têm que operar eficiente e equilibradamente; por exemplo, para que qualquer sociedade funcione bem, tem que preencher:

As necessidades interiores do indivíduo –
Os seus impulsos, expectativas, desejos, autoconfiança (Esquerda Superior);
As necessidades exteriores do indivíduo –
Alimentação, roupa, abrigo (Direita Superior);
As necessidades Interiores da sociedade –
As crenças, objectivos comuns e a sua visão do mundo (Esquerda Inferior);
As necessidades exteriores da sociedade –
Educação, saúde, estrutura económica, instituições (Direita Inferior).

Se qualquer destas necessidades não for satisfeita, estabelece-se o caos nessa sociedade.

Ao avançarmos e subirmos no espectro da consciência, verificamos que qualquer distorção no equilíbrio entre os quadrantes afectará o sistema dum modo próprio de cada nível de evolução em que essa distorção ocorre. Por exemplo, no mundo de hoje temos negligenciado as necessidades exteriores do nosso planeta, poluindo-o. O resultado deste desequilíbrio é a destruição da forma exterior do nosso planeta Terra.

A Dialéctica de Hegel

Foi Aristóteles que primeiro desenvolveu a ideia da tese, antítese e síntese. Mais tarde, Hegel reformulou–a como a Dialéctica: Sempre que algo de novo surge, (tese), como quando se alcança um novo nível de existência, desenvolve-se concomitantemente uma sombra que parece contrariá-lo (antítese). Estes dois aspectos opostos têm que ser entendidos por uma compreensão mais abrangente que supera a tese e a antítese (síntese).

Este processo explica como se evolui ao longo do espectro. Entramos em algo de novo e esforçamo-nos por o compreender: Wilber chama a este estádio, pre-convencional; quando o compreendemos, estamos no convencional. Mas, ao compreende-lo, surge a antítese, vemos que a tese não estava totalmente correcta e avançamos, ultrapassando a compreensão anterior, para o pós-convencional, para a síntese.

Exemplo: Quando apareceu a escravatura, no estádio pre-convencional, esta apresentava-se como uma inovação maravilhosa. Permitiu construir estruturas como as pirâmides e foi parte integrante do tecido social das sociedades durante milénios, enquanto foi aceite – enquanto foi convencional. Depois, aconteceu que chegámos à conclusão de que não prestava e abolimo-la. Então, aí, alcançámos o estádio pos-convencional.

A Planália

Wilber usa o termo Planália (3) para descrever o que acontece quando se ignora ou subestima um ou mais quadrantes. A ciência descreve o nosso mundo externo. A ciência é a visão do mundo que mede a nossa “realidade”. O que quer que não se possa de medir de modo nenhum é ignorado, como irreal e sem valor. Valores, sentimentos e intuição não têm lugar no mundo da ciência. Os cientistas criaram uma terra rasa, onde todo o lado esquerdo dos quatro quadrantes foi laminado para o lado direito. Quanto mais a ciência o faz (tese), tanto mais reagem as pessoas, que não estão preparadas para viver nessa Planália poluída (antítese).

Podemos também criar uma Planália quando nos separamos de níveis mais elevados de consciência. Uma sociedade tribal geralmente faz uma nítida distinção entre os que pertencem ao grupo e os que lhe são exteriores. Ao negar uma condição igual aos de fora, estão a criar uma Planália. Geralmente existem regras rigorosas obrigando à cooperação dentro do grupo, como a proibição de exercer violência sobre qualquer dos seus membros, mas incentiva-se a violência sobre estranhos, em particular se eles podem constituir uma ameaça. Criaram uma panália, ao ignorar a humanidade comum que todos partilhamos.

Onde Errámos, Aqui No Ocidente

A nossa visão científica da vida criou uma grande Planália. Em ciência não existe “eu”. Um cientista não diz “eu procedi a uma experiência” mas, sim, “procedeu-se a uma experiência”. Desapareceu a pessoa do cientista. Não há lugar para pensamentos e sentimentos, só existem medições das coisas. O lado esquerdo interior dos quadrantes é apagado e laminado para o lado direito. O lado material da nossa vida é tudo, o espiritual e interior não é nada. O mundo interior foi abandonado e perdemos o que nos liga à integridade do mundo. Perdeu-se Gaia e ela começa a queixar-se.

Descendente/Ascendente

A vida é o fluxo e refluxo de duas correntes; A energia ascendente é dominada pelo masculino e procura alcançar o Céu, negando a parte física; O cristianismo é fundamentalmente uma religião ascendente. A energia ascendente evita as emoções. A energia descendente é dominada pelo feminino e procura fazer o Céu na terra; As religiões de deusas são religiões descendentes; a energia descendente expressa-se por emoções.

Na vida, precisamos dum equilíbrio entre energia ascendente e energia descendente. Temos que nos elevar a novas alturas, mas mantendo os nossos pés bem firmes na terra. Também criamos Planália quando negamos qualquer destas duas correntes de energia.


Notas:
(1) Segundo KW, cada holon tem a capacidade de acção e participação, autodissolução e autotranscendência, pelas quais mantém a sua integridade, conservando os seus sub-holons, e desempenha o seu papel como parte do holon de grau imediatamente superior (capacidades horizontais), ou se separa, decompondo-se nos seus sub-holons, ou se supera (capacidades verticais), adquirindo qualidades superiores incluindo as qualidades úteis do seu estado anterior (N.T.).

(2) Segundo C. Jung, persona é a pessoa, tal como se representa perante os outros; a sombra, é a sua parte mais primitiva, animalesca, muitas vezes remetida para o inconsciente (N.T.).

(3) Flatland, em inglês (N.T.).



Os Vinte Princípios


1 Todo o Real é composto por holons e, não, por coisas ou processos;

2 Os holons apresentam quatro capacidades fundamentais:

a) Auto-sustentação;

b) Auto-adaptação;

c) Auto-transcendência;

d) Auto-dissolução;

3 Os holons surgem;

4 Os holons surgem holarquicamente;

5 Cada holon emergente transcende, mas inclui o seu predecessor;

6 Os de nível inferior determinam as possibilidades dos superiores; os de nível superior determinam as probabilidades dos inferiores;

7 “O número de níveis duma determinada hierarquia estabelece a sua profundidade ou superficialidade; ao número de holons presentes num determinado nível chamaremos extensão” (A. Koestler);

8 Cada nível sucessivo de evolução produz mais profundidade e menos extensão;

9 Se se destruir qualquer um tipo de holon, destruir-se-ão todos os holons que lhe são superiores e nenhum dos que lhe são inferiores;

10 As holarquias evoluem em conjunto;

11 O inferior interrelaciona-se com o superior ao longo de todos os níveis;

12 A evolução tem, numa dada direcção:

a) Maior complexidade;

b) Maior diferenciação/ integração;

c) Maior organização/ estruturação;

d) Maior autonomia relativa;

e) Maior perfeição.




Nota:
Do prefácio da segunda edição de Sex, Ecology, Spirituality: “O capítulo 2 destaca “vinte princípios” comuns aos sistemas emergentes ou em crescimento, onde quer que os encontremos. Muitas pessoas contando-os e, achando-os menos que vinte, perguntam se saltaram algum. Depende simplesmente do que se contou como sendo um princípio. Eu conto 12 princípios: o número 2 contém quatro, e o número 12 contém cinco, o que faz dezanove, ao todo. Ao longo do livro, adiciono mais, o que faz vinte e dois. Mas um ou dois dos princípios, não o são propriamente, são apenas definições (p. exemplo, o princípio 7 e talvez o 9). Teremos então os tais vinte princípios ou características da evolução. Mas o número vinte, em si, não tem nada de especial; refere-se apenas a alguns dos mais evidentes tropismos, sentidos ou tendências da evolução.”

Fonte: Ken Wilber, Sex, Ecology, Spirituality, 1995, pp. 35 a 78.




segunda-feira, outubro 16, 2006

Texto que publiquei no forum do mundo da corrida (ver link)

Sobre a Minha Primeira Maratona

A partida foi o início duma solenidade que vinha preparando desde o início do ano. O Dr. Moffetone pôs-me a correr a 7 minutos/km durante três horas e meia, pendulando entre o Cais do Sodré e a Cruz Quebrada. Fiquei a saber o que é correr sozinho tanto tempo, aperfeiçoei abastecimentos sólidos e líquidos. Depois dessa preparação psicológica, lá para Maio, o Eduardo Santos disse que chegava de Moffetone, que ficaria coxo para o resto da vida, enfim, fui para a aeróbia, no sobe-e-desce de Monsanto, progressivamente aumentando os tempos até às 3h30, culminando na Meia de Ovar, em que bufei os 21km em 1 hora e 47, meu recorde pessoal...
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E agora cá vou eu, a Ana Pereira, foi minha madrinha da corrida, cuidadosa comigo e sempre a incentivar-me, fizemos um grupinho coeso até aos 21km. Mas eles estavam acelerados demais para as minhas contas. Gostava de fazer a prova em menos de 4 horas, mas sair dos 6m/km a que me habituei parecia-me arriscado…
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É que estava a desvirginar-me de Maratonas (Ainda obrigo o Jorge Teixiera a casar comigo)! O máximo que tinha feito foi 30km (do Olivença-Elvas) isso eu já sabia como era, mas, mais 12 em cima dos 30km?!
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Talvez pudesse ter continuado com o grupo da Ana, puxávamos uns, pelos outros, acabaria, sim, mas como? Resolvi deixar-me ir no meu passo, eles, incluindo a minha madrinha, lá se foram distanciando e fiquei só com a paisagem. Que maravilha!
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Gosto muito do Porto, das terras e da gente, carago! Vir a correr para a prova e partir de volta a Lisboa foi um bocado pena, apetecia-me ficar mais dois ou três dias, voltar a passear calmamente o percurso, curtir as impressões de novo…
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Mas que nada, havia de tocar para a frente. E tudo bem organizado, bons abastecimentos, assistência médica, massagens, fruta, isotónico, passas, laranjas, bolachas, água, esponjas… Eu lá fui enfiando o que podia, para além das minhas armas secretas que passei a comer depois dos 21, uns waffers revestidos a chocolate a que me habituei em Monsanto e de que trouxe provisão do saco da Meia de Ovar.
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Gaia, a ponte para lá, público simpático, incentivos, ponte para cá: Feita a meia, ia começar a travessia do deserto. A estrada agora em silêncio, tap-tap-tap das sapatilhas. Tapete e retorno… para me distrair, mando bocas ao pessoal em sentido contrário. Às duas por três, alcanço uma bifa dos Plumstead Runners, jeitosinha, tive pena de a ter que ultrapassar, mas a vida é assim, ainda lhe mandei uma boca “Come on, You’re such a plum!” que mereceu a retribuição dum sorriso e dum simpático “thank you”. Lembro também uma finlandesa adejando a sua bandeira que cruzei algumas vezes. Como o último era um finlandês, penso que ela esperava por ele. Último na corrida, mas com uma bela compensação terrena, deve ser feliz…
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Enfim, isto, são pensamentos avulsos do que me ocorreu nesta experiência da minha vida, iniciada com a estreia na mini da Ponte 25 de Abril, em 1998…
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Depois duns empedrados que ultrapassei garbosamente, aproximei-me da “parede” dos 37 km… O mar entra em cena, que beleza, mas aí veio o Mostrengo (Obrigado, Fernando Andrade, era essa mesmo a imagem que não me ocorria e de que precisava aqui). De facto, foi ai que encarei o Monstro da Maratona, que me fez por três vezes largar as mãos do leme, duvidar da empresa, pensar em desistir, recear: ”não vou conseguir…” Um pensamento segredado a medo para mim próprio, uma angústia fininha, a ligar-se aos mil medos e frustrações dos meus quase 60 anos de vida. Mas voltei a segurar-me ao leme, fui passando as malditas rotundas, amaldiçoei tudo e todos, a Ana Pereira, o maluco do Eduardo Santos, Os PCGC, o Jorge Teixeira e a sua maratona… Ah…!
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Na última rotunda, na volta para a última subida para a meta, vejo os outros desgraçados que se arrastavam atrás de mim, em sentido contrário… Ah, ainda estão piores que eu, alguns caminham, eu ainda consigo correr… No início da subida, uma pessoa sorri e diz adeus aos corredores: A camarada Beatriz. Veterana experiente, ela sabia que era ali que nós precisávamos de apoio. E foi bom, carago! Então, quem sou eu, carago, quem sou eu??!!
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Vai dai, ligo o turbo e arranco pela subida, terreno onde, graças aos treinos em Monsanto, me sentia à vontade. Vivaaaaaaaaaaaaa!!! Onde está a Ana, o António e os outros? Onde estão, onde estão, onde estão?... Já não deu para os apanhar, mas ainda ultrapassei uns quantos no quilómetro final, terminando os últimos 100 metros com o sprint da praxe, passando um companheiro veterano!…
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Estava feita a minha primeira maratona e agora que estou a escrever, não sei porque me vêm as lágrimas aos olhos, deve ser da velhice. Agradeço à Ana, ao Eduardo, ao António, ao Luís Miguel, aos PCGC e ao Jorge Teixeira toda a ajuda e incentivo, também à Tartaruguinha e não esquecendo a Beatriz, cuja imagem só, junto à última rotunda, me salvou definitivamente do Mostrengo.
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Para terminar só queria dizer que dediquei esta corrida mágica a outro espaço mágico que tenho habitado ultimamente: Os encontros “Dance the Heart” (pesquisem na NET - vale a pena). E também aos seus habitantes, em particular aos seus mentores, o David Camacho e a Luísa e, claro, à Lília, que me levou para lá.
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Abraço a todos e desculpem o relambório, mas para mim era importante escrever isto...

quarta-feira, outubro 04, 2006

Agora, uma filosófica que encuquei...

Se responder a 3 de um teste de 10 perguntas, tenho um resultado de 30%, certo? Mostro que sei 30% do que era suposto saber…

Agora... Sobre a Realidade… Conhecemos 1001 coisas em 1001 campos do conhecimento. Tantos dados! Mas seja qual for o número, é um número finito, certo?
...Chamemos a esse número enorme N;


Agora… Acreditam que o Kosmos é infinito (chamemos-lhe Inf), no espaço e no tempo? Se sim, sabemos do Kosmos, N/Inf avos, não é?

Pois então não sabem nada do que nos rodeia, pois N/Inf = 0!

Tudo o que achamos que sabemos deve ser uma ilusão…ou não?

sábado, setembro 23, 2006

SOBRE RELACIONAMENTOS ENTRE HOMEM E MULHER...

Mais uma tradução dum texto curioso dum filósofo curioso


Texto do filósofo indiano Osho




(…) Estive a ler um livro que falava sobre mulheres fartas de homens, por culpa destes… Será assim? Sim, é verdade…Mas apenas meia-verdade. Os homens também se fartam, e por culpa das mulheres. Na verdade, estamos todos no mesmo barco – homens ou mulheres, todos se fartam – porque o nosso estilo de vida é uma aberração completa. Nem os homens são responsáveis pelo tédio das mulheres, nem as mulheres são responsáveis pela frustração que os homens sentem.

Tem que se aprofundar a psicologia da frustração: A primeira coisa a lembrar é que a pessoa só fica frustrada, farta, enjoada, se tiver grandes expectativas. Se não as tiver…

Eu não estou farto de nada, nem vejo nenhuma possibilidade disso me acontecer. Até morrer, vou manter os mesmos olhos maravilhados com que nasci… Vivo também no mesmo mundo que vós, mas não estou entediado porque nunca esperei nada, portanto não dou lugar à frustração.

A mulher farta-se porque tem esperado muito do homem, e o pobre do homem não pode preencher tanta expectativa. As mulheres são mais imaginativas; transformam em herói um Zé qualquer. Aos seus olhos românticos qualquer idiota parece um Gautama, o Buddha. E lentamente, lentamente, à medida que se vão aproximando dos seus grandes heróis, não encontram gigantes, encontram apenas pobres seres humanos normais. E instala-se a frustração. Ampliaram-nos e exageraram as suas qualidades – Mas não se pode viver sempre a ver as coisas por uma lente de aumentar. Mais cedo ou mais tarde, terão que enfrentar a realidade.

A realidade é apenas um homem chateado, completamente desinteressante. E o homem – o homem não é tão imaginativo, mas o seu instinto biológico mantém-no quase dopado, e quando drogado pelo seu instinto biológico, qualquer mulher feia lhe parece uma Cleópatra. Os olhos do homem ficam velados por uma loucura biológica.
Quem diz que o amor é cego tem razão. O homem começa por ver com os olhos tapados; ele receia destapá-los porque a realidade pode ser decepcionante. Mas durante quanto tempo se pode viver tapando os olhos? Mais cedo ou mais tarde terá que olhar para a mulher por quem estava obcecado.
A fixação biológica desaparece depressa; é meramente química, hormonal. Uma vez que se está sexualmente saciado com a mulher, toda a cegueira, toda a loucura desaparece. Volta-se à racionalidade, e vê-se apenas uma mulher como as outras. Naturalmente, para a evitar, os homens refugiam-se na leitura do jornal, vão para o sofá ver televisão. Fizeram uma sondagem na América: O americano comum passa uma média de 7 horas e meia frente à televisão! E, naturalmente, a sua mulher fica farta.
Sei de pessoas que fazem amor enquanto, ao mesmo tempo, vão vendo televisão. Nem mesmo os grandes sexólogos, como Vatsyayana, Pundit Koka, Sigmund Freud, Havelock Ellis, puderam sonhar alguma vez que um dia as pessoas haviam de fazer amor enquanto viam TV. Estão tão fartas de tudo que a televisão é um refúgio.
Mas a psicologia é simples: Começa-se por ter certas expectativas dos outros e a acreditar nessas expectativas. E em breve essas expectativas se espatifam contra a realidade. Essa é a razão porque os homens se fartam e porque as mulheres se fartam – Todos se fartam. O mundo está cheio de pessoas entediadas…!

O tédio é talvez o fenómeno mais significativo que apareceu no século vinte. Nunca antes o homem se aborreceu tanto. Antigamente, quando o homem era caçador e não havia casamento nem possibilidade de monotonia, não se aborrecia, não tinha tempo para isso. As mulheres não se aborreciam: Podiam sempre escolher outro homem. O casamento estabilizou tudo em nome da protecção e da segurança, mas acabou com a exploração das possibilidades. Um dos poetas Urdu tem uma bela canção que diz: “Se tu” – referindo-se a Deus – “Eras a favor do casamento, porque me deste olhos? Porque me deste inteligência?” Os atrasados mentais não se aborrecem e, surpreendentemente, os cegos também não.
Quanto mais inteligente se é, mais depressa se fica farto, esse é o critério. Os mais inteligentes, sensíveis e criativos são os que mais se aborrecem, porque uma experiência basta. Repeti-la é só para idiotas…
À medida que o mundo se vai estabilizando sob o ponto de vista financeiro e social – casamento, filhos, educação, reforma, pensões, seguros… - Nos países mais desenvolvidos as pessoas até são pagas para não trabalhar – perdeu-se toda a alegria da exploração das possibilidades. Tudo se tornou de tal maneira pré-estabelecido e controlado que parece que a única possibilidade de experimentar algo novo, particularmente no mundo ocidental, é o suicídio. Apenas isso ficou por descobrir.
Experimentaram o sexo e acharam que não passava de uma patetice. Experimentaram drogas e viram que eram apenas ilusão. Agora parece que não há mais descoberta, não há mais desafio, e cada vez mais pessoas cometem suicídio. Note-se que a taxa de suicídios não cresce nos países pobres. Os pobres parece que se aborrecem menos e se saturam menos porque ainda se têm que preocupar em arranjar comida, roupa e abrigo; não têm tempo para se aborrecerem. Não se podem dar a esse luxo.
Quanto mais rica é a sociedade… Onde tudo está disponível, por quanto tempo se pode viver numa vida estável, monótona, segura, protegida, garantida? Gente de grande inteligência começa a cometer suicídio.

O Oriente também conheceu os seus tempos de abundância, mas felizmente aí encontrou-se um melhor substituto para o suicídio, que são os sannyas. Quando as pessoas se fartavam, como aconteceu com o Gautama Buddha – ele tinha todo o luxo possível - por quanto tempo se pode repetir essa luxúria diariamente? Aos vinte e nove anos acabou para o mundo. Tinha experimentado tudo o que o mundo lhe podia dar. Uma noite escura, deixou o seu reino, a sua segurança, o seu conforto. Abandonou tudo e tornou-se um mendigo em busca do que fosse eternamente novo, que nunca se desgastasse, que nunca se tornasse monótono. A busca do eternamente novo é a busca dos sannyas.
Há algo dentro de cada um que é eternamente novo, que nunca se desgasta, que nunca aborrece. E quando digo isto, o que digo vem mesmo dessa fonte. As minhas palavras vêm daí mesmo. Se as absorveres, se as sentires, vislumbrarás um lugar onde tudo se renova a cada momento, onde o pó nunca assenta. Esse mundo existe dentro de nós.

Mas estás interessado numa mulher e ela, interessada em ti. Ela não pode ver essa tua fonte eterna de alegria nem tu podes ver a dela, porque estás focado na mulher. Estamos todos focados nos outros e o que nos poderia dar uma alegria permanente está dentro de nós – mas nunca o procuramos no nosso interior.
As pessoas dispõem-se a subir ao Everest, à Lua, a Marte, à descoberta, porque não sabem que, chegando lá mesmo, sentirão a estupidez disso tudo. O que vais fazer lá? Por quanto tempo permaneceu Edmund Hillary no cume do Everest? Não mais de dois minutos. Arriscou a vida – e centenas de outras pereceram depois dele, para atingir o pico. Imagino que ele, especado no pico mais alto do Himalaia, se deve ter sentido muito embaraçado. Ainda bem que ninguém lá estava para o ver, ao fim de dois minutos lá, estava farto: Vou-me embora…!
O que vamos fazer à Lua? É uma situação curiosa… Quando o primeiro astronauta Russo, Yuri Gagarine – que foi o que chegou mais próximo da Lua na história da humanidade, até à altura – regressou a Terra, os jornalistas perguntaram-lhe “Qual foi o seu primeiro pensamento quando lá chegou?” Ele respondeu, “Primeiro…olhei para a Terra. Parecia tão bela lá de cima. É oito vezes maior que a Lua e, lá, brilha exactamente como a Lua, mas oito vezes mais. E a Lua parece tão sem importância como a Terra, quando estamos nela”
Apenas à distância se pode apanhar os raios reflectidos do Sol. A Lua não tem luz própria; quando lá se chega, é o lugar mais deserto e feio possível, porque não tem água, verdura, flores. Nada acontece lá – é apenas um deserto, completamente morto.
“Mas na Lua” disse Yuri Gagarine, “o meu primeiro pensamento foi ‘Minha querida Terra…’” É estranho, mas quando estamos na Terra, não lhe ligamos nenhuma. Yuri Gagarine viveu toda a vida na Terra e nunca pensou “Minha querida Terra…” E a segunda coisa que disse foi “Quando murmurei para mim próprio ‘Minha querida Terra’, lembrei-me que sou um comunista e que pertenço à União Soviética. Mas, vista da Lua, a Terra já não está dividida em União Soviética, Alemanha, Japão, América, Índia”. Todas aquelas linhas estúpidas que criámos nos mapas, não existem na Terra. E ele, pela primeira vez, na Lua, sentiu a Humanidade e a Terra, únicas – e tão belas…!
Yuri Gagarine esteve na Índia. Encontrei-me com ele em Nova Delhi e perguntei-lhe, “Desde que voltou à Terra, alguma vez tornou a pensar “Quanto é bela a minha Terra”? Ela olhou-me, chocado. Disse, “Nunca ninguém me fez essa pergunta e eu nunca voltei a ter tal pensamento”.

O Homem procura sempre aquilo que está longe; parece não dar conta nenhuma do que é óbvio, do que está mesmo aí.
E nós somos o que está mais perto de nós próprios, por isso não nos alcançamos. E não há maneira de nos separarmos de nós próprios. Para onde quer que vamos, lá estaremos – não nos podemos separar de nós próprios. Daí não sermos capazes de dizer “meu querido eu…”
Teremos que aprender a arte de entrarmos em nós próprios. Temos que ser mais subjectivos que objectivos. A subjectividade é a essência do misticismo. Teremos que começar a olhar para dentro de nós.
A isso chamamos meditação, é apenas olhar para dentro de nós, até ver a fonte da nossa própria vida. E uma vez que a tocamos, vai-se a monotonia, vem a alegria de viver.
De contrário, homem ou mulher, o tédio será o destino de cada um.

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E para desanuviar, aqui vai uma piada sobre o tédio conjugal:  

(N.T.: Traduzido para português, o vernáculo será mais grosseiro, mas é assim mesmo que Pedro fala)

A Ana Fonseca estava a ficar muito triste e só, porque o marido, Pedro, não fazia outra coisa, dia e noite, senão ver televisão. Então ela decidiu comprar um cãozinho, para ter companhia.
“Se quiser um cão especial” disse o homem da loja de animais, “temos nesta jaula um cão Ninja, que é capaz de destruir seja o que for” e a Ana exclama, “ Que horror!” “Não”, responde o homem, ”ele é extremamente obediente. Só destruirá aquilo que você lhe mandar – a senhora diz ‘Ninja, a cadeira’ e ele destrói a cadeira, ‘Ninja, o rato’ e ele destrói o rato”. Ana pergunta-lhe então, “ele seria capaz de destruir uma Televisão?” Responde o homem,”Claro, ele estraçalhará a televisão em menos de um fósforo!” então a Ana Fonseca compra o cãozinho e leva-o para casa. Lá (claro, o Pedro estava sentado frente à TV), ela abre a caixa onde o cão vinha. O Pedro olhou e disse, “Querida, que cãozinho compraste?” “Comprei um cão Ninja” disse ela, preparando-se para lhe dar a ordem de destruir a TV. E o Pedro voltou-se de novo para a TV, comentando “Ninja, o caralho!”...
…Fim da piada…!